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Outro modelo econômico é possível e já acontece: a economia solidária

18 de julho de 2018

Participantes da Feicoop seguram o globo do mapa mundi como compromisso de cuidado com o mundo

Quase que escondida entre pães, cucas, bolachas, biscoitos, docinhos e brigadeiros, com brilho nos olhos azuis e alegria no rosado rosto, lá está ela na banca da feira representando um coletivo de economia solidária de Pelotas (RS). “As pessoas não compreendem quando digo que estou indo para a feira e, além de comercializar meus os produtos os Biscoitos Garbin cuido e comercializo os produtos de nosso grupo”, conta Marizete Batista, que fez parte de um dos 3.500 empreendimentos organizados em rede que expuseram e comercializaram seus produtos na Feira 25ª Internacional de Economia Solidária (Feicoop), 3º Fórum de Economia Solidária e 3ª Feira Mundial de Economia Solidária, evento realizado em Santa Maria (RS), entre os dias 12 a 15 de julho de 2018.

Marizete Batista, de Pelotas (RS)

Quando muitos pequenos se juntam, a ação é gigante. Ao participar da Feicoop é impossível não vir à memoria o proverbio africano: “Muitas pessoas pequenas, em lugares pequenos, fazendo pequenas coisas podem mudar o mundo”. Marizete conta que o coletivo iniciou a atividade de forma tímida, expondo em uma pequena banca na rua, com tempo foram buscar apoio na Cáritas Arquidiocesana de Pelotas, e aos poucos foram se fortalecendo e hoje são 12 grupos que trabalham em conjunto a partir da economia solidária. “Nossos produtos têm um compromisso social, ecológico, sustentável, ético, justo. Ao adquiri-los você está levando história de famílias, valores e não está ajudando somente a minha família, mas uma rede de famílias e entidades também. Por exemplo, com o excedente da produção nós ajudamos outras pessoas e entidades, fazendo doações”, ressalta Marizete.

Prestigiaram a Feicoop 2018, de acordo com a equipe organizadora, 302 mil pessoas.  Os empreendimentos expuseram e comercializaram mais de 10 mil variedades de produtos oriundos da economia solidária. 583 municípios brasileiros, numa abrangência de 26 estados e Distrito Federal, estiveram representados. Entre os participantes havia representações de fóruns locais e macrorregionais de economia solidária de todo o Brasil, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, entidades públicas e privadas, universidades, fundos solidários, redes nacionais e internacionais de economia solidária, com representação de 25 países dos cinco continentes.

A Feicoop, como afirma a vice-presidente da Cáritas Brasileira e coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, irmã Lourdes Dill, é “aprendente e ensinante”. Paralelamente à comercialização de produtos da economia solidária como: produtos coloniais, hortigranjeiros agroecológicos, caseiros, artesanais, panificação, confecção, serigrafia, artesanato em material reciclado, produtos da agroindústria familiar, a Feira trouxe uma diversidade de atividades, como: seminários, rodas de conversas e discussões que incluíram questões sociais, políticas, democráticas, participativas, econômicas, ecológicas, socioambientais, eclesiais, espiritualidade, ecumenismo, culturalidade, gênero e de gerações, tudo isso regado de cooperação e solidariedade. “Esta foi a maior de todas as feiras em termos de diversidade, etnias e culturas”, disse a irmã.

Nas discussões o trabalho estava acima do capital, na busca da construção da cidadania e inclusão social através de alternativas concretas de radicalização da democracia, do desenvolvimento humano, solidário e sustentável e a reinvenção da economia, para a formação de sujeitos para o pleno exercício da cidadania.

Nelda Dornellas Santos, de Novo Hamburgo (RS)

Um dos membros fundadores da Feicoop, dom Ivo Lorscheiter, falecido em 2007, incentivava as pessoas dizendo “Vai, envolva o mundo na esperança, com força e coragem”, a dimensão da solidariedade e da esperança é muito presente nas pessoas que expõem, conforme conta Nelda Dornellas Santos, de Novo Hamburgo (RS). “Nós estamos aqui representando 40 empreendimentos, em diversos momentos contamos com o apoio e parceria da Cáritas Brasileira. Sabe, tu não tens noção o que significa para as mulheres de nossos empreendimentos que vêm expor aqui. Muitas nunca saíram para lugar nenhum. Então vir pra cá é um horizonte que se abre”, revela Nelda, entre o perfume dos tantos frascos de aromatizador de ambiente, um dos produtos que elas desenvolvem. Nelda também presta assessoria em oficinas de patchwork. “Guria, tu não sabes como é gratificante quando essas mulheres desabrocham para a vida e começam soltar a criatividade em suas artes, aproveitam tudo que é latinha, pedaços de tecidos, materiais reciclado de todas as formas e, com isso, começam a ter uma renda a mais em casa, e não ficam mais para si, saem ajudar outras pessoas, isso não tem preço”, descreve Nelda com um largo sorriso no rosto e olhos brilhando.

Agentes da Cáritas Brasileira

A Cáritas Brasileira é uma das apoiadoras de Feicoop e, neste ano, entre a participação nas diversas atividades no decorrer da feira – nas oficinas, rodas de conversas, seminários e reuniões –, realizou o Seminário Nacional de Integração de Cooperação Solidária. O Seminário teve como objetivo o intercambio e troca de experiências com o foco nas soluções de cadeias e redes de cooperação solidária. Essa proposta que faz parte do Projeto Redes de Cooperação Solidária em que Cáritas Brasileira vem desenvolvendo em 12 estados brasileiros, dialogando com 12 redes de cooperação num total de 136 empreendimentos econômicos solidários espalhados nas regiões Norte, Nordeste, Cetro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Além das trocas de saberes e discussão para o fortalecimento das Redes de Cooperação Solidária, os agentes da Cáritas Brasileira realizaram uma análise de conjuntura sobre a economia solidária a partir do projeto de lei 4685/2012 que dispõe sobre a Política Nacional de Economia Solidária e os empreendimentos econômicos solidários, cria o Sistema Nacional de Economia Solidária e dá outras providências. E talvez o provérbio Chinês seja uma das máximas para os agentes Cáritas que acreditam e dedicam a vida no fomento da economia solidária, “se quiseres fazer planejamento para um ano: plante cereais. Se quiseres fazer planejamento para trinta anos: plante árvores. Se quiseres fazer planejamento para cem anos: articule e motive a organização do Povo”.

 

Por Osnilda Lima – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira

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