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Um prêmio para construtores de paz e disseminadores de solidariedade

13 de novembro de 2018

Finalistas do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade – fotos Igo Ferrer/Cáritas Brasileira

 

O dia em que a solidariedade se encontrou para se manifestar em brincadeiras, músicas, ritmos, pães, biscoitos, comida típicas venezuelanas, bolachas, em vidas partilhadas, dificuldades vencidas, conquistas comemoradas e reflexões sobre solidariedade e paz. Assim foi a entrega do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade realizado ontem, 12 de novembro de 2018, pela Cáritas Brasileira, em Brasília (DF). Os projetos premiados são: Arte, Circo e Cidadania, de Goiânia (GO); Empreendimento Econômico Solidário Morenas do Divino, Rio Rufino (SC) e Rede de Mulheres: Liderança Feminina, Empoderamento e Emancipação, Belém (PA). Além do troféu cada projeto recebeu o valor de cinco mil reais para investir em seus respectivos empreendimentos.

No decorrer da premiação houve intervenções artísticas. A Família Hip Hop abriu e evento com músicas em que na letra convoca a ter fé na transformação, a lutar por justiça e igualdade,  a letra também dizia que o poder está com o povo e que o mesmo “não pode se acovardar, pois assim não surgirá um mundo novo”, e se ficarmos sempre à espera, seremos sempre sem direitos. Vamos quebrar as correntes que amordaçam a gente, pois na periferia somos a maioria”, convidavam em seu cantar.

O Circo Lahetô, também se fez brincante na cerimônia, com a apresentação do diabolô, no cordão acionado por duas baquetas e no ritmo da música “Brasileirinho”, fez a plateia cair no “chorinho”.

Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela), Martina Liebsch,dom Leonardo Ulrich Steiner e Dyarley Viana

O Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, sugeriu que o Prêmio Odair Firmino de Solidariedade “seja para criarmos cada vez mais uma solidez em nossas relações, uma solidez tal onde a fraternidade pode livremente circular, onde a gratuidade pode se dar na liberdade fontal”. Dom Leonardo lembrou, também, “que a solidariedade é um pequeno vicejar, um pequeno florir da caridade, do amor. Pois é a caridade que cria e recria as relações e a solidariedade é aquilo que solidifica. Pois a caridade é a concretização da solidariedade”, ressaltou.

O diretor-executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela), lembrou que a Cáritas Brasileira nestes 62 anos “tem a missão de colocar o amor em movimento no Brasil. Essa é a missão que foi colocada para a Cáritas, que o Odair Firmino [que leva o nome do prêmio] colocou para sua vida na animação enquanto agente Cáritas por 20 anos de atuação na instituição”.

Dyarley Viana, moradora da Cidade Estrutural (DF), negra e periférica, militante do movimento negro, Pedagoga por formação, Educadora popular por convicção e paixão, e que foi catadora de materiais recicláveis por sete anos, e hoje atua no Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com a participação e articulação política nos projetos voltados à adolescentes, jovens  periféricos e  mulheres  e que também integra o Movimento Nossa Brasília, partilhou de sua experiência de gratuidade e solidariedade e de enfretamento às violências a partir de seu lugar de fala e de vivência. Ela começou dizendo que estava à mesa contrariando as estatísticas, pois significativa parte das mulheres negras não chega a completar a sua idade, 33 anos. Pois têm a vida ceifada antes disso. Dyarley convidou a “olhar para a pobreza como algo não natural da consciência desse Planeta e assim nos organizarmos para fazer esse enfrentamento. É um absurdo pensar que em torno de 6% da população do mundo concentra metade da renda, ou mais da metade da renda do resto da população. É um absurdo a gente pensar que a pobreza neste pais tem cor, e cor é negra. E tem código de endereçamento postal (cep), e o cep é periférico. É um absurdo considerar que existem muitos discursos que validam isso como vontade de Deus”, enfatizou.

Dyarley sugeriu aos participantes de fazer o exercício de inspirar e expirar e afirmou que isso “faz parte da solidariedade Divina. Tudo deveria ser assim: o acesso à agua, à moradia. Enquanto estamos aqui, a terra continua na sua generosidade produzindo alimentos, permitindo que as nascentes brotem água para que a gente em chegue em casa e beba dessa água. Tome um banho maravilhoso. Isso é amor. Eu não sei dimensionar e pensar qualquer outra forma da manifestação do amor”, lembrou ao fazer menção ao prêmio de solidariedade para a construção da paz.  

Solenidade de entrega do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, auditório da CNBB em Brasília (DF)

A Diretora de Incidência Política da Cáritas Internacional, Martina Liebsch, disse sentir-se emocionada pelo fato de poder partilhar com os presentes e a Cáritas Brasileira os 62 anos da instituição com a entrega do Prêmio Odair Firmino de Solidariedade. “Um prêmio como este dá muita esperança! E lendo as histórias dos ganhadores eu fiquei pensando: Muita gente no mundo pesquisa sobre Paz! O que é a Paz? A Paz não é um estado de felicidade estática e absoluta como alguns livros e revistas nos querem vender, não é uma receita fácil!”,

Martina lembrou que ao ler sobre a história dos premiados as narrativas são processos e superação de preconceitos. “Gostei muito quando as mulheres do Projeto Empreendimento Econômico Morenas do Divino quando perguntadas se os maridos as apoiam, elas responderem: ‘No início eles achavam que era loucura nossa, mas depois perceberam que estávamos mais unidas e colaborando com o nosso pouco na renda familiar’, e ter oportunidades para sanar as feridas como entendo acontecer no Circo Lahetô, adquirir autoestima, trabalhar não somente para si mesmo mais para uma comunidade, ter opções para escolher e atuar e partilhar alegria para sanar a dor. E por fim a transformação como nos conta a história das mulheres do Pará como o Projeto Rede de Mulheres: Liderança Feminina, Empoderamento e Emancipação”, lembrou Martina.

“Não sei se foi intencional ou se é casual que entre os ganhadores, dois são coletivos de mulheres. Eu quero lembrar que estamos perto do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, e infelizmente, é muito comum nos dias de hoje essa violência. Acho que são bons exemplos como superar a violência e construir relações de equidade e garantia de direitos e políticas públicas”, ressaltou.

Martina lembrou que o reconhecimento é como um pequeno Nobel da Paz que neste ano foi para ativistas que lutam contra violência sexual como arma de guerra. A ativista, Nadia Murad, sobrevivente da escravidão sexual imposta pelo Estado Islâmico, no Iraque, e o médico Denis Mukwege que tratou com sua equipe de cerca de 30 mil vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo. “Sintam-se como parte de todas as pessoas que lutam por a Paz!”, sublinhou Martina, aos vencedores do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade.

Por Osnilda Lima – Cáritas Brasileira Secretariado Nacional

Participantes da cerimônia de entrega do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, em Brasília (DF)

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