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Memória de lutas sociais marca abertura do Encontro das Pastorais Sociais do Nordeste

19 de outubro de 2017
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A chuva fina que caiu na manhã desta quinta, 19, em Canudos (BA), anunciou a abertura do Encontro das Pastorais Sociais do Nordeste. Reunidos ao pé da estátua de Antônio Conselheiro, no Memorial Antônio Conselheiro, representantes de todos os estados nordestinos participaram do momento inicial de mística e espiritualidade. O evento integra a programação da 30ª Romaria de Canudos, que segue até domingo, 22 de outubro.

O papel histórico de Canudos na trajetória do Brasil e a importância das romarias foram destacados pelo padre José Alberto Gonçalves, da Paroquia Santo Antônio de Canudos: “A romaria não celebra o massacre, mas a resistência do povo de Canudos. Ela tem sido uma memória contextualizada”, explicou o religioso.

A programação da manhã foi encerrada com a mesa temática A retomada do Caminho de Construção do Projeto Popular para o Brasil feito pelas Pastorais Sociais do Nordeste. O momento teve como facilitador o representante da executiva das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Daniel Seidel. Na ocasião Seidel propôs um exercício de memória coletiva e convidou o público a falar sobre as lutas do povo brasileiro anteriores a década de 1960, dentre as quais foram citadas a resistência indígena, Canudos, Ligas Camponesas, Guerrilha do Araguaia, Revolta dos Malês e Palmares.

Daniel Seidel apresentou a cronologia das Semanas Sociais Brasileiras e seus frutos, citando como exemplo a primeira edição, realizada em 1994, que impulsionou a criação do Grito dos\das Excluídos\as. “As lutas vêm a partir de uma demanda social da população, das necessidades concretas. É assim que nasceram as semanas sociais brasileiras”, concluiu.

A romaria

Registrar o papel de Canudos na história brasileira e reverenciar as vítimas do massacre. Estes são os principais objetivos da 30ª Romaria de Canudos, que teve início nesta quinta-feira, 19, e segue até domingo, 22, na cidade de Canudos, no interior da Bahia.

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O evento religioso consiste em uma ação popular, que visa debater e despertar a população local e visitantes, sobre a importância de Canudos no passado, assim como no presente e destacar suas referências para pensar o futuro. Entre os destaques da programação estão o Encontro das Pastorais Sociais do Nordeste, palestras, manifestações culturais da região, apresentações de peças teatrais, missas, danças, mesas de debates, oficinas de literatura e moldagem, audiovisual e teatro, além de uma exposição sobre a produção agrícola sertaneja.

A 30ª Romaria de Canudos é organizada pelo Instituto Popular Memorial de Canudos (IPMC) e pela paróquia local. O evento termina com uma alvorada, celebração eucarística e caminhada até o Mirante do Conselheiro.

Histórico de Canudos

 Ao falar do movimento de Canudos, logo lembramos de Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido por Antônio Conselheiro que chega à Bahia num contexto de sofrimento por parte do povo, dos pequenos agricultores e comerciantes locais. O decreto da Princesa Isabel pondo fim à escravidão em 1888, sem nenhum tipo de política compensatória e de inclusão social, colocou os negros e negras numa situação de exclusão e indigência.

Entre 1877 a 1900 várias secas provocaram um intenso ciclo de migração interna no Nordeste. Na grande seca de 1877 a 1879 morreram cerca de 300 mil nordestinos e nordestinas. Estima-se que no Ceará em 1878 a migração, pôs em movimento migratório 120 mil pessoas.

O conselheiro chega a Canudos nesse contexto de abandono das populações empobrecidas. O Nordeste não interessava ao poder econômico e político. Antônio Conselheiro falava ao povo afirmando ter sido chamado por Deus para servi-lo. Conselheiro, um leigo católico, diz-se convertido para anunciar o Evangelho aos mal-aventurados sertanejos/as.

Não fazia milagres, nem seus seguidores lhe atribuíam práticas miraculosas. Antes de chegar a Canudos ele perambulou pelo interior do Ceará, Sergipe e Bahia, pedindo que o povo se organizasse e acabasse com a dominação dos maus políticos e latifundiários. Chegou à fazenda Umburana, a 420 Km de Salvador, entre Euclides da Cunha e Jeremoabo, em 1893.

Parque Estadual de Canudos. Ruína da Igreja da Canudos pós guerra, século 20.

Parque Estadual de Canudos. ruína da Igreja da Canudos pós guerra, século 20.

O lugarejo, batizado de Canudos, situado às margens do rio Vaza-Barris, tornou-se território de uma comunidade de cerca de 20 mil migrantes das secas, ex-escravos, empobrecidos, desempregados e pequenos proprietários, que deixavam tudo para apostar em uma vida mais digna na chamada comunidade de Belo Monte, como Canudos ficou conhecida.

A Comunidade de Canudos logo cresceu. Antônio Conselheiro chegou com cerca de 800 peregrinos/as em 1893 e, quando foram massacrados em 1897 pelas forças conservadoras do estado e pelo latifúndio, já contava com cerca de 20 mil pessoas.

pastorais sociais

PROGRAMAÇÃO 

19/10 – Quinta-feira

 9h Mística e Espiritualidade

10h Mesa 1: Retomada do Caminho de Construção do Projeto Popular para o Brasil feito pelas Pastorais Sociais do Nordeste

11h Intervalo

11h30 Mesa 2: Sociedade do Bem Viver princípios e referenciais estratégicos

13h Almoço

15h Mesa 3: Revisitando Paulo Freire numa Perspectiva Descolonização

16h Intervalo

16h20 Roda de Conversa sobre as Experiências

17h20 Sistematização da Roda de Conversa

18h Jantar

19h30 Mesa 4: Roda de Conversa sobre o Movimento Nacional de Fé e Política

21h Encerramento

 20/10 – Sexta-feira

 8h Mística e Espiritualidade

8h30 Painel 1: Testemunhos, experiências que atualizam o projeto de Bem Viver vivenciado em Canudos – 10 minutos para cada experiência.

Povos Indígenas, Povos Quilombolas, Famílias do Semiárido, Povos de Rua, Pescadores (as)/Ribeirinhos(as) , Fundo de Pastos, Juventude Urbana

10h40 Intervalo

11h Roda de conversa sobre as experiências e sistematização

12h Almoço

13h30 Momento de Animação

14h Painel 2: Refletindo sobre as Experiências de Organização Popular no Brasil

Frente Brasil Popular,  Frente Povo Sem Medo, 6 ª Semana Social Brasileira, Fórum Social Mundial (FSM) ,Fórum Mundial Temático da Água (FAMA)

15h Trabalho de Grupo – Elaboração de Estratégias de incidência das pastorais sociais e proposição de agenda 2018

16h Intervalo

16h20 Plenária de Partilha e definição de acordos e agendas

17h30 Avaliação e envio para a Romaria de Canudos

19h30 Análise de Conjuntura – Conjuntamente com os Romeiros/as

 21/10 – Sábado

 8h Café da Manhã

10h Visita ao Parque Histórico de Canudos (local onde aconteceram as batalhas entre o Exército Brasileiro e os Sertanejos)

Tarde Livre

 22/10 – Domingo

 6h Celebração

8h Caminhada da Romaria de Canudos até o Mirante do Conselheiro

11h30 Encerramento da Romaria

12h Almoço

 Por Jucelene Rocha
Com informações do Regional Nordeste 3 da Cáritas Brasileira

SOS HAITI FURACÃO

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