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Pluralidade marca Grito dos Excluídos/as em Brasília

09 de setembro de 2016

O Grito dos Excluídos e Excluídas realizado em Brasília neste 7 de Setembro foi marcado pela pluralidade e pela diversidade. Entre as pessoas presentes, havia adultos, jovens, idosos e crianças. Muitas crianças. Era visível que parte das pessoas estava ali por iniciativa individual, já que não integrava nenhum movimento ou entidade específicos — embora o ato realizado na capital federal tenha contado com boa adesão de movimentos sociais e populares.

A maioria das manifestações em cartazes e faixas pedia o afastamento de Michel Temer da Presidência da República, tendo em vista que o processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff foi aprovado pelo Senado Federal sem que tenha sido comprovado crime de responsabilidade (em um claro desrespeito à Constituição Federal). Tais manifestações podiam ser resumidas na frase: “Fora, Temer”. Mas também havia muitas manifestações de denúncia sobre a forma como os meios de comunicação, principalmente a Rede Globo de Televisão, realizaram a cobertura jornalística do processo de impeachment.

Essa avaliação está amparada na postura favorável ao impeachment adotada pela grande mídia, seja eletrônica ou impressa. O fato pode ser percebido na ausência do contraditório (o “outro lado” dos fatos que deveria constar nos noticiários sobre o assunto) na maior parte dos programas de rádio e TV e nas páginas impressas dos jornais. Estes espaços também são tomados por comentaristas e por fontes/convidados de mesma posição diante dos acontecimentos, quase sempre coincidente com a posição editorial da empresa de comunicação (que nunca é assumida publicamente). Assim, a emissora ou jornal realiza uma cobertura jornalística camuflada de objetiva, sem avisar ao telespectador, ouvinte ou leitor que tal cobertura tem um alinhamento politico-ideológico específico.

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No desfile oficial de 7 de Setembro em Brasília, foi possível perceber também a presença de um forte aparato policial repressivo e uma conduta de vigilância plena sobre a população. As arquibancadas móveis instaladas ao longo da via Norte do Eixo Monumental, na Esplanada dos Ministérios, onde tradicionalmente ocorre o desfile, eram isoladas por barreiras de 2,5 metros de altura ou mais, provavelmente para isolar as pessoas em grupos pequenos, aumentar a vigilância sobre elas e evitar qualquer manifestação de repúdio à presença de Michel Temer no evento. Um estudante chegou a ser retirado de um destes espaços apenas porque usava um adesivo com a frase “Fora, Temer”.

O acesso das pessoas e movimentos que integravam o Grito dos Excluídos e Excluídas à via Sul da Esplanada dos Ministérios só foi liberado às 11h35 da quarta-feira, após o esvaziamento completo das arquibancadas do desfile oficial. Sequer foi permitido o acesso dos manifestantes à via Norte da Esplanada. Desta forma, o Grito foi realizado apenas na via Sul, finalizando em frente ao Congresso Nacional.

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Bandeiras de luta

No primeiro balanço das atividades realizadas em cidades de 23 estados e no Distrito Federal, a coordenação nacional do Grito dos Excluídos e Excluídas avaliou que a mesma pluralidade verificada em Brasília se repetiu por todo o país: “Tivemos milhares de pessoas que foram às ruas, no simbólico 7 de Setembro, pedir o ‘Fora Temer’ e tivemos outras milhares que gritaram por moradia, saúde, educação, contra o extermínio dos nossos jovens negros e pobres, contra a violência às mulheres, por saneamento básico, justiça para os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, pelos atingidos e atingidas por grandes projetos, como as hidrelétricas, pelos direitos do povo imigrante. Enfim… uma manifestação plural ungida pelo clamor popular”.

Para a coordenadora  da Cáritas Brasileira Alessandra Miranda, que integra a articulação nacional do Grito dos Excluídos/as, a adoção de bandeiras como “Fora, Temer” e “Nenhum Direto a Menos” unificou a realização do ato neste ano, ampliando a participação de pessoas e movimentos. “O Grito sempre fará a crítica ao sistema capitalista, porque este sistema ‘exclui, degrada e mata’, como diz o lema deste ano. Mas a unificação das bandeiras de luta associada à liberdade de cada ato em priorizar suas principais bandeiras locais, em diálogo com a temática nacional, permitiu uma adesão maior à manifestação. Além disso, devido ao momento político que vivemos, o Grito retoma esta necessidade de sair às ruas, porque é nas ruas que se dá a ocupação popular”, avalia.

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Alessandra enfatiza que este processo de manifestações tem que continuar, se constituindo em ação permanente, de forma a fortalecer a articulação entre a diversidade de movimentos que compõem o Grito. “Neste sentido, é importante destacar a denúncia feita pelo Grito da criminalização de lideranças comunitárias e movimentos sociais em curso atualmente, reafirmando a manifestação e o ato de protestar como fatores indissociáveis da democracia.  Se não há liberdade de protesto, não se tem uma sociedade democrática. É preciso garantir o direito ao protesto, e o caminho para isso é a população se fazer presente e ouvida nas ruas”, pondera a coordenadora.

Sendo assim, o Grito dos Excluídos e Excluídas não começa nem termina no 7 de Setembro, sendo esta data apenas a parte mais visível deste processo de articulação e mesmo da luta diária das pessoas excluídas de nossa sociedade contra a violência e a opressão impostas pelo sistema econômico vigente. “Trata-se de  uma luta cotidiana, permanente. Nosso povo grita todos os dias, de várias formas, por um Projeto Popular e um mundo justo. Que os ecos do Grito sigam sendo ouvidos ao longo dos dias que virão e que estejamos fortalecidos na luta para torná-los conquistas e promoção da ‘Vida em primeiro lugar sempre!’ ‘’, como diz a nota divulgada pela coordenação nacional do Grito 2016.

Por Luciano Gallas / Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira
Fotos: Luciano Gallas

Para saber mais:

Página especial do Grito dos Excluídos e Excluídas no site da Cáritas Brasileira

Crítica aos meios de comunicação marcou o Grito dos Excluídos 2016

Veja outras fotos:

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