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OCUPAÇÃO EM BREJO DOS CRIOULOS A Saga dos Crioulos – Luta pelos Direitos

18 de setembro de 2012
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Descaso do Governo Dilma

Diante do descaso do Governo Dilma e cansados de esperar, 350 famílias quilombolas de Brejo dos Crioulos, com o apoio da Via Campesina, ocuparam na madrugada deste sábado, 15 de setembro de 2012, afazenda do empresário Raul Ardito Lerário de Pindamonhangaba (São Paulo). Há notícias de que um quilombola de nome Roberto foi ferido por um tiro nas costas pelo pistoleiro Zé Reis vulgo sargento Julião.

O território quilombola de 17.302 hectares, composto por 512 famílias, situa-se nos municípios de São João da Ponte, Varzelândia e Verdelândia (Minas Gerais), e nove proprietários detêm 13.290 hectaresdo mesmo, como disposto a seguir:

 

Espólio de Juarez Fazenda Morro Preto

3.500 ha.

Albino Ramos Fazenda Vista Alegre

2.900 ha.

Raul Ardito Lerário Três Fazendas

2.100 ha.

João Gonçalves Uma Fazenda

1.460 ha.

Dílson Godinho Fazenda Bonanza

1.400 ha.

Névio Fazenda

590 ha.

Moacir Rodrigues Fazenda Gramado

480 ha.

Miguel Véo Filho Fazenda São Miguel

460 ha.

José Maria Fazenda

400 ha.

 

Os Avanços da Luta

Nestes 12 anos de luta e de total descaso do poder executivo e judiciário, as famílias vêm utilizando o método de retomadas/ocupações dos latifúndios dentro do território. Única forma de serem ouvidas pelas autoridades.  Em abril de 2004, quatrocentas famílias quilombolas realizaram a 1ª retomada organizada, na fazenda São Miguel, de propriedade do Miguel Véo Filho. Depois disso foram realizadas mais de doze retomadas até a recente data, nos latifúndios invasores do território, nas fazendas de Miguel Véo Filho, Névio, Dílson Godino, Raul Ardito, Albino Ramos, Zé Maria, Diniz e Moacir Rodrigues.

No final de setembro de 2011, duzentas famílias de Brejo dos Crioulos acamparam em frente ao Palácio do Planalto, por uma semana e conseguiram que o decreto de desapropriação fosse assinado pela presidenta Dilma Rousseff. A partir daí os quilombolas aguardaram o governo para que retirasse os proprietários e titulasse o território entregando-o aos quilombolas. Um ano se passou e os quilombolas permanecem fora das terras e os proprietários dentro da mesma. Estes aumentaram a exploração do território com maior numero de animais e desmatamento ilegal.

Pela sua inoperância e subserviência ao latifúndio o governo federal passa a ser o gerador dos conflitos e o judiciário acaba emitindo os mandados de despejos contra os negros, em vez de emitir mandados para o executivo cumprir seu papel, fazendo com que a lei da função social da terra prevaleça. O pobre que se lasque e pague a conta da inoperância do Estado. A luta pela desintrusão e titulação do território continuará. Terra territórios Livres e revitalizados.

Comunidade Quilombola Brejo dos Crioulos

Apoio:                                                                      

  • Assoc. Brasileira Estudantes Eng° Florestal
  • Comissão Pastoral da Terra
  • Federação Estudantes Agronomia Brasil
  • Movimento dos Atingidos por Barragens
  • Movimento dos Pequenos Produtores
  • Movimento Trabalhadores Rurais Sem Terra
  • Articulação Popular São Francisco Vivo 

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