Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte

O mundo da economia popular solidária se encontra na capital gaúcha da economia solidaria, Santa Maria (RS)

14 de julho de 2018

Participantes da Feira de Economia Solidária em Santa Maria (RS), seguram simbolicamente, o mundo nas mãos (foto: Osnilda Lima/CártiasBr)

A festa justa e de cooperativismo começou. Nas mãos linhas que vão tecendo o casaco, as meias, o cachecol. Do outro lado vem um cheiro que aguça o paladar, são dos queijos, dos salames, das linguiças, das copas, dos biscoitos, das cucas, dos pães. Mais adiante frutas diversas, e nas bancas ao lado, vinhos, cervejas e cachaças artesanais. Ah, refrigerante não tem. A água não pode ser vendida, pois é um bem natural que todos devem ter acesso. Logo adiante os povos indígenas apresentam sua cultura, sua arte. Os povos quilombolas e comunidades tradicionais também compartilham seus saberes. Muitas pessoas circulam pelos corredores, conversam, trocam experiências, comercializam e adquirem produtos. Há também uma programação intensa com rodas de conversas, debates, seminários e reuniões. Esta é a educanda e educadora 25ª Feira Internacional de Economia Solidária (Feicoop), 3º Fórum de Economia Solidária e 3ª Feira Mundial de Economia Solidária. Evento que começou ontem (13), e vai até d

Nelsa Inês Fabian Nespolo (foto: Henrique Alonso/CártiasRs

omingo (15), em Santa Maria (RS). O mundo da economia popular solidária se encontra na capital gaúcha da economia solidaria, uma vez que há representantes de diversos países.

A participante e expositora na Feicoop, Nelsa Inês Fabian Nespolo, da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol) e Justa Trama, uma cooperativa que atua na cadeia produtiva da moda, desde o plantio do algodão agroecológico até a comercialização de peças confeccionadas com essa produção, conta o que significa fazer parte da feicoop: “Estar na feira é uma renovação de energia. É um momento em que empreendimentos de economia solidária do Brasil inteiro se encontram, há troca de experiências, troca saberes e isso inspira um ao outro em continuar para frente. Logico que é um momento muito especial de comercialização, de a gente poder olhar os produtos que tem no universo do país, inclusive fora dos pais. Há também os debates, os confrontos e as trocas entre as pessoas”, conta Nelsa.

Irmã Lourdes Dill (foto: Osnilda Lima/CáritasBr

Irmã Lourdes Dill, vice-presidente da Cáritas Brasileira e coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, na fala de abertura da Feicoop, dasabafou: “Quando iniciamos esta feira, há 25 anos, muitos não acreditaram, nos chamaram de loucos e disseram que esta experiência não iria dar certo. Mas um grupo acreditou. Hoje estamos comemorando 25 anos. Uma feira se faz de história, de cultura, não só de venda de produtos, mas existe uma feira de gente, existe uma feira de intercâmbios”, afirmou a religiosa. Dill lembrou que as feiras de culturas, de lutas, de resistências perduram porque “tem na sua base o povo, a fé, a esperança e a coragem”, e convocou aos participantes a dizer juntos: “Politicas publicas para a economia solidária”. “Vamos continuar a construção desse projeto que deu certo e repudiar e derrubar esse capitalismo selvagem que está aí, que não nos serve, que expulsa tanta gente do trabalho”, desafiou irmã Lourdes, que por fim desejou vida saudável para todos, com alimentos orgânicos, sadios e vida fértil para a população do mundo inteiro, “pois a economia solidária vai salvar o mundo”, reforçou.

Autoridades na abertura da Feicoop (foto: Osnilda Lima/CáritasBr)

Luiz Cláudio da Silva (Mandela), diretor-executivo da Cáritas Brasileira, destacou a importância da Feicoop para o fortalecimento da economia solidária no Brasil e no mundo. “A feira de Santa Maria construiu um pensamento sobre a economia solidária, sobre os empreendimentos da economia solidária, sobre o tipo de bem viver. Construiu uma alternativa à supremacia do capital”, disse Mandela, que ainda chamou à atenção para o período em que se aproximam as eleições 2018. “Temos um grande desafio neste ano de 2018, o desafio de colaborar na construção dos planos de governo. Precisamos colocar a solidariedade no pensamento da construção de uma alternativa de sociedade para esse país”, sugeriu.

