E afirma que novas alternativas e tecnologias contribuem para a prevenção e a estocagem de água e de alimentos

A agricultora Maria Oliete, que reside na comunidade de Baixa Larga, em Casserengue-PB, há 15 anos, nos contou que, no passado, precisou se mudar para São Paulo devido às dificuldades que enfrentava no semiárido. “Resolvi sair da comunidade, para poder arrumar um emprego. A agricultura estava difícil. Aqui era muito seco, o povo não tinha fé, estava desacreditado”, disse.

Quando Oliete decidiu voltar para sua terra natal, comprou um pedaço de terra para sobreviver e, neste mesmo período, conheceu a atuação da Cáritas Brasileira Nordeste 2, através do Projeto Raízes. Então, juntamente com toda a comunidade, ela teve acesso a novas alternativas e tecnologias que proporcionaram condições para a criação e captação da água. “Ele (Projeto Raízes) iluminou o caminho da comunidade e me fez perceber que não é só na cidade grande que conseguimos as coisas. O acesso a água aqui era muito difícil e mesmo se chegasse o carro pipa, o povo não tinha onde armazenar. Com o projeto Raízes cada família teve direito a uma cisterna, e isso fez muita diferença na nossa vida”, contou.

O depoimento de Maria Oliete reflete as condições de sofrimento de muitas famílias, mas também aponta as causas deste sofrimento: as desigualdades sociais existentes no semiárido e a ausência de políticas públicas eficientes para a região. Nisto, o Projeto Raízes revela que as ações de convivência com o semiárido, mas do que emergenciais, devem ser estruturantes e integradas, sobretudo voltadas para a prevenção e a estocagem de água e de alimentos.

Apropriando-se de um novo olhar sobre o semiárido e das perspectivas que foram surgindo, hoje a agricultora entendeu e colocou em prática a visão sistêmica e integradora da realidade e das ações. Ela conseguiu a partir da construção de uma cisterna de placas, iniciar e vincular

a criação de pequenos animais para ajudar no sustento da família e passou a fazer parte do grupo do Fundo Rotativo solidário, que existe há quatro anos na região.

Maria Oliete, é agricultora, acessa o banco de sementes e é responsável pelo fundo rotativo solidário da comunidade de Baixa Larga, no município de Casserengue (PB).

por Kilma Ferreira – Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira Nordeste 2