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Reuniões e seminários aquecem preparação do Fórum Social Mundial 2018

20 de outubro de 2017

As atividades tiveram início no dia 16 de outubro e seguiram até a última quinta-feira, 19, em Salvador. O momento reuniu membros do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM), o Comitê Facilitador do Fórum Brasileiro, representantes de movimentos sociais e a comunidade acadêmica. O Seminário que abordou temáticas previstas para as discussões no FSM foi integrado ao Congresso da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Os dias 15 e 16 foram dedicados à reunião do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, na qual os membros realizaram uma análise de conjuntura e discutiram a metodologia que conduzirá as atividades em 2018.

A conturbada conjuntura política e econômica global confere ainda maior relevância para esta edição do FSM. Na América Latina os governos progressistas enfrentam momentos de crise que potencializam as desigualdades sociais, ao mesmo tempo em que os movimentos de resistência sofrem intensa repressão de setores governamentais.  Neste sentido, o Seminário Internacional deu espaço para as prévias das discussões que devem se aprofundar durante o Fórum Social Mundial.

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O diretor executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela), que junto com Pierre George, da Cáritas Francesa, fazem a representação da Cáritas Internacional no Conselho Internacional do FSM, destacou o objetivo das atividades realizadas: “O propósito da reunião do Conselho Internacional do FSM era fazer uma reflexão a respeito do papel do Fórum enquanto processo aglutinador e facilitador de outras iniciativas, ações ou lutas importantes para que possam ter ressonância neste espaço de diálogo, construção e reafirmação que é o Fórum Social Mundial”, explicou.

De acordo com Mandela, a reunião do Conselho Internacional contou com representantes de cerca de 40 países, o que configura quase a totalidade de seus membros, além da presença de outros grupos ligados ao Comitê Facilitador do FSM que, na sua maioria são organizações do Brasil. A ausência de representantes da Ásia e da África se deu por questões de dificuldades na obtenção do vista de entrada no Brasil ou, em alguns casos, por dificuldades financeiras.

A programação contou com o ato oficial de lançamento do Fórum Social Mundial 2018, o momento aconteceu na reitoria da UFBA e também contou com a presença de todos os representantes internacionais e nacionais, além da sociedade civil, povos tradicionais, organizações sindicais, movimentos sociais, bem como da comunidade acadêmica.

Aquecendo o debate

O Seminário Internacional nos dias 17 e 18 foi uma proposta do Comitê Facilitador Brasileiro. O debate sobre a integração latino-americana e dos povos da África abriu uma série de sete mesas que abordaram as lutas dos povos por suas terras e territórios, justiça ambiental, comunicação e democracia, intolerâncias, racismo e xenofobias, revolução dos gêneros, mundo do trabalho, arte e cultura, frente ao avanço do conservadorismo. Durante o seminário os integrantes do FSM aqueceram debates e levantaram questões sobre problemas registrados em maior ou menor intensidade em todo o mundo.

“As mesas de debate foram uma proposição do Fórum Social Mundial para a Universidade Federal da Bahia com a finalidade de já começar a construir diálogos com a sociedade civil a respeito das pautas que vão se destacar nesta edição do FSM, em Salvador. A instituição acolheu essa proposição e inseriu as mesas de debate dentro da programação do Congresso da UFBA”, explicou o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Mandela.

Resistir é Criar, Resistir é Transformar, este é o lema do FSM em 2018. A proposição expressa o espírito da programação que pretende aliar a análise crítica da conjuntura com a busca de estratégias comuns e alternativas para Um Outro Mundo Possível, lema histórico do Fórum.

Em entrevista ao portal da UFBA, a integrante do Conselho Internacional, Rita Freire ressaltou a importância do Fórum Social Mundial para a construção de um mundo mais inclusivo e sustentável. “Ele pautou, na agenda mundial, o aumento das desigualdades decorrentes de globalização neoliberal, reinventou o significado da participação na política e disseminou novos paradigmas, a exemplo do bem viver, da economia do cuidado, da economia solidária, entre outros”, lembrou.

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 Espaço de convergência

Sintetizando as falas dos participantes, ainda a respeito da conjuntura mundial, o diretor da Associação Brasileira de ONG (Abong), Damien Hazard destacou aspectos comuns a partir das contribuições compartilhadas. “É preciso comunicar as lutas do mundo e saber reinserir as lutas locais dentro de estratégias do mundo todo. O FSM tem que ser um espaço de convergência que é uma forma de construir pontes entre as diversas lutas. Pensar em uma forma propositiva, um modelo de desenvolvimento que queremos e quais estratégias de transformação social, não apenas lutas periféricas que não tem incidência, mas que vai passar pelos relacionamentos dos nossos movimentos”, afirmou.

