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Venezuela: o impacto da crise se estende através das fronteiras

26 de junho de 2017
BOA VISTA 11

A tragédia da Venezuela encontra grande repercussão através das fronteiras. Toda situação prolongada de conflito armado, violência e opressão leva a população a fugir, transformando-se em refugiados ou pessoas em busca de asilo. Neste percurso há duas zonas migratórias intensas. A primeira, ao sul, é a fronteira com o Brasil: uma sinuosa trilha de quase mil quilômetros pela mata que passa por montanhas e pela floresta amazônica. A segunda, ao oeste, faz fronteira com a Colômbia: a cidade colombiana de Cúcuta é localizada na área porosa da zona fronteiriça que, com o passar dos anos, tornou-se um centro de comércio ilegal, assim como um espaço de encontros, amizades e relações familiares. Alguns refugiados também escaparam para a Guiana, ao oeste, ou para as ilhas do Caribe, não muito distantes da costa venezuelana.

Brasil, novas chegadas em crescimento vertiginoso. A situação no Brasil piora a cada dia. A fronteira da cidade de Paracaima, no estado de Roraima, não tem condições de atender a demanda em infraestrutura e necessidades jurídicas dos imigrantes. Em relato para a Agência italiana SIR (Serviço de Informação Religiosa), Luiz Cláudio Mandela, secretário executivo da Cáritas Brasileira, expressou suas preocupações a respeito dos últimos acontecimentos e apresentou números que mostram o fluxo imigratório em constante crescimento.

 A cada dia quase 200 imigrantes atravessam a fronteira Sul e buscam abrigo no Brasil

Durante os primeiros meses de 2017 os pedidos de asilo chegaram a ultrapassar o número de todos os pedidos concedidos nos últimos seis anos, de acordo com dados liberados pelo Ministério da Justiça brasileiro. Até maio de 2017 as autoridades nacionais receberam em torno de 8.231 pedidos de asilo. Em 2016 o número de pedidos efetuados foi de 3.375. De acordo com a Cáritas Brasileira, atualmente cerca de 30 mil imigrantes venezuelanos estão vivendo na cidade de Boa Vista, capital de Roraima; dois mil deles, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), são indígenas da etnia Warao.

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 “A fuga do povo venezuelano é resultado da atual situação política, devido à escassez de alimentos e motivos econômicos”, disse Mandela. E complementou:

 Os povos indígenas são os mais necessitados dentre os necessitados. A situação econômica é ainda mais precária para eles.”

 Como mencionado anteriormente, Roraima é o estado brasileiro mais afetado. “As fronteiras com a Venezuela são praticamente descontroladas”, disse o secretário geral da Cáritas. Multidões de imigrantes convergem em Boa Vista, aonde um ginásio foi transformado em um centro de recepção temporário, casa de quase 400 imigrantes, mas os pedidos de assistência ultrapassam esse número. Eles buscam abrigo também em outras cidades como Manaus, capital do estado do Amazonas. As autoridades locais declararam estado de emergência devido à massiva afluência dos povos indígenas de etnia Warao.

 Para Luiz Cláudio Mandela, os imigrantes venezuelanos são vítimas de diversas formas de discriminação e são forçados a viver como catadores de lixo e pedintes em Manaus, Boa Vista e Pacaraima. Os venezuelanos estão pedindo para que o governo regularize sua situação, mas os longos procedimentos burocráticos de pedidos de asilo atrasam essa possibilidade. Em Pacaraima, por exemplo, os pedidos de asilo não podem ser processados pela internet, devido à falta de acesso à rede.

 O acolhimento aos imigrantes sobre os ombros da Igreja, um apelo ao Governo Federal. O secretário executivo da Cáritas pontuou que as tentativas de acolhimento são majoritariamente “vindas de Igrejas locais, especialmente das dioceses de Boa Vista, de Manaus, da Cáritas e dos missionários Scalabrinianos”. No que tange ao acolhimento dos imigrantes, “a prioridade é dada às crianças e mulheres”. A Igreja brasileira e a Cáritas tem lançado campanhas de conscientização pública e campanhas para doações.

“Conscientizar a sociedade brasileira do que está acontecendo é o objetivo prioritário. Dois sentimentos conflituosos coexistem na população: há solidariedade, mas também muita confusão.”

 A Cáritas Brasileira também entrou com um apelo junto a representantes públicos e institucionais: “Governos locais estão preocupados, enquanto o Governo Federal tem falhado em adotar medidas concretas. Como Cáritas Brasileira nos organizamos com representantes da sociedade civil e recorremos ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados para que o Governo seja mais receptivo. Nós também estamos em contato direto com centros da Cáritas na América Latina, e com a Cáritas Venezuela em particular”.

 

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Êxodo diário para a Colômbia. Como mencionado anteriormente, outra zona de intenso fluxo migratório na fronteira com a Venezuela é a divisa com a Colômbia, especialmente na cidade de Cúcuta. No Brasil, imigrantes chegam diariamente, mas números crescentes se estabelecem no país vizinho.

Segundo dados das autoridades colombianas, entre 45 e 50 mil pessoas cruzam a fronteira da Venezuela com o país diariamente. De acordo com estimativas, 1,2 milhões de cidadãos venezuelanos residem na Colômbia, incluindo imigrantes ilegais.

O êxodo diário é resultado da escassez de alimentos e outros produtos de primeira necessidade na Venezuela. Imigrantes venezuelanos buscam comprar o que precisam na Colômbia, apesar dos preços exorbitantes. De fato, o salário mínimo na Colômbia chega a 280 dólares, contra aos 20 dólares pagos na Venezuela. Para corresponder às necessidades da população venezuelana, a diocese de Cúcuta lançou uma iniciativa já posta em prática por várias cidades: as cozinhas comunitárias, espaços informais e solidários onde preparam a sopa comunitária, iniciativa que atente a maioria da população imigrante que está em situação de rua.  

SOS HAITI FURACÃO

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