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Região Brasilândia da Arquidiocese de São Paulo recebe migrantes venezuelanos pelo Projeto Caminhos de Solidariedade

Até o momento, mais de 150 venezuelanos foram beneficiados pelo projeto Caminhos de Solidariedade. A mais recente integração ocorreu na madrugada do dia 08 de março. As famílias de Marvin Joel Arnal Gomez e de Yussi Elizabeth Yepez de Lezema, ao todo, sete pessoas seguiram rumo à região de Brasilândia, em São Paulo.

Os viajantes foram acolhidos pela Paróquia de Santa Cruz de Itaberaba e pelo serviço Pastoral do Migrante (SPM). O pároco responsável é o padre Edemilson Gonzaga. OS migrantes contam que a prioridade ao chegar à maior capital do país será conseguir oportunidade de trabalho para poder seguir de forma independente com suas famílias.

O grupo que chegou à Arquidiocese de São Paulo estava na lista das mais de 750 pessoas cadastradas em Roraima – que desejam ir para outro estado – por meio do Projeto Caminhos de Solidariedade, cujo objetivo é ajudar os migrantes venezuelanos que atravessam a fronteira em busca de melhores condições de vida para suas famílias, em parceria com arquidioceses, dioceses, paróquias e congregações religiosas de todo Brasil.

A coordenadora do Serviço Pastoral do Migrante de São Paulo, Darialva da Graça Linge, afirma que é possível oferecer uma casa com dois quartos e cozinha comunitária para as duas famílias, a Obra Assistencial Padre Achilles (OAPA) vai contribuir com a alimentação.  “Os migrantes irão participar de várias atividades do Serviço Pastoral do Migrante (SPM) tais como, aulas de português, recreação para as crianças, apoio na inserção  laboral, entre outros”, explicou.

Os primeiros a serem acolhidos em São Paulo foi  um casal com três crianças e dois rapazes.

A casa que vai acolher as duas famílias venezuelanos foi mobiliada com doações, assim como os alimentos e utensílios domésticos. O aluguel e as despesas com água e energia elétrica serão pagos pelo Serviço Pastoral do Migrante (SPM), enquanto a comunidade arcará com as demais despesas do dia a dia. As famílias ficarão na casa alugada por até seis meses, enquanto procuram emprego e condições de se estabilizar na cidade. “Assim que eles conseguirem emprego, nós ainda vamos ajudar por quatro, cinco meses com cesta básica até que eles se organizem”, explicou em entrevista para o Jornal O SÃO PAULO, Darialva Linge, coordenadora da Pastoral do Migrante da Paróquia Santa Cruz.

Integração

Esses imigrantes fazem parte do “Plano Nacional de Integração Caminhos de Solidariedade: Brasil & Venezuela”, promovido pela Caritas Diocesana de Roraima, com a Cáritas Brasileira, o Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH), o Serviço Pastoral do Migrante, o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR), com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para agilizar o processo de interiorização, integração e acolhida dos migrantes em pelo menos 90 dioceses do Brasil, dentre elas a Arquidiocese de São Paulo.

Darialva comparou sua expectativa pela chegada do grupo a de uma “noiva esperando o noivo e preparando a casa”. Quase todos os dias, ela visita o imóvel para ver se está faltando alguma coisa. “Essas pessoas tiveram que deixar sua casa e tudo o que tinham para tentar uma vida nova em outro país, com outra cultura”, acrescentou, referindo-se à crise político-econômica agravada no país vizinho.

Primeiro passo

Os membros da Pastoral do Migrante confiam que esse é o primeiro passo e esperam que a iniciativa inspire outras paróquias da Arquidiocese de São Paulo a se mobilizar na acolhida de migrantes. Darialva já imaginava conseguir doações de brinquedos e preparar um espaço no quintal para as crianças, pensando nas próximas famílias que passarão pelo imóvel. “Queremos que eles se sintam em casa. São nossos irmãos”, disse.

A paróquia Santa Cruz de Itaberaba se mobilizou para mobiliar a casa alugada para as duas famílias e continuará sendo um ponto de apoio até que os migrantes tenham oportunidade de emprego e se integrem na cidade

Para Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Brasilândia, a iniciativa é uma oportunidade de a comunidade tomar consciência da realidade difícil vivida pelos venezuelanos e de se comprometer com a situação dos irmãos do país vizinho. “Concretamente, percebemos a ação de uma Igreja ‘em saída’, que vai ao encontro daquele que precisa e o acolhe, sempre recordando que Jesus, Maria e José também foram migrantes em terra estrangeira e foram acolhidos”.

Padre Edemilson Gonzaga, Pároco da Paróquia Santa Cruz, reforçou que a comunidade está fazendo aquilo que foi pedido pelo papa Francisco: abrir as portas para aqueles que necessitam. “Nós queremos acolher aqueles que vêm, pois somos todos migrantes a caminho do Reino de Deus”, concluiu.

Como participar

Muitas famílias aguardam uma oportunidade de integração no Brasil a partir da acolhida das arquidioceses, dioceses, paróquias e congregações religiosas para mais informações acesse o www.caminhosdesolidariedade.org.br

Com informações da Ascom/Cáritas e do Jornal O São Paulo