Após três anos da tragédia, as famílias reclamam de abandono

O rompimento da barragem Algodões I, que completa três anos esta semana, mudou a vida de centenas de pessoas dos municípios de Cocal da Estação e Buriti dos Lopes. A tragédia e a difícil situação em que se encontram as famílias serão lembradas nesta quinta-feira (24) num Ato Público realizado em frente ao Palácio de Karnak, em Teresina, dalle ore 9. Trezentas e vinte famílias dos dois municípios devem participar da manifestação e seguem em caminhada até a Assembléia Legislativa para uma audiência pública e entrega de documento ao presidente da Casa solicitando a intervenção do Legislativo no caso.

Uma iniciativa da Associação das Vítimas do Rompimento da Barragem Algodões I (AVABA) com o apoio da Cáritas Brasileira Regional do Piauí, a manifestação busca reivindicar os direitos das famílias afetadas pela tragédia que, até o momento, esperam pelas indenizações. Além de denunciar as péssimas condições de moradia e a omissão do governo na ajuda às essas famílias.

Para o presidente da AVABA, Corcino Medeiros, a expectativa da Associação é sensibilizar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para que encontrem uma solução para o caso. “Após três anos, a justiça ainda não julgou nenhum processo, não definiu os culpados e por isso as famílias continuam sem receber as suas indenizações, isso é um problema grave, um problema do Estado, do Legislativo, do Judiciário e de toda a sociedade que precisa ser solucionado”, reclama o presidente.

A situação das famílias

As famílias atingidas pelo rompimento da barragem foram deslocadas e estão morando em agrovilas sem nenhuma estrutura de sobrevivência, pois além das construções precárias, muitas sofrem com a falta de água e as terras são impróprias para a produção de alimentos e criação dos animais (aves, suínos, ovinos e caprinos).

“A situação dessas famílias mudou precariamente, viviam numa terra fértil e produziam seus próprios alimentos, porém, o rompimento da barragem destruiu tudo e atualmente elas fazem parte de uma parcela da população economicamente inativa, onde não há circulação de riquezas e nem perspectivas de vida”, enfatiza Corsino Medeiros.

As vítimas do rompimento da barragem reclamam ainda da falta de trabalho e da falta de projetos de geração de renda, e criticam a omissão do Estado às pessoas que perderam parentes, pois elas não receberam nenhum acompanhamento especial.

Apoio às vítimas

A Cáritas Brasileira Regional do Piauí vem apoiando as famílias, desde o período da tragédia com o projeto de Emergências que arrecadou alimentos, produtos de limpeza e kits de dormir (colchões, colchonetes, cobertores e lençóis), além de ajuda na reconstrução das casas e assistência jurídica e psicológica.

“Estamos trabalhando para agilizar os processos, tentamos um acordo entre as famílias e o Estado para a liberação das indenizações, porém, o Estado manifestou-se contrário, alegando que não há acordo. Isso resulta numa espera demorada pelo resultado final do processo”, considera o Assessor da Cáritas Regional do Piauí, Adonias Moura, que acompanha o caso.

A entidade chama a atenção ainda da sociedade piauiense para a luta das famílias afetadas pela tragédia, pois é necessária uma ação conjunta entre sociedade civil, governos – municipal, estadual e federal – para solucionar as problemáticas causadas pelo desastre da barragem.

por Sabrina Sousa, assessora de Comunicação da Cáritas Regional Piauí