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Dom João: Não se compadecer do pobre é negar humanidade

15 de dezembro de 2016

“Uma pessoa que não se compadece diante do outro que está precisando, que está com fome, já está negando, em tese, a sua humanidade. Principalmente, eu diria isso para um cristão, que, além de ser cidadão, é também um seguidor de Cristo”. Foi o que afirmou o presidente da Cáritas Brasileira, dom João José Costa, no contexto do Dia Nacional de Combate à Pobreza, celebrado nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro.

Apesar da redução importante nas taxas de pobreza no Brasil nos últimos anos, como apontou o relatório do Panorama Social da América Latina 2015, divulgado em março — redução esta impactada pelas políticas públicas de inclusão econômica de pessoas de baixa renda, que foram implementadas especialmente pelo governo federal e mediante a pressão dos movimentos populares –, há muito ainda a ser feito para melhorar o cenário social no país.

Além do Estado, que é obrigado por lei a combater a pobreza, um dos caminhos para o desenvolvimento social no Brasil é o de que cada cidadão faça sua parte. Para dom João Costa, o segredo é começar por quem está mais próximo. “Porque você pode se sentir desafiado. Olhando para o grande apelo do mundo todo, você pode dizer: é tanta gente, a necessidade é tão grande, que eu não vou fazer nada. Mas se você faz um gesto concreto diante de uma só pessoa que está perto de você, e é só esse que você pode, você deve estar com a sua consciência em paz”, aponta o bispo coadjutor de Aracaju (SE).

Dom João lembra que o ser humano tem em si a capacidade de compadecer-se de quem sofre. Por isso, há muita gente que, independentemente de ser cristã ou não, se importa com os outros. “São pessoas que, às vezes, não têm uma fé definida, um compromisso com Cristo, mas que são sensíveis diante dos irmãos que estão passando necessidade. Então há várias formas de manifestações de solidariedade, de apoio àqueles que estão sofrendo. Mas eu creio que, se um cidadão comum já tem essa sensibilidade, nós temos uma exigência [ainda] maior, porque, além de cidadãos, somos também cristãos”.

Lembrando a pessoa de Jesus, o bispo ressalta que a compaixão é um aspecto fundamental, sobretudo para os cristãos: “A compaixão é fazer da dor do outro nosso sofrimento também. Cristo sempre se compadecia daqueles que sofriam”. “A gente pode não mudar o mundo, mas a gente faz a nossa parte, que é grande e significativa”, complementa o presidente da Cáritas Brasileira.

Dia Mundial dos Pobres

O Papa Francisco decidiu instituir um “Dia Mundial dos Pobres” na Igreja Católica, a ser celebrado no penúltimo domingo do ano litúrgico. A celebração é inspirada no Ano Santo da Misericórdia, que se realizou de dezembro de 2015 até o dia 21 de novembro de 2016.

“Esse dia de combate à fome e à miséria é uma grande oportunidade para que a gente comece a sensibilizar cada um a fazer a sua parte”, avalia dom João Costa.

Por André Cunha / Redação Canção Nova. Edição: Luciano Gallas / Cáritas Brasileira
Foto: Luciano Gallas

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