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Vítimas testemunham violações ao direito à água na primeira atividade do FAMA

17 de março de 2018

 

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A primeira atividade do Fórum Alternativo Mundial da Água foi a grande Assembléia Popular das Águas. O momento reuniu povos de muitas partes do mundo e os testemunhos de casos de violações do direito à água deram o tom das primeiras boras do e envento.

Vidas Afetadas

Geovani Krenak, do povo Krenak da cidade de Resplendor, em Minas Gerais, falou sobre como a tragédia de Mariana onde ocorreu o derramamento de lama da Samarco.  Segundo Geovani, o desastre provocou além de doenças físicas, doenças espirituais. As comunidades afetadas pela tragédia não receberam a devida reparação por terem seus lares destruídos. Sandra Georgete protestou: “Nós não queremos indenização, queremos reparos. Queremos que eles consertem o que estragaram.”

A Assembléia Popular das Águas mostrou como muitas comunidades são afetadas pela cadeia da produção de energia. Silvia Lafaiete Pires, pescadora do Espírito Santo, denunciou como a exploração de petróleo pela Petrobrás destrói seu ambiente e polui as suas águas. “Pedimos socorro, não bebemos água mineral. Precisamos da água limpa! Estamos tomando água contaminada.”

Em outro testemunho impactante, Marcelo, do Lagamar do Cauipe, no Ceará, denunciou a exploração de 200 litros por segundo das águas do Rio Cauípe, para um complexo industrial enquanto as comunidades não tem sequer água encanada. Antonia Melo da Aliança dos Rios dos povos do Xingu disse que somos todos a voz dos rios, e eles estão nos chamando para nos juntar em defesa deles.

Tensões em diálogo

O Ministério Público esteve presente a Assembléia Popular das águas através da presença da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, acompanhada pelo ministro do STJ, Herman Benjamim, e de outros procuradores do Ministério Público. “Estou aqui para ouvir a sociedade civil nas suas pretensões em relação a água.” disse Raquel Dodge que foi interrompida algumas vezes por vaias e gritos de “Fora Temer”. Raquel Dodge também falou que a água é uma das preocupações centrais do Ministério Público e afirmou que sua gestão a frente da Procuradoria Geral da República reconhece que a água é um direito humano fundamental.

Marina Rocha, ribeirinha do São Francisco, abriu os testemunhos da Assembléia Popular das Águas sobre as transposições de grandes volumes de água dos rios pelo agronegócio. “Nosso Velho Chico vem sofrendo várias agressões, vem desaparecendo diversas nascentes que alimentam nosso rio.” Ela citou destruição das matas ciliares e denunciou que 79% das águas do Rio São Francisco são usadas para irrigação. “Precisamos defender a vida do São Francisco”, concluiu. Jailton de Correntina-BA, morador das margens do rio Arrojado, região onde os moradores da cidade destruíram o sistema de irrigação de uma grande fazenda que estava desviando 70% do rio Arrojado, fez um relato do ataque que a água e o cerrado sofreram na sua região: “Ninguém pode morrer de sede nas margens do Rio Arrojado.” 

Leandro, do Rio Grande do Sul, cobrou que os governos se responsabilizem pela proteção da água e questionou a privatização das empresas de saneamento, através das Parcerias Público-Privada e da venda de ações em bolsas de valores. Criticou os governos Temer e Sartori, do Rio Grande do Sul, por entregar a água para o interesse privado. Oscar Oliveira, de Cochabamba Bolívia falou sobre a guerra da água, que há 18 anos aconteceu na Bolívia, quando o povo boliviano reconquistou a água que havia sido privatizada para grandes corporações. “A água antes de tudo é um bem comum. Água antes de tudo é um ser vivo. Água não é um patrimônio sequer dos povos. É um patrimônio da natureza. Água é um presente da pachamama para todos os seres vivos.” E alertou: “Parem de acreditar nas autoridades. Comecem a acreditar uns nos outros.”

O Fórum Alternativo Mundial da Água continua com atividades autogestionadas organizadas pelas entidades e organizações participantes até o dia 22 de março em Brasília. 

Por Jucelene Rocha

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Com informações do coletivo de comunicação do FAMA

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