Hazard ainda destacou a natureza da identidade do evento que hoje é um dos principais encontros de discussão e contraposição ao atual modelo de globalização, bem como ao modelo econômico neoliberal. “O FSM não é um evento, é um processo. A convergência que possa significar deve ser o resultado de articulações de lutas ativas no mundo todo. Estamos numa batalha no campo das ideias, desafiados a criar novos paradigmas e novas narrativas que se oponham ao fundamentalismo da extrema direita. Que os eixos de mobilizações que vamos pensar, também possam contribuir com a resignificação das nossas alianças”, enfatizou o diretor da Abong.

Cáritas no FSM

A Cáritas Internacional é membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, e desde a criação do FSM contribui com sua construção e realização. Neste sentido, está propondo para a edição de 2018, uma dinâmica de extensão, ou seja, a possibilidade de que pessoas que não estão participando presencialmente do Fórum possam ter acesso também ao que estará acontecendo nos debates e atividades. Isso se daria através de uma plataforma virtual multimídia que deve conter vídeos, fotos, textos e anotações.

A partir das reuniões realizadas, o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela), destacou os três principais desafios para a Cáritas dentro desse processo: “O primeiro desafio é conseguir ampliar cada vez mais a possibilidade de participação e acesso ao Fórum através da dinâmica de extensão utilizando plataformas digitais, redes sociais, e o próprio site do FSM para promover a participação de pessoas do mundo todo em atividades que estejam acontecendo. Neste sentido, a Cáritas Brasileira, através do seu Comitê de Incidência Política se comprometeu em possibilitar e ampliar esse processo. O segundo desafio colocado é que ainda existe a necessidade de fortalecimento de alguns grupos de trabalho e a Cáritas está comprometida em participar de maneira intensiva em cinco grupos de trabalho — metodologia, comunicação, infraestrutura, mulheres e economia solidária. O terceiro desafio é que, em conjunto com a Cáritas Internacional, a gente consiga ampliar a participação da rede Cáritas e, para isso,queremos propor diversas atividades em conjunto com outras organizações da sociedade civil dentro do FSM. Essas atividades estarão relacionadas com temas importantes para a Cáritas Internacional, a exemplo dos temas da água e das mudanças climáticas e especialmente do tema refúgio e migração que são o foco da campanha mundial “Compartilhe a Viagem”, lançada no último dia 27 de setembro e que vai permanecer como prioridade pelos próximos dois anos”.

De acordo com Joseanair Hermes, membro do Comitê de Incidência Política da Cáritas Brasileira, dois temas principais permearam as discussões e debates nas atividades desses quatro dias de reuniões e seminário: “As muitas falas de pessoas de todo o mundo nos levaram para a mesma direção: a questão da migração e refúgio, o que é muito importante para a Rede Cáritas que abraçou essa temática na Campanha Mundial em curso. As falas deixam entrever que a questão estará muito presente no FSM, além da questão das mudanças climáticas e tudo que envolve a vida do planeta, esses dois temas estiveram muito presente esses dias e foram fortemente debatidos. Agora, a partir das comissões e comitês da Cáritas Brasileira vamos fazer o diálogo para ver de que maneira podemos levar as pautas da Cáritas para os espaços do FSM”, concluiu.

A Cáritas esteve presente no evento por meio do diretor executivo, Luiz Cláudio Lopes da Silva (Mandela) que, com Pierre George, da Cáritas Francesa, fazem a representação da Cáritas Internacional no Conselho Internacional do FSM e por Joseanair Hermes e Lucas Moraes, que são membros do Comitê Nacional de Incidência da Cáritas Brasileira.

Histórico

O primeiro encontro do Fórum Social Mundial aconteceu em 2001, na cidade de Porto Alegre (RS). Na ocasião, um dos objetivos principais foi o de estabelecer uma oposição ao Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente desde 1974, em Davos (Suíça), e que é sustentado por mais de mil empresas multinacionais, em defesa da melhoria e expansão do neoliberalismo.

Após edições realizadas em Dacar, Túnis e Montreal, este importante espaço de reflexão e resistência ao modelo econômico neoliberal está de volta ao Brasil e terá sede na capital baiana nos dias 13 a 17 de março de 2018.

Por Jucelene Rocha, assessoria de comunicação da Cáritas Brasileira
Com informações do site fsm2018.org

 

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