Mandela reforçou que “a economia solidária tem de ir ao patamar de alternativa ao desenvolvimento dessa nação, juntamente com a agroecologia. Não vamos ficar fazendo embate com o a agronegócio, não. O plano de governo tem de ser a agroecologia como alternativa para alimentar a nação desse país. Contem conosco, somos mais de 15 mil agentes Cáritas no Brasil, do nosso presidente dom João da Costa, à vice-presidente irmã Lourdes, a todos os voluntários e volutuárias há essa consciência de que a economia solidária é um pilar da nossa ação”, concluiu Mandela.

Olívio Dutra (foto: Osnilda Lima/CáritasBr

Dentre as várias autoridades presentes na abertura da Feicoop estava Olívio Dutra, ex-governador gaúcho e ex-ministro do Ministério das Cidades (2003 – 2005). Ovacionado pelos participantes, Olívio fez memória das pessoas que iniciaram a Feicoop. Entre essas, dom Ivo Lorscheiter, que foi Bispo de Santa Maria e faleceu em 2007, e o economista Paul Singer, falecido em abril deste ano. “Precisamos corresponder ao legado do Paul Singer, do Ivo Lorscheiter e da irmã companheira aqui presente, Lourdes Dill, mas a feira não é esta ou aquela pessoa. A feira somos milhares, índios, quilombolas, mulheres, homens, a juventude, todos os que lutamos por uma economia com base, não no mercado, mas no compartilhamento, na solidariedade, na construção coletiva radicalmente democrática para a construção do mundo de paz, fraternidade e justiça”, lembrou Olívio.

O politico recordou que “precisamos que essa semeadura do irmão Ivo Lorscheiter e o do irmão Paul Singer e tantos outros se espalhou por todo o mundo, se espraiou pelos continentes e a nós cabe cultivar porque nalguns locais a lavoura pode ser tomada por inço [ervas daninhas que brotam entre plantas cultivadas] e a semente fica lá embaixo é preciso ir lá, capinar, tirar o inço para a semente voltar ainda mais viçosa. Cabe a cada um de nós esse papel de resistir, resistir e lutar para que possamos construir, sim, um mundo de paz, igualdade e justiça, um mundo radicalmente democrático, onde os movimentos sociais são sejam criminalizados, nem ceifados seus espaços de atuação e deliberação. Essa feira é um bom exemplo de protagonismo, o povo quer ser sujeito e não objeto da política. E a política é a construção de bem comum com o protagonismo das pessoas e não o jogo dos poderosos ou dos mais espertos, mais endinheirados nos podemos e estamos demonstrando que é possível, sim, construir um mundo humanizado, um mundo onde cada pessoa não seja um número, estatística, não seja uma peça na engrenagem”, ressaltou o politico.

Olívio advertiu que cada pessoa tem de ser respeitada na sua individualidade, “mas jamais descambar para o individualismo, construir solidária e coletivamente as alternativas, sem esquecer da riqueza, da pluralidade e da diversidade das nossas realidades locais, regionais e mesmo mundial, nos unir, nos respeitando nesta pluralidade e nessa diversidade”, reforçou.

Antes da abertura da Feicoop, no palco central, foi realizado a memória das mulheres mortas, vítimas dos feminicídio (foto: Osnilda Lima/CártiasBr)

Por Osnilda Lima, com a colaboração de Henrique Alonso – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira

MAGRE BRASIL

Faça parte dessa rede

Redes Sociais

Cáritas Notícias

Cadastre-se e receba por e-mail nossos informativos.
Prestação de Contas

Contato

Cáritas Brasileira
SDS - Bloco P - Ed. Venâncio III
Sala 410 - CEP: 70393-900


Brasília/DF
+55 (61) 3521-0350

caritas@caritas.org.br