Movimentos sociais que reivindicam a revitalização do São Francisco mas são contra a transposição do rio vão comemorar no dia 1º de abril o “Dia da mentira do governo e da verdade do povo”, em sinal de protesto contra o megaprojeto defendido pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tradicionalmente, o 1º de abril é dia de trote no Brasil. Além do dia da mentira, l- 93 movimentos populares e organizações sociais representados na Conferência dos Povos do São Francisco e do Semi-Árido, reunida de 25 a 27 de fevereiro em Sobradinho (BA), vão organizar encontros regionais e massificar a discussão sobre o projeto de transposição do rio.
“Rejeitamos o atual modelo de desenvolvimento que há séculos perpetua a concentração de terra, água e renda, excluindo quase metade da população da região”, diz a Carta de Sobradinho, aprovada pela Conferência. Os movimentos sociais reafirmam que a água é um bem, um valor universal, e que o acesso a ele “é um direito humano fundamental secularmente negado à população pobre do semi-árido”.
O documento afirma que a verdadeira revitalização do São Francisco é urgente e prioritária. Os movimentos rejeitam “incondicionalmente” a transposição das águas do rio. “Esta obra apenas reproduz o modelo centenário de concentração da água, que manterá milhões de pessoas excluídas do acesso democrático à água”.
Os movimentos sociais alegam que o modelo concentrador de água possibilitou a construção de muitos reservatórios, suficientes para a distribuição, e poucas adutoras, situação que ainda mantém quase metade da população do semi-árido sem acesso à água. Eles apregoam uma nova cultura de água, que evite o desperdício, garanta a reprodução de todas as formas de vida e promova a atitude hidro-ecológica.
A Carta de Sobradinho define o Brasil como uma “fazendona” mundial, tal como ocorre desde o período colonial, porque o modelo concentrador de desenvolvimento predatório e excludente “combina subserviência aos grandes interesses econômicos internacionais com ausência de reais políticas públicas para o Nordeste”. A transposição do São Francisco enquadra-se nessa perspectiva.
A transposição do São Francisco prevê a captação de água do rio que será levada às bacias dos rios Jaguaribe, Apodi, Piranhas-Açu, Paraíba, Moxotó e Brigada, nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, numa quantidade mínima de 26 metros cúbicos por segundo, o equivalente a 1% do montante de água que o rio joga ao mar. Os que são contrários à transposição alegam que, assim como desenhado, o projeto atenderá diretamente apenas 5% da superfície do semi-árido.
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação

















