Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte

Syngenta enfrenta oposição depois de morte de sem terra

14 de novembro de 2007

Ativistas apoiados pelo governo populista do estado do Paraná associaram-se numa tentativa de expulsar a multinacional suíça Syngenta AG (SYT) da área depois que em um protesto contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados) um dos manifestantes foi morto a bala no mês passado por um dos guardas de segurança empregados pela companhia.

Como resultado, Syngenta está atualmente considerando a relocação de uma operação controvertida no Estado. No local fica o laboratório experimental de soja, feijão e milho geneticamente modificados propriedade da Syngenta no oeste do Paraná, não distante do amplo Parque Nacional do Iguaçu. Conforme Medard Schoenmaechkers, responsável pela comunicação da Syngenta na Europa, a companhia “atualmente avalia dessa facilidade”.

Em 21 de outubro, um ativista anti-OGM, do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem-Terra, foi assassinado a bala por um guarda de segurança contratado por Syngenta, no oeste do Paraná. O guarda também foi assassinado mas até o momento não se sabe por quem. As forças de segurança agiram rapidamente uma vez que elas ouviram que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) havia invadido a área no mês passado.

O governo do estado do Paraná está investigando as mortes. Os resultados são esperados para 21 de novembro, disse Darci Frigo, advogado de direito agrário ligado a organização Terra de Direitos. A Syngenta, por sua vez, nega algumas alegações do MST de que a companhia ordenou a empresa de segurança abrir fogo.

O MST é um dos grandes grupos de ativistas anti-GMO e em prol da reforma agrária pelo mundo. Mais de 100 ativistas do MST – incluindo famílias inteiras que plantam arroz e milho para comer – permanecem ainda acampados na terra da Syngenta como parte de um protesto contínuo que tomou a propriedade da Syngenta desde Março de 2006.

Com a morte do ativista, Valmir de Mota Oliveira, o MST lançou uma campanha para pressionar a Syngenta não somente a sair do Paraná, mas do Brasil. Os anti GMO encontram-se alinhados com os grupos de ativistas. “Nós queremos essa gente fora do Paraná. Eles são um espinho em nosso lado”, disse Benedito Pires, o porta-voz do governo. “Nós gostaríamos que eles fossem embora do Brasil, mas não temos o poder para fazer isso”, disse Pires.

O Brasil é um dos celeiros da agricultura mundial, e o estado do Paraná é um dos maiores produtores de soja, milho, trigo e cana de açúcar. Frigo e o MST alegam que Syngenta está testando soja e milho geneticamente modificados de maneira ilegal, dada a proximidade do Parque Nacional do Iguaçu.

A morte de Oliveira abre uma ferida difícil de curar, e vem dar novo impulso ao MST na sua investida contro o agronegócio, especialmente contra as companhias rede de commodities. “Nos queremos justiça, porque Syngenta ordenou a sua gente que o matassem (Oliveira)”, disse Celso Barbosa, um coordenador do MST no Paraná.

O que talvez o MST mais deseje, segundo Barbosa, é que multinacionais como Syngenta volte seus lucros para a sociedade. A semana passada, o grupo iniciou uma marcha em direção a corporação mineradora, Vale do Rio Doce, no norte do estado do Pará. O que faz parte de uma ação de pressão para que o governo nacionalize a companhia. Se a Vale está na linha de fogo na área da mineração, Syngenta se tornou a inimiga número 1 na área do agronegócio nesta disputa.

Fazendeiros do Paraná se chocaram violentamente com o MST no passado, mas tais ocorrências se consolidaram nos últimos quatro anos. No entanto, MST tem o apoio de governos e jura continuar pressionando a Syngenta e tentar pelo menos deixar a multinacional suíça com um olho roxo.

Conforme Barbosa, a luta envolverá pressão no Brasil e no quartel geral da Syngenta, na Suíça. “Continuaremos a lutar”, disse Barbossa, “nos tribunais e mediante ocupações por um, dois ou três anos, até que eles saiam daqui”.

*Tradução do inglês: Daniel S. Pereira
Por Tony Danby, Dow Jones Newswires*

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


MAGRE BRASIL

Faça parte dessa rede

Redes Sociais

Cáritas Notícias

Cadastre-se e receba por e-mail nossos informativos.
Prestação de Contas

Contato

Cáritas Brasileira
SDS - Bloco P - Ed. Venâncio III
Sala 410 - CEP: 70393-900


Brasília/DF
+55 (61) 3521-0350

caritas@caritas.org.br