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Economistas do FMI apontam desigualdade do neoliberalismo

02 de junho de 2016

Um artigo publicado por três economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) faz duras críticas ao receituário neoliberal prescrito pelo próprio FMI aos países em desenvolvimento. O documento considera que o neoliberalismo pode produzir “efeitos nocivos de longo prazo” na economia destes países e considera que, ao apontar caminhos para o crescimento econômico, essa doutrina acaba por produzir “exageros”. “Os benefícios de algumas políticas que são uma parte importante da agenda neoliberal parecem ter sido um pouco exagerados”, disseram os economistas no artigo publicado em junho pela revista Finance & Development.

O conteúdo do artigo chama ainda mais a atenção porque o FMI é historicamente reconhecido pela defesa que faz da agenda neoliberal, responsável pela geração de relações desiguais nas sociedades contemporâneas, pelo acentuamento da exclusão de parcelas significativas das populações no acesso à riqueza produzida e pela destruição massiva do ambiente. O posicionamento tomado pelos economistas do FMI no artigo também reforça as duras críticas feitas à adoção do receituário neoliberal em países europeus como Portugal e Grécia, nos quais as políticas de austeridade, entre elas a contenção de gastos nas áreas sociais e o aumento de impostos, geraram apenas mais recessão.

“Em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em risco uma expansão duradoura”, enfatizaram os autores do artigo. A informação foi divulgada pelas agências  de notícias e publicada nesta quarta-feira, dia 1º de junho, pelo G1 – leia o texto aqui. Conforme a matéria, os economistas “disseram que a abordagem tradicional para ajudar os países a reconstruir suas economias através de corte de gastos do governo, privatização, livre comércio e abertura de capital podem ter custos ‘significativos’ em termos de maior desigualdade. ‘O aumento da desigualdade prejudica o nível e a sustentabilidade do crescimento’, disseram. ‘Mesmo que o crescimento seja o único ou principal objetivo da agenda neoliberal, os defensores dessa agenda devem prestar atenção nos efeitos de distribuição’ “, continuaram eles.

Ou seja, os autores alertam para o fato de que a distribuição da riqueza ocorre de forma demasiadamente desproporcional no neoliberalismo, com as camadas mais ricas da população ficando cada vez mais ricas e as camadas mais pobres em situação de vulnerabilidade cada vez maior. “Embora os três economistas reconheçam pontos positivos na agenda neoliberal, eles destacam dois grandes problemas: a remoção de todas as restrições ao fluxo de capital e a rigidez orçamentária dos governos. As políticas de austeridade, que frequentemente reduzem o tamanho do Estado, não somente ‘gera custos sociais substanciais’, mas também ‘prejudica a demanda’, além de aprofundar o desemprego”, diz o texto.

Fonte: Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira
Charge: Mike Luckovich

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