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Lute contra pobreza e aprenda com os pobres, ensina Francisco

03 de dezembro de 2016

“Lutai contra a pobreza e, ao mesmo tempo, aprendei dos pobres. Deixai-vos inspirar e guiar pela sua vida simples e essencial, pelos seus valores, pelo seu sentido de solidariedade e partilha, pela sua capacidade de se reerguerem nas dificuldades e, sobretudo, pela sua experiência vivida do Cristo sofredor, Ele que é o único Senhor e Salvador. Aprendei, portanto, também da sua vida de oração e da sua confiança em Deus”, apelou o Papa Francisco a um grupo de cerca de 70 pessoas formado por representantes da confederação Cáritas. “Trata-se de fazer resplandecer a caridade e a justiça no mundo à luz do Evangelho e do ensinamento da Igreja, envolvendo os pobres para que sejam os verdadeiros protagonistas de seu desenvolvimento”, complementou ele, sobre a missão esperada da Cáritas.

O pontífice convidou os e as agentes Cáritas a terem “coragem profética para refutar tudo aquilo que humilha o homem e toda a forma de exploração que o degrada”. Para isso, devem ter como mestres justamente as pessoas a quem servem, que são aqueles grupos que vivem à margem da sociedade, que estão em situação de vulnerabilidade social e que têm seus direitos e dignidade mais ameaçados. Francisco enfatizou que devemos superar a indiferença e o egoísmo de uma sociedade frequentemente dominada pela cultura do “descarte” para aprender a arte da solidariedade. “Por isso somos chamados a agir contra a exclusão social dos mais frágeis e a trabalhar para a integração destes”, enfatizou.

O Papa Francisco recebeu a delegação da confederação Cáritas no último dia 17 de novembro, durante uma audiência de cerca de uma hora proposta pela Caritas Internationalis e realizada no Vaticano. O grupo era formado pelos membros do Conselho Internacional da confederação, pela equipe do secretariado internacional da Cáritas e pelos coordenadores da confederação nas sete regiões em que a mesma está estrutura no mundo: América Latina e Caribe; América do Norte; Oriente Médio e Norte da África; centro-sul da África; Europa; Ásia; Oceania. O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, presidente da Caritas Internationalis, e o secretário-geral da confederação, Michel Roy, estiveram presentes no encontro.

“Foi uma oportunidade para escutar o Papa. Percebemos o carinho grande que ele tem pela Cáritas, instituição que está enraizada nos mais diferentes lugares do mundo. Ele reafirmou a importância da ação da Cáritas e seu lugar central dentro da Igreja. Compreende o papel da Cáritas e percebe como importante para a Igreja e para a sociedade o seu trabalho com as pessoas empobrecidas”, avaliou Cristina dos Anjos (na foto acima, com Francisco e Tagle), assessora nacional da Cáritas Brasileira e membro do Conselho Internacional da confederação. “Foi uma audiência muito informal. O Papa Francisco dispensou o discurso para dialogar conosco. Ele abriu o microfone para perguntas e foi respondendo a elas. Passava do italiano para o espanhol, se sentindo à vontade com o grupo. Foi um ambiente muito fraterno, de muita abertura. Nos sentimos fortalecidos e fortalecidas no diálogo com ele. Ele nos deu ânimo e nos encorajou para o trabalho”, continuou.

Campanha mundial para refugiados

Durante a audiência, foi apresentada ao Papa a intenção da confederação de lançar uma campanha mundial com o tema migrantes e refugiados, proposta que foi bem recebida por Francisco. “O Papa se preocupa com as pessoas empobrecidas e, entre elas, com os migrantes e refugiados. Ele entende que uma campanha mundial poderá reforçar na sociedade a importância de olharmos para estas pessoas e de ajudá-las. O Papa Francisco considera a ação relevante para a Cáritas e para Igreja. Por isso, quer que a Igreja se envolva e apoie. Também destacou que a campanha deve incomodar, no sentido de tocar as pessoas, de fazer com que elas se preocupem e se mobilizem para a ação com os refugiados. Ele quer que a campanha mobilize as pessoas, para que elas se sintam responsabilizadas com a ação”, apontou Cristina. Um grupo de trabalho criado para discutir as estratégias a serem adotadas terá sua primeira reunião nos próximos dias 5 e 6 de dezembro, em Roma.

O que se avalia, neste momento, é que a campanha deve ser lançada no final do primeiro semestre de 2017, devendo se pautar pela incidência na realidade, com elementos que ofereçam apoio aos migrantes e refugiados e que sensibilizem a sociedade para o tema. Francisco já indicou à Cáritas que irá participar pessoalmente da ação. Afinal, para ele, as Cáritas em ação em cada país “não são agências sociais, mas organismos eclesiais que partilham a missão da Igreja” e que devem continuar realizando “pequenos e grandes sinais de hospitalidade e de solidariedade que têm a capacidade de iluminar a vida de crianças e idosos, de migrantes e refugiados à procura da paz”. “A pobreza, a fome, as doenças, a opressão não são uma fatalidade e não podem representar situações permanentes. Confiando na força o Evangelho, podemos contribuir para mudar as coisas ou, ao menos, melhorá-las, e podemos reafirmar a dignidade de quantos aguardam um sinal do nosso amor”, ensina o Papa.

Por Luciano Gallas / Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira
com informações de Rui Jorge Martins / Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (Portugal)
e da Rádio Vaticano

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