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Seminário Territorial de Mulheres fortalece debates sobre empoderamento, luta e resiliência feminina

27 de novembro de 2018

Seminário Territorial de Mulheres, em Pesqueira, no Pernambuco

Nos dias 22 e 23 de novembro, a Cáritas Diocesana de Pesqueira, com apoio da Diocese de Pesqueira e do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), realizou no Seminário São José, em Pesqueira, o Seminário Territorial de Mulheres. Discutindo a temática do Empoderamento Feminino na construção de uma cultura de paz, o encontro reuniu cerca de 60 mulheres, entre agricultoras, agentes Cáritas, representantes das coordenadorias da Mulher dos municípios que compõem a Diocese de Pesqueira e das Cáritas (Inter) Paroquiais.

O Seminário começou com a acolhida das mulheres no local do evento. Durante a abertura do encontro, elas participaram de uma mística que mostrou os diversos tipos de violência que as mulheres sofrem cotidianamente e que muitas vezes não são conhecidas pela grande maioria delas. 

Em seguida, elas participaram de um painel ministrado pela secretária da Mulher do estado de Pernambuco, Silvia Cordeiro, que debateu  a luta e resistência feminina. Em sua fala, Silvia reforçou o papel da mulher na sociedade moderna, e como os casos de violência não são tolerados e precisam ser denunciados e combatidos cada vez mais e com mais rigor.”Ser mulher não tem sido fácil nesse século 21. É fazer com que a sociedade compreenda que somos importantes e não nascemos para ficarmos presas em casa. Ser mulher é ser um ser social que precisa de respeito”, enfatizou.

À tarde, foi construída uma linha do tempo que mostrou as conquistas importantes das mulheres ao longo dos anos no Brasil na luta por direitos e por reconhecimento. Após esse momento, Cícera Nunes, a primeira presidente eleita da Federação dos (as) Trabalhadores (as) Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Pernambuco, (Fetape), ministrou um debate sobre a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão.

Cícera falou dos desafios que precisam ser percorridos para que as mulheres tenham representações significativas nesses espaços, e trouxe números que ainda mostram como é grande a desigualdade de gênero, principalmente no campo político. “Nós ainda estamos muito aquém do acesso aos direitos para nós mulheres, e se empoderar diante do que temos conquistado é uma ponte para que possamos conquistar ainda mais coisas. Isso significa um empoderamento coletivo, unificado, que seja formativo na junção de novas ideias e de movimentos de mulheres juntas”, reforçou. Em seguida, foi aberto um espaço de escuta para as mulheres, que puderam falar o que acharam do primeiro dia de encontro e socializaram com as demais relatos sobre empoderamento e enfrentamento à violência.

Finalizando o primeiro dia de atividades, as participantes puderam expor seus produtos na Mostra de Saberes e Sabores, realizada no pátio do Seminário São José. Durante a Mostra, as crianças do Movimento Fraterno Ação Comunitária,  (Mofac), fizeram uma apresentação de coco de roda para as mulheres.

Para Rubênia da Silva, agricultora do município de Jataúba, o mais importante na participação do Seminário foi a troca de saberes entre as mulheres.  “Os momentos de reflexão, onde todas tiveram a oportunidade de contar um pouco de suas histórias, de suas batalhas diárias, os momentos de escuta uma das outras, foi realmente o que mais me impactou e o que eu mais gostei. É muito gratificante ver a força das mulheres e a capacidade delas de se fortalecer diante as adversidades”, pontou.

Silvinha Xukuru, coordenadora administrativa da educação Xukuru

No segundo dia de encontro, o painel sobre enfrentamento à violência contra mulher foi ministrado por Silvinha Xukuru, coordenadora administrativa da educação Xukuru e representante o Coletivo de Mulheres Xucuru de Ororubá. Na sua fala, Silvinha reforçou a importância da figura feminina para o Povo Xukuru de Ororubá, dizendo que “a mulher é a continuidade da cultura indígena. Ela é a representação da fé, da força e da espiritualidade do nosso povo”. 

As mulheres ainda tiveram oportunidade de debater, em grupos de trabalho, sobre ações estratégicas de enfrentamento à violência nos territórios que elas fazem parte. Ao final do encontro, foi formada uma comissão com representantes de todos os municípios presentes para criação de uma rede de mulheres, com objetivo de discutir ações de fortalecimento da mulher no território diocesano. 

Por Núcleo de Comunicação da Cáritas Diocesana de Pesqueira

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