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Romaria dos Mártires: celebrar a memória e a esperança

23 de julho de 2016

A Romaria dos Mártires da Caminhada é uma experiência vivenciada a cada cinco anos, em Ribeirão Cascalheira/MT, Prelazia de São Félix do Araguaia. Na cidade, no ano de 1976, foi assassinado o padre João Bosco Burnier enquanto defendia duas mulheres da tortura sofrida por policiais militares. Desde então, a região se tornou lugar de peregrinação para fazer memória das lutas por direitos e justiça de tantas e tantos mártires que derramaram seu sangue para a construção do Reino de Deus, da Terra sem Males.

Realizada no último final de semana, dias 16 e 17 de julho, a romaria de 2016 teve como tema “Profetas dos Reino” e contou com a participação de milhares de romeiras e romeiros de todo o Brasil e de outros países. A Cáritas Brasileira esteve representada por Marilene de Souza, Leninha (diretora-secretária da entidade), Alessandra Miranda (da coordenação colegiada nacional) e pelos assessores nacionais Leon Souza e Marcelo Lemos, além da participação de muitos agentes de Cáritas regionais e entidades-membros.

Foi assim que as primeiras luzes do amanhecer de sábado, 16 de julho, nós contemplamos ainda dentro do ônibus que nos levava de Brasília para Ribeirão Cascalheira. O cansaço que poderia ser um castigo para nossos corpos, numa viagem de mais de 14 horas, não foi maior do que a alegria quando avistamos a placa que indicava faltar 150 quilômetros para nosso destino.

A chegada à praça principal, onde as caravanas eram acolhidas, foi um banho de emoção: o coração agradecido pela viagem, a alegria de pisar no chão de Ribeirão, os olhos que buscavam rostos conhecidos, corpos que se abraçavam, gente querida de tantos lugares. Gente simples, gente amiga, gente da gente.

Quando a equipe de animação entoou “não há, oh gente!, oh não!, luar como este do sertão”, os últimos raios de sol ainda coloriam o final da tarde, mas a lua brilhava no alto dos céus e convidava romeiras e romeiros para o acendimento do fogo. Num tempo em que tantos desafios políticos, sociais, econômicos, culturais e eclesiais são como ventos frios que ameaçam vidas, acender a fogueira aqueceu nossos corpos e nossas esperanças. Aqueceu-nos a presença do profeta Dom Pedro Casaldáliga. Ele, que mesmo na fragilidade da saúde continua sendo testemunho de luta e de esperança, deu-nos o exemplo de seu projeto, do projeto do Reino da Vida.

Na fogueira, acendemos nossas luzes e caminhamos até o Santuário dos Mártires. Celebramos a memória de tantas mulheres e homens que tombaram pelos caminhos do Brasil e da América Latina defendendo a vida do povo empobrecido. A caminhada nos convidou a recordar o calvário de Jesus e de nossas/nossos mártires, mas também é a celebração dos caminhos de libertação que elas e eles trilharam e que somos também desafiados a percorrer. Na caminhada, fizemos memória das/dos mártires das causas negras, indígenas, quilombolas, das juventudes, mulheres, ribeirinhos, da defesa do meio ambiente e tantos outros/as que em nome da vida continuam derramando sangue pela libertação e pela justiça.

Como foi bom aquecer nossos corpos! Como foi bom (re)encontrar amigas e amigos que nos ajudam a acender as luzes e caminham conosco iluminando as estradas. Como é bom estar em romaria (em Ribeirão e pelas estradas da vida), reafirmando nossa opção por uma Igreja pobre e para as/os pobres e por outros mundos possíveis, celebrando nossas utopias e cantando “Viva a Esperança!”.

Por Leon Patrick / Assessoria Nacional para a Infância, Adolescência e Juventudes
Foto: Cajueiro

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