Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte

Papa Francisco envia mensagem para a Rede Cáritas durante o XIX Congresso da América Latina e Caribe

12 de fevereiro de 2019

Reunidos em Honduras, de 3 a 7 de fevereiro, no XIX Congresso da Cáritas América Latina e Caribe, sob o lema “Igreja na saída que transforma e cuida da Casa Comum”, os representantes dos 22 países da região receberam com alegria e entusiamo missionário a mensagem do papa Francisco dirigida ao grupo.

“A família Cáritas tem um papel fundamental a cumprir, pois, através do amor (cáritas) que vem de Deus, nos “re-conhecemose nos cuidamos, gerando uma nova civilização (Cf. Paulo VI, Mensagem para a Jornada Mundial da Paz, 1976). Uma nova civilização do amor que o cristão é chamado a construir de acordo com sua vocação e suas possibilidades, comprometendo-se cada vez mais na busca de uma autêntica solidariedade em toda a família humana. Participar da vida social permite que sejamos  artesãos do nosso destino comum e nos faz “Cuidadores” dos presentes recebidos, e também “transformadores” para um mundo melhor, um futuro livre de opressão e violência”, diz um trecho da mensagem.

Leia aqui a mensagem na íntegra:

XIX Congresso Latino-Americano e Caribenho da Cáritas

“Igreja em saída que transforma e cuida da Casa Comum”

Valle de los Ángeles, Honduras, 3 a 7 de fevereiro de 2019

Caros irmãos e irmãs:

Saúdo toda família Cáritas reunida em Honduras, no coração da América Central e do Caribe.

O lema que escolheram para o encontro é todo um programa: “Igreja em saída que transforma e cuida da Casa Comum”, e está em estreita relação com o próximo Sínodo da Amazônia, com muita importância para os caminhos futuros na construção da paz e do desenvolvimento integral na América Latina e no mundo inteiro.

No livro do Êxodo, Deus ouviu o clamor de seu povo, que foi oprimido,
e ele enviou Moisés para libertá-lo e levá-lo para uma nova terra prometida (3, 9-11). Moisés trouxe-lhes uma resposta de esperança e ofereceu-lhes a liberdade para que pudessem crescer como pessoas e com dignidade.

Nosso povo na América Latina também está sofrendo em meio a tantas injustiças e violências em nossa sociedade; e a Igreja não pode se fazer de surda. Ela também é enviada por Deus para dar esperança aos nossos irmãos e irmãs, e acompanhá-los em sua dor e sofrimento com a determinação de continuar procurando caminhos de libertação e não de dominação, em nossas relações fundamentais humanas: com nós mesmos, com os outros, com a natureza e com o próprio Senhor (cf. Laudato Si 10, 66,139). Encorajo-vos a não deixar de responder, com o Espírito da caridade, ao clamor dos pobres e da terra.

O povo de Israel, antes de sair do Egito, teve que ir tornando consciência do amor com o qual Deus o amava, e isso faz parte da tarefa de Moisés, em convencê-lo de que a libertação era possível porque Deus o amava com o amor do Pai (Ex. 5, 15). Também a nossa Igreja, quando é enviada para aliviar as dores do nosso continente, tem que fazer um caminho de reconhecimento. Deve sair para conhecer a realidade, para cuidar dela e transformá-la, mas sempre consciente de que é uma Igreja missionária, isto é, depositária do imenso tesouro do amor de Deus por seu povo e enviada por Ele para anunciar esse amor aos outros.

A tentação de querer “fugir” desta missão pode ser grande, também pode cair em desespero diante do peso de todo o drama e das dificuldades do nosso tempo, mas o mandamento do Senhor e a certeza do seu amor fazem com que os olhos brilhem diante dessa realidade, a força e a coragem se recuperem para atender a tantas necessidades, para ouvir e dialogar, para cuidar e transformar nossa Casa Comum. Uma Igreja em saída é uma comunidade que transita por esses caminhos de reconhecimento pessoal e comunitário, que levam a uma dedicação cada vez maior para que nossos irmãos possam passar da inquietação à alegria, da falta de compreensão ao diálogo afetivo, da desunião à comunhão.

A América Latina precisa abrir-se para os caminhos da paz e do desenvolvimento integral de seus povos, porque seu rosto está ferido por tanta violência, sendo um problema estrutural da sociedade. A violência sempre encontra um terreno fértil neste “não nós conhecermos” como irmãos e irmãs, em nossa caminhada pelo mundo, nem na mesma Casa Comum, nem na partilha do pão. Esse “des-conhecimento” faz com que nos tratemos injustamente e que nos excluamos.

Diante dessa violência estrutural, a família Cáritas tem um papel fundamental a cumprir, pois, através do amor (cáritas) que vem de Deus, nos “re-conhecemose nos cuidamos, gerando uma nova civilização (Cf. Paulo VI, Mensagem para a Jornada Mundial da Paz, 1976). Uma nova civilização do amor que o cristão é chamado a construir de acordo com sua vocação e suas possibilidades, comprometendo-se cada vez mais na busca de uma autêntica solidariedade em toda a família humana. Participar da vida social permite que sejamos  artesãos do nosso destino comum e nos faz “Cuidadores” dos presentes recebidos, e também “transformadores” para um mundo melhor, um futuro livre de opressão e violência.

Encorajo-vos nos trabalhos e deliberações durante este Congresso Latinoamericano e Caribenho da Cáritas.

Que o Senhor os abençoe e que a Virgem Maria cuide de todos vocês.

Vaticano, 19 de janeiro de 2019

Francisco

MAGRE BRASIL

Faça parte dessa rede

Redes Sociais

Cáritas Notícias

Cadastre-se e receba por e-mail nossos informativos.
Prestação de Contas

Contato

Cáritas Brasileira
SDS - Bloco P - Ed. Venâncio III
Sala 410 - CEP: 70393-900


Brasília/DF
+55 (61) 3521-0350

caritas@caritas.org.br