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Povos indígenas participam de encontro da Repam

18 de novembro de 2015
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Os povos indígenas partilharam suas esperanças sobre o futuro da região amazônica, que se encontra ameaçada pelo atual modelo político e econômico de sociedade, no encontro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). Os povos originários contaram suas experiências na construção de outro modelo de sociedade, capaz de conviver harmonicamente com a natureza, e propuseram algumas medidas para o serviço de acompanhamento da Igreja junto às comunidades indígenas. O encontro da Repam ocorre de 16 a 18 de novembro em Bogotá, Colômbia.

Patricia Gualinga, líder da comunidade Kichwa de Sarayaku, no Equador, apresentou o modelo alternativo de vida chamado Sumak Kawsay, o “Bem-Viver”: vivência em comunidade, onde todos se preocupam com todos, e em harmonia com o meio ambiente. Visão esta que supera e se opõe à cultura do consumismo, pautada pelo individualismo e pelo lucro. A líder indígena falou a partir da identidade ancestral do povo Sarayaku, revelando seu processo de resistência e fazendo um chamado à conversão da Igreja para uma ecologia integral. O Sumak Kawsay é uma importante contribuição dos povos indígenas para a crise civilizacional atual. O “Bem Viver” foi incorporado nas constituições de países como o Equador e a Bolívia.

Diante da impossibilidade da boliviana Aides Ortiz, líder do povo Mujeño Trinitário, de ir à Colômbia por problemas de transporte, Juan Carlos Velázquez, da Cáritas da Bolívia, falou sobre a proposta de outro modelo de desenvolvimento voltado às mulheres indígenas. Ele relatou a resistência à abertura de uma rodovia em meio ao Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), a maior reserva indígena e florestal do país. Cedendo às pressões do movimento indígena, o presidente Evo Morales desistiu de continuar com o projeto. Armindo Goes Melo, coordenador de gestão territorial da Hutukara Associação Yanomami (HAY) do Brasil, apresentou a cosmovisão do seu povo e o modelo de harmonia com a natureza. Relatou ainda o processo de construção de alternativas de futuro e a expectativa que tem com relação ao acompanhamento da Igreja.

A visão geral dos participantes foi que a partilha favorece um mútuo conhecimento e o diálogo entre os povos indígenas e a Igreja no caminho de defesa da vida na Amazônia. Isso é fundamental para que tenhamos uma autêntica evangelização “com rosto amazônico”, como pediu o Papa Francisco no encontro com os bispos no Brasil, em 2013, e voltou a insistir na encíclica “Laudato si”. A ecologia vista desde a fé nos convida a não sermos mornos, nos pede valentia para dar resposta às mudanças climáticas e ter uma forma de vida mais consciente com o planeta que nos dá vida e que Deus nos entregou.

A Rede Eclesial Pan-Amazônica, fundada oficialmente em setembro de 2014 durante encontro realizado na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília/DF, luta em defesa da sabedoria ancestral dos povos originários, de seus territórios e pelo direito a uma “participação efetiva nas decisões” que dizem respeito à sua vida e ao seu futuro. Também reconhece e valoriza sua espiritualidade na relação com a criação. Além do Brasil, fazem parte da Pan-Amazônia a Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Suriname, Peru e Venezuela.

Por Júlio Caldeira / Pontifícias Obras Missionárias (POM)

Foto: Júlio Caldeira

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