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Migrantes venezuelanos em Santa Catarina aguardam oportunidade de emprego

22 de agosto de 2019

A ação #EuMigrante, da Cáritas Brasileira, ajuda refugiados a encontrar o caminho para uma nova vida

Desde o ano passado, Santa Catarina tornou-se uma das áreas para acolhimento de venezuelanos no Brasil, saídos da fome e da crise econômica e social por que passa sua terra natal. Atenta a esse quadro, a Cáritas Brasileira – entidade comprometida com a promoção, