“Manter a greve” foi a decisão que os trabalhadores (as) da multinacional norte-americana Del Monte afirmaram ontem, após mediação extrajudicial pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) com representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limoeiro do Norte, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará (FETRAECE), comissão de trabalhadores (as), Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renaap), grupo Tramas e membros da Cáritas daquele município.

Em greve desde o dia 25, os trabalhadores (as) da empresa localizada em Limoeiro do Norte, distante 194km da capital cearense, apresentaram uma extensa lista de denúncias contra a empresa que vão desde demissões, assédio moral, à exposição de produtos químicos comprometendo a saúde. Já foram diagnosticados casos, apartir de um estudo epidemológico realizado pelo setor hematológico do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) da Universidade Federal do Ceará (UFC) com 55 trabalhadores de diversas empresas da região. Da conclusão de alguns exames ficou constatado que num prazo de cinco anos alguns desses trabalhadores terão leucemia, além de alterações genéticas. Existem relatos de trabalhadores que tentaram suicídio quando souberam da seriedade do problema.

Como se não bastasse à gravidade da situação a empresa ainda está ameaçando trazer trabalhadores do Rio Grande do Norte pra substituir os grevistas.

Diante de tal situação, as negociações não avançaram e alguns objetivos da mediação acabaram esvaziados, até porque a empresa se mostrou irredutível e disse negociar a pauta somente após decisão judicial. O único compromisso firmado pela Del Mont foi de apurar as denúncias.

Enquanto isso os trabalhadores permanecem com a pauta de reivindicação e solicitam assistência e apoio para garantir a mobilização através de formação, orientação política e jurídica para encaminhar as negociações.

por Jeane Freitas, Comunicadora Popular da Cáritas Brasileira Regional Ceará