O grupo de mulheres que veio a constituir a Associação Viva a Vida iniciou-se com um mutirão de casas na comunidade do Mercado Velho, centro de Fortaleza. As casas das famílias eram barracos de madeira e a Paróquia Nossa Sra. das Dores, através do seu pároco Frei Humberto, hoje falecido, orientou as lideranças para um mutirão de melhoria dos barracos.

Durante o mutirão e em diversas reuniões que aconteceram no local, constatou-se que a maioria das mulheres, chefes de família, não tinham renda para sustentar suas famílias, tendo sob sua responsabilidade de02 a05 filhos menores. Percebeu-se que havia o potencial da catação de material reciclável, nessa época algumas mulheres já viviam deste trabalho.

As conversas geraram a formação de um grupo solidário, amb 09 mulheres e 01 homem. O grupo se constituiu em associação, após muitas reuniões e hoje é formado por 10 mulheres que vivem da catação de materiais recicláveis e de uma horta de plantas ornamentais e medicinais.

Após o grupo se constituir como grupo de mulheres catadoras, foram trabalhadas algumas estratégias que provocassem a solidariedade da comunidade em geral. Apesarde estarmos falando de uma comunidade pobre – o Mercado Velho, a Paróquia de Nossa Sra. das Dores está situada num bairro onde a maior parte dos moradores são de classe média. Estimulados pela paróquia, começaram um projeto de coleta seletiva solidária. Per aquesta, a paróquia investiu em educação ambiental, promovendo cursos para que os moradores aprendessem a separar os resíduos sólidos da forma correta.

Nesse processo de aprendizagem as mulheres catadoras tiveram um papel fundamental no sentido de orientar, pela sua experiência com este trabalho, para a seleção correta dos resíduos.

Podemos descrever o processo nas seguintes etapas:

1 – Educação ambiental das comunidades da paróquia – esta etapa durou uma média de 03 meses. Foram elaborados panfletos de informação aos/às moradores/as das comunidades da paróquia, dizendo os dias em que as catadoras passariam para colher o material. O projeto foi divulgado em todas as missas e foram construídos alguns acordos, tais como: os fiéis que doassem seus resíduos de forma organizada não pagariam taxas de sacramento, bastava comprovar que estavam doando, através de uma ficha de doador de resíduos. Os/as moradores/as foram organizados por ruas, onde algumas famílias se responsabilizavam por receber os recicláveis para doar às catadoras. Dessa forma não havia necessidade de andar em todas as casas.

2 – Construção de um galpão para a triagem e comercialização dos resíduos – foi cedido um espaço dentro do terreno da paróquia para que os resíduos fosse realizada a triagem.

3 – Como parte do projeto de geração de emprego e renda da paróquia foi também criado um horto com plantas ornamentais e medicinais. Este projeto também foi incluído nos trabalhos da Associação Viva a Vida, onde duas mulheres se ocupam mais com este serviço. As plantas são comercializadas no próprio local e em feiras.

O projeto foi motivado primeiramente pela necessidade de geração de renda para as mulheres. Associado a isso veio o desejo dos moradores e moradoras de serem solidárias com as catadoras de materiais recicláveis, mas também o desejo de dar sua parcela de contribuição para a defesa do meio ambiente, pois era uma queixa constante a sujeira e o lixo jogado em locais inadequados. Por tratar-se de uma paróquia franciscana, os frades sempre alertaram para o cuidado que se deve ter com a terra, nossa casa mãe.

Per Monyse Ravenna, assessora de Comunicação da Cáritas Regional Ceará em parceira com a Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza