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Rede Cáritas realiza 91ª reunião do Conselho Nacional e dos bispos referenciais

26 de agosto de 2017
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Agentes Cáritas e bispos referenciais dos diversos regionais se reuniram em Brasília entre os dias 23 e 25 de agosto com o objetivo de articular as ações da rede e fortalecer a relação de mútua responsabilidade com os temas mais sensíveis ao país neste momento de grandes retrocessos e retirada de direitos do povo brasileiro.

Sob a inspiração da construção da sociedade do Bem Viver, o grupo refletiu sobre temas como A Cáritas na atual realidade brasileira, além de realizar uma Roda de análise de conjuntura com a presença do assessor político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Paulo Renato, e do assessor da CNBB para a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, Frei Olávio Dotto.

 Análise de conjuntura

 Na análise apresentada, padre Paulo Renato destacou a gravidade dos caminhos econômicos que o Brasil tem empreendido: “a primeira questão que precisamos refletir diz respeito ao neoliberalismo e a democracia, a representação política em questão. O projeto neoliberal submeteu a sociedade e a economia real à lógica lucrativa do mercado financeiro, nós não estamos mais falando em capitalismo industrial, nós estamos falando do capitalismo financeiro e especulador. É um mercado de especulação, ou seja, esse mercado não tem nenhum compromisso com a sociedade onde ele se encontra, não tem mais o jogo da opressão e servidão é o jogo do lucro e ponto final. É com essa lógica que o projeto neoliberal mergulha na sociedade brasileira nesse momento, uma lógica rentista. É essa lógica que encontramos no Congresso Nacional, essa é uma lógica nefasta”, destacou o assessor.

Padre Paulo Renato enfatizou ainda que compreendendo essa lógica fica fácil entender a dinâmica do atual sistema político do Brasil que insiste em convencer a população a desacreditar da política genuína e a apostar em gestores no executivo. “Os agentes desse mercado são chamados a ser gerentes do Estado, porque do jeito que ele cuida do mercado e consegue lucros, ele precisa cuidar do Estado para que este também obtenha êxito, e aí a população começa a acreditar que é melhor não ter um político, mas ter um gestor do mercado, porque esse cara tá dando certo. Só que a função do mercado não é a mesmo do Estado, a função do mercado é dar lucro, e um gestor que vem para a administração pública vai aplicar essa lógica do lucro mesmo que para isso seja necessário desprezar completamente o objetivo do Estado que é cuidar da população promovendo justiça social”, enfatizou.

Ampliar a democracia

De acordo com padre Paulo Renato, para reverter esse momento crítico é preciso superar a repugnância da política, a apatia e o sentimento de que a política não serve mais para nada. “Esse discurso é o discurso do poder, não podemos entrar nesse discurso. Não existe democracia sem política e sem político. Nós precisamos resgatar a política, não reafirmar o discurso de que a política já não serve para nada, esse discurso é atrapalhado e não pode ser o nosso”, adverte.

Por fim, padre Paulo Renato lembrou que a melhor forma de reagir ao cenário de retrocessos que estamos vivendo é ampliar a democracia com participação popular, “não existe possibilidade de acharmos que vivemos em um país democrático simplesmente votando no dia da eleição, assim como não podemos perder o horizonte da fé, e neste sentido, compartilho com vocês esta inspiração bíblica: ‘O pobre não ficará esquecido para sempre, a esperança dos pobres jamais se perderá’, (Sl 9,19)”, concluiu.

O presidente da Cáritas Brasileira, Dom João Costa motiva o momento de espiritualidade com o grupo

O presidente da Cáritas Brasileira, Dom João Costa motiva o momento de espiritualidade com o grupo

 

Agenda de ações

Na agenda de atividades destes dias, as agentes Cáritas atualizaram e trocaram informações sobre uma intensa agenda de campanhas, incidências e ações para a toda rede. A próxima ação conjunta será o lançamento da Campanha Mundial Compartilhando a Viagem, trata-se de uma resposta ao grave momento que se caracteriza pelo aumento dos processos migratórios no mundo e suas tristes consequências. Na agenda da campanha que vai ser de dois anos, o lançamento mundial se dará no dia 27 de Setembro no Vaticano, com um gesto simbólico do papa Francisco. Aqui no Brasil o lançamento se dará na mesma data com atos simbólicos por todo país em comunhão e acolhida solidária aos sofrimentos e dramas dos migrantes do mundo inteiro.

Além da Campanha 10 Milhões de Estrelas já em curso e a participação nos processos do Grito dos Excluídos e das Excluídas no dia 7 de setembro, no horizonte das ações da Cáritas ainda estão a Semana da Solidariedade, uma jornada pelo Dia Mundial dos Pobres que será realizada de 12 a 19 de novembro de 2017, uma iniciativa do papa Francisco como gesto concreto ao final do Ano Santo da Misericórdia e a participação no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), a ser realizado paralelamente ao Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília em março de 2018 com o lema “Água é direito, não mercadoria”.

Por Jucelene Rocha, assessoria de comunicação, Cáritas Brasileira

 

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