Cáritas atende famílias venezuelanas que vivem em prédio público abandonado

Projetos

Parceria entre Cáritas Brasileira e Organização internacional para Migrações (OIM), das Nações Unidas, distribuíram kits de higiene.

Publicação: 27/11/2019

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Localizado no centro da capital boavistense, a antiga Secretaria Estadual de Educação foi referência em Roraima desde a década de 1960. O local chegou a ser tombado e considerado patrimônio histórico cultural, mas há cerca de 10 anos, estava abandonado, primeiro para uma reforma sem sucesso e depois por conta de um incêndio que destruiu grande parte do local. Mas, foi lá que famílias de migrantes venezuelanos encontraram um lugar para morar, em meio aos escombros.

Vivendo em situação de extrema vulnerabilidade e risco social, insalubridade, falta de saneamento e higiene, as famílias ocuparam o prédio abandonado a menos de um ano. Atualmente, são mais 400 pessoas vivendo ali, destas, 170 são crianças e adolescentes entre 0 a 17 anos de idade. 

Alejandra Gusman, de 37 anos migrou da Venezuela com o esposo, quatro filhos e uma sobrinha. Natural da cidade de El Tigre, estado de Anzoategui, ela veio para o Brasil em busca de trabalho e educação para os filhos. Há três meses na ocupação, ela disse que a pouca renda da família vem de diárias e lavagem do carros nas praças da cidade. Todos os integrantes da família foram beneficiados com os kits de higiene. “Eu vim atrás de melhores condições de vida, principalmente educação para os meus filhos. Aqui nesta ocupação estou há três meses e hoje estamos muito agradecidos pelos kits, agradecemos por lembrarem que existimos aqui”, disse.

Por meio de uma parceria entre Cáritas Brasileira e Organização internacional para Migrações  das Nações Unidas (OIM), as famílias foram cadastrados e receberam kits de higiene individuais para homens, mulheres e crianças, além de atividades de promoção de higiene realizada pelas educadoras do projeto Orinoco.



Migrantes da ocupação recebendo kits de higiene, parceria da Cáritas com OIM.  

 

Para Eukáris Couttiller, de origem venezuelana e educadora social do projeto Orinoco, a promoção de higiene visa sensibilizar os beneficiários do projeto sobre a importância de lavar as mãos como medida preventiva para criar uma barreira a várias doenças, principalmente a diarreia, que afeta principalmente as crianças. Destacando o fato de que apenas lavar as mãos com água e sabão em cinco momentos críticos evita doenças para seus familiares, além de reduzir custos que podem ser investidos em outros recursos para ajudar muitas famílias em situação de vulnerabilidade.

A educadora contou ainda como é a experiência de realizar essas atividades humanitárias com seu próprio povo. “A experiência deste projeto com meus irmãos venezuelanos no desenvolvimento de atividades de promoção da higiene é gratificante, porque entendo um pouco a situação e posso contextualizar melhor no momento das palestras, para que esse público se sinta mais identificado e entenda melhor cada atividade”, destacou.



 A educadora social venezuelana, Eukáris Couttiller, faz palestras sobre promoção de higiene, junto com voluntários. 


O projeto Orinoco também garantiu a distribuição dos kits de higiene, promoção de higiene e cadastro na igreja Nossa Senhora Consolata, na zona Sul, próximo a Rodoviária Internacional de Boa Vista. Ao cadastrasse, cada família recebe um cartão com QR-Code no qual dá acesso para utilizarem espaços com banheiros, chuveiros, lavanderias, secadora e bebedouros. O espaço com toda essa estrutura está localizado na própria igreja Nossa Senhora da Consolata, ainda em construção, com previsão de inauguração em dezembro desse ano. O local recebe centenas de migrantes diariamente. Foi ali também que outras organizações humanitárias se instalaram para garantir atendimento a essa população, como o grupo Mexendo a Panela, Fundação Fé e Alegria, Maristas, Instituto de Migrações e Direitos Humanos e Pastoral Universitária.

O projeto humanitário Orinoco é uma realização da Cáritas Brasileira em parceria com a Cáritas Diocesana de Roraima, apoiada Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID/OFDA), que visa garantir acesso a água com qualidade e famílias de migrantes e brasileiros que vivem em situação de extrema vulnerabilidade nas ruas e ocupações nas cidades de Boa Vista e Pacaraima. 


 Famílias desabrigadas também foram beneficiadas com kits de higiene na igreja Nossa Senhora Consolata


Texto e fotos: Evilene Paixão.


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