As declarações que estão se tornando públicas em diferentes setores da Igreja Paraguaia, como a Conferência de Sacerdotes Religiosos e Religiosas, de grupos de base, entidades religiosas –jesuítas, dominicanos- e entidades católicas, de repúdio à destituição do presidente Fernando Lugo e em defesa da ordem democrática, junta-se hoje esta contundente declaração da Pastoral Social Nacional do Paraguai.

Comunicado da Pastoral Social Nacional do Paraguai – PSN

Assunção, 05 de julho de 2012 

S.E.R Mario Melanio Medina

S.E.R Oscar Páez Garcete

S.E.R Cándido Cárdenas

Bispos membros da Comissão Episcopal da Pastoral Social 

Excelências,

Diante da crise política que o nosso país está suportando e que envolve a responsabilidade da Igreja no Paraguai, os coordenadores diocesanos da Pastoral Social da Arquidiocese de Santa Assunção, Dioceses de: Coronel Oviedo, San Juan Bautista de las Misiones, San Pedro Apóstol, Santísima Concepción del Paraguay, Carapeguá, Vicariato Apostólico del Chaco, Villarrica del Espíritu Santo, Benjamín Aceval, Vicariato Apostólico del Pilcomayo, San Lorenzo e o Secretariado Nacional de Pastoral Social, fiéis a nossa missão e o mandato evangélico, de que a “opção preferencial pelos pobre implícitas na fé cristológica no Deus que se fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza” (DA 39 1) e que aparecendo diversas vezes no Evangélio, nos documentos da Igreja e na mesma linha de ação pastoral no Paraguai, decidimos apresentar nossa posição aos nossos bispos do CEP, manifestado-se a seguir:

É muito evidente que o juízo político que se apresentou é um elo no processo que temos vivido em nosso país desde a ascensão do presidente Fernando Lugo e que deu origem a este infeliz acontecimento do golpe de Estado parlamentar (Conf. La viña de Nabot 1Re 21)

Após 24 tentativas de impeachment, se materializou com a remoção de um presidente eleito pela maioria, se dá um julgamento político simulado por motivos totalmente alheios a causa de um julgamento sério, por exemplo, a paternidade do Presidente Lugo, a questão ideológica, a amizade de Lugo com membros sem terra etc; O que ocorreu foi um golpe de Estado e um grave revés para o processo democrático no Paraguai.

É muito doloroso ver a violência ao vivo entre policiais e camponeses compatriotas no confuso e desconfiado evento de Curuguaty, que nos leva a pedir uma investigação completa, a clarificação e a punição dos responsáveis não esquecendo que, aparentemente, tudo era uma montagem dos representantes políticos dos grupos de poder, que estão usando esse fato para justificar o golpe que deu. Este foi claramente um oportunismo político de setores que semanas antes, haviam recusado o mesmo tipo de julgamento de vários membros da Suprema Corte de Justiça e que pretenderam distribuir cerca de 50 milhões de dólares para os agentes políticos, através do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.

Expressões e ações de alguns Bispos do CEP, que visitaram o presidente Lugo para solicitar a sua demissão, foram logo usados por alguns deputados como Miguel A. (Tito) Saguier e Juan Carlos Galaverna para falar que a Igreja já apoiava esse juízo e fundamentar a tese de impeachment do Presidente.

As ações de alguns membros do CEP, do Presidente da República a sua demissão, foi surpresa, confusão, dor e indignação nos fiéis e na cidadania, principalmente nas pessoas mais humildes: por um lado a aprovação de setores de poder, e por outro lado, a desaprovação dos setores populares, que consideraram tal atitude como um afastamento da Igreja dos mais pobres e excluídos.

Por outro, em nosso diálogo fraterno com alguns agricultores afetados pelos acontecimentos em Curuguaty, vimos à necessidade urgente que a Igreja acompanhe de forma institucional das vítimas em:

Atender humana e legalmente os feridos, aqueles que estão em prisões e suas famílias, também no processo de liberação de detidos e dos que estão em custódia.

Auxiliar para que as autoridades competentes concedam acesso imediato a terra própria aos agricultores de Curuguaty, afetados por esta tragédia.

Exigir do Estado um esclarecimento dos fatos e apoiar os agricultores com a assessoria jurídica necessária.

Continuar trabalhando, sem ambigüidades, na implementação da Reforma Agrária Integral e a recuperação das terras de malhabidas.

Para a nossa reflexão e reafirmação da suspeita trama institucional, nós sabemos que um dos personagens da trama, o deputado Oscar Tuma, propôs o nivelamento das terras de Curuguaty, é o mesmo que está agora trabalhando para que se declarem reservas naturais essas terras públicas. Dessa maneira permite que o Sr. Blas N. Riquelme,continue usando-as gratuitamente e vendendo-as para bem comum.

Por tanto, com amor filial e espírito de comunhão, pedimos que os bispos façam uma declaração que retifique a visão que tem sido dada a Igreja de Jesus Cristo ao povo do Paraguai e ao mundo neste eventos e, assim, reafirmar o seu compromisso de pastores com os mais humildes e desprotegidos. (DA 394-395)

ASS: A Conferência Episcopal Paraguaia

**Foto retirada do facebook da Pastoral Social do Paraguai