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Juventudes na construção do Bem Viver: memória, testemunho e profecia

21 de setembro de 2018

Entre os dias 13 e 16 de setembro de 2018, cerca de 60 jovens vivenciaram um intercâmbio na terras de Salvador, Bahia, no coração do pelourinho, centro histórico da cidade. O lugar concentra muitas belezas das terras da Bahia e foi escolhido para que as juventudes das Cáritas, que constroem a sociedade do Bem Viver em todo Brasil, ecoassem seus clamores e partilhassem as resistências. Foi um momento de trocas, de afetos, de cuidado, de aprendizagem e construções coletivas.

O caminho percorrido durante os dias iniciou com uma celebração de abertura que retomou a primavera, trazendo a Boa Nova que veio de cada canto do Brasil, pelos inter-regionais. A Bahia os acolheu com seus toques de tambores e muito axé na Baía de Todos os Santos e Santas, sonhos, belezas, encantos e sabores, e também de muitas contradições e resistências. Fizeram rede, abençoados pelo Senhor do Bonfim, semearam canções pelos ventos e reafirmaram que Deus, ouve os clamores do seu povo e desce para libertá-lo para as terras onde correm leite e mel. Partilharam o doce sabor de quebra queixos baianos, e foram acolhidos na terra do Bem Viver e bem conviver.

Retomaram o caminho percorrido pela Cáritas que, em 2011 coloca a juventude como público prioritário em seu estatuto, e reconhece que seu Rosto também é Jovem, realiza encontros internacionais e nacionais de juventudes, participa de grandes eventos da Igreja e fora dela, estabelece redes, e consolida sua política de infância adolescência e juventude em 2016, colocando os jovens como iniciativa nacional dos dois anos seguintes.

No segundo dia do encontro, em diferentes Baías: de todos os gêneros, de todas as raças, de todos os campos, de todas as crenças e de todos os sonhos, discutiram temas que afetam os jovens na contemporaneidade, e são produtores de violências contra eles como, a intolerância religiosa, a discriminação racial e de gênero, a violência do campo, e a impossibilidade de sonhar, realidade de muitos e muitas jovens nas periferias no campo e na cidade. Reafirmaram sua fé e fizeram pedidos na Igreja do Senhor do Bonfim, e visitaram o santuário de Irmã Dulce dos pobres, que fazia caridade a qualquer um que precisasse e tinha os pobres como irmãos. 

A noite foi animada pelo aniversário dos 30 anos dos Regionais da Cáritas no Nordeste 3 , Ceará e Piauí, que demonstraram sua gratidão ao caminho percorrido, e com muita alegria e animação celebraram junto aos jovens do Brasil, demonstrando a felicidade de receber a resistência dos jovens do Brasil.

No último dia, a partir de uma experiência da rede, em Águas Claras, bairro periférico de Salvador, os jovens participaram junto a crianças e adolescentes de oficinas culturais de capoeira, dança e turbantes, conhecendo também um pouco da história da mobilização comunitária e retomada de laços familiares e culturais daquele local, e almoçaram as delícias preparadas pela comunidade.

Foram recebidos de volta ao Convento Franciscano, casa que os acolheu neste período com muita alegria e disponibilidade, com uma apresentação cultual que demonstrou toda a forma feminina das jovens mulheres da Bahia, e por inter-regionais construíram caminhos de compromissos e possibilidades pra rede Cáritas Nacional, e pensaram em possibilidades de ações nos seus locais.

O encontro se encerrou, fazendo memória dos que se perderam no caminho da luta pela construção do Bem Viver, e se solidarizando com uma das jovens do encontro que perdeu um parente, jovem, no país que mata mais jovens do que os países em guerra. Entoando o Pai nosso dos Mártires, pelas ladeiras do Pelourinho, encerraram com uma ciranda na praça do cruzeiro, com a força dos elementos da natureza e do exemplo da vida de tantos e tantas companheiros que tombaram e deixaram seus exemplos de Escutar os Clamores e Partilhar a Resistência na construção da sociedade do Bem Viver.

O Intercâmbio Nacional contou com o apoio da KNH e da Kindermissionswerk, organizações da Alemanha que atuam no Brasil para a defesa e promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, potencializando e favorecendo o desenvolvimento integral, formação e mobilização comunitária dos sujeitos e seus territórios.

Por Laísa Campos

Assessora para Infância Adolescência e Juventudes na Cáritas Regional Minas Gerais, e membro da Comissão Nacional de Infância, Adolescência e Juventudes pela Cáritas Inter-regional Sudeste.

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