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Transposição do São Francisco é o tema da Semana da Água desse ano

19 de março de 2008

Desde 1999, a Cáritas Brasileira, em conjunto com outras entidades e movimentos, realiza de 15 a 22 de março a “Semana da Água”. O objetivo é provocar debates e mobilizações em defesa da água como um bem comum a todos. Neste ano, o tema central são os impacto socioambientais de grandes projetos hídricos na vida das populações, como barragens e hidrelétricas, com enfoque no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Apesar de culminar no Dia Mundial da Água (22), as atividades em algumas regiões se estendem até abril.

Do volume de água que o governo federal alega que a transposição do Velho Chico vai distribuir, 70% será destinado ao agronegócio (irrigação para exportação); 26% vai abastecer grandes cidades e indústrias e apenas 4% para a população rural do Semi-Árido. No cartaz da Semana da Água, essas porcentagens foram ilustradas com copos de água.

Impactos ambientais

Segundo o Relatório de Impacto Ambiental analisado pelo Ibama, esse grande projeto causará pelo menos 38 impactos ambientais negativos, entre eles: perda da qualidade da água (o aumento da salinidade torna a água imprópria para o consumo humano e tratamento muito oneroso); redução da biodiversidade; perda e fragmentação de cerca de 430 hectares de terra com vegetação nativa e habitat de animais; perda de terras potencialmente agricultáveis (cerca de 4.000 hectares de terras com potencial agrícola serão perdidas); interferência sobre a pesca nos açudes (a diminuição do volume médio dos açudes existentes acarretará a diminuição da quantidade de espécies pescadas e comercializadas na região).

Além disso, o projeto traz risco de proliferação de vetores e ataques de animais peçonhentos (o desmatamento para a construção dos canais e o enchimento dos reservatórios poderão aumentar a proliferação de vetores nos reservatórios o risco de ataques por animais venenosos expulsos das regiões naturais, especialmente as cobras); desbarrancamento das margens de rios e reservatórios (a variação do volume de água lançada aos rios e reservatórios receptores poderá alterar os níveis das águas subterrâneas próximas, o que desestabilizaria as margens); aceleração de processos erosivos; aceleração dos processos de desertificação (a degradação do ambiente causa perda da capacidade de retenção da água e de nutrientes, indispensável ao desenvolvimento da vegetação).

Agricultura no Brasil absorve mais da metade da demanda de água

Segundo o Instituto Socioambiental, a distribuição geral da água no Brasil prioriza a agricultura, principalmente irrigação, responsável por 56% da demanda; o uso doméstico corresponde a 27%; as indústrias utilizam 12% do total; e 5% vai para a pecuária.

Apesar do Brasil possuir 12% da água doce existente no mundo, sua distribuição é irregular. A Amazônia, onde estão as mais baixas concentrações populacionais, possui 78% da água superficial. Já no Sudeste, essa relação se inverte: a maior concentração populacional do país tem disponível 6% do total da água (dados do Almanaque Brasil Socioambiental, 2008).

* Assessora nacional de comunicação da Cáritas Brasileira.

Veja também:

>> Semi-Árido comemora Dia Mundial da Água

>> ANA divulga a programação do Mês das Águas
Renina Valejo*

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