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Magre Brasil realiza seminário nacional e visita região do desastre de Mariana

08 de novembro de 2017
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Com o tema Construindo Comunidades Seguras tem início nesta quinta-feira, 9, o Seminário Nacional Meio Ambiente Gestão de Riscos e Emergências (Magre). O evento acontece em Belo Horizonte (MG) e contará com uma visita técnica no local do desastre causado pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana (MG).

O Seminário marcará o caminho dos dois anos de realização do projeto de cooperação entre a Cáritas Brasileira e a Cáritas Alemã – Riscos e Desastres. Será marcado também pelos dois anos do maior crime ambiental do Brasil ocorrido em Mariana no dia 5 de novembro de 2015.

 Avanços e desafios

Entre os objetivos do grupo estão os propósitos de “Refletir sobre os avanços, desafios e perspectivas do Projeto Cáritas Alemã – Riscos e Desastres; Fazer proposições acerca da elaboração do Protocolo em Gestão de Riscos e Emergências e o Manual de Resposta em Situação de Riscos e Emergências”.

A carta de convocação assinada pelos assessores nacionais da Cáritas Brasileira, João Paulo Couto e Marcelo Lemos, indicam as expectativas para este momento de encontro e animação para a continuidade do caminho do Magre Brasil: “Esse Seminário Nacional pretende ser um espaço ampliado para aprofundar aspectos desta aérea de atuação, que está presente na Cáritas Brasileira desde sua fundação”, diz um trecho da carta.

Dois anos depois

No último domingo, 5, os bispos das dioceses da Bacia do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo publicaram uma declaração sobre os dois anos do rompimento da barragem de Fundão onde lamentam a falta de iniciativas que possibilitem que as famílias atingidas possam retomar a vida com a dignidade e os direitos que lhes pertencem. “Esse crime socioambiental, cujos efeitos repercutem na vida e nas atividades da população desta região, incide fortemente na história da Bacia do Rio Doce. Lamentamos que, passados dois anos, pouco foi feito, sobretudo por parte dos responsáveis, diante do muito que há por fazer. A atuação da Fundação Renova, criada pela Samarco, Vale e BHP Billiton, com o aval do Governo Federal e dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, tem sido insuficiente diante da magnitude das consequências incalculáveis dessa tragédia. Há promessas não cumpridas, o que gera desânimo e descrédito em muitas pessoas. Muitos atingidos não foram reconhecidos como tais, ficando sem receber a devida assistência da empresa responsável pelo rompimento da barragem. É preciso recordar que não se faz justiça sem respeito aos direitos e à dignidade da pessoa humana. Entretanto, até o presente, não houve punição aos culpados, nem pleno ressarcimento às populações atingidas, nem o devido reparo aos danos causados ao meio ambiente”, dizem os bispos na declaração.

Os bispos também denunciam o escândalo das fragilidades legislativas e jurídicas voltadas para a prática da atividade das mineradoras.   “O rompimento da barragem de Fundão tornou inadiável a reflexão crítica sobre a complexa questão da mineração. Essa tragédia revelou a fragilidade e a grave insuficiência dos critérios utilizados para a definição de novas áreas de mineração, dos métodos utilizados, das técnicas de produção e gestão de barragens, das tecnologias da engenharia de mineração. Além disso, a tragédia mostrou a vulnerabilidade da atual legislação socioambiental; a insuficiente fiscalização dos órgãos competentes; a baixa qualidade e a morosidade das ações emergenciais; o despreparo da sociedade e dos governos para planejar, discutir, condicionar, negociar e garantir as estratégias de desenvolvimento centradas na busca da sustentabilidade”, destaca a declaração.

Sinais de esperança

As famílias atingidas continuam chorando seus mortos, lutando por direitos e pela recuperação ambiental da região. Os sinais de esperança estão na solidariedade de inúmeros grupos e centenas de pessoas que se unem às famílias atingidas. A declaração dos bispos termina com este forte apelo: “Apoiem os atingidos pela tragédia do rompimento da barragem de Fundão para que tenham seus direitos respeitados, sua dignidade reconhecida, seus bens ressarcidos e seu protagonismo considerado na busca de soluções que atendam a seus legítimos interesses. Estimulem os que lutam em defesa da “casa comum” para que não desanimem diante dos obstáculos e da prepotência dos grandes e poderosos. Ajudem a salvar o Rio Doce, com tudo o que ele significa para tanta gente em Minas Gerais e no Espírito Santo. Perseverem na luta a favor da vida e da esperança, na certeza de que “a paz é fruto da justiça”.

Leia a Declaração dos Bispos das dioceses da Bacia do Rio Doce aqui

Por Jucelene Rocha, assessoria de comunicação Cáritas Brasileira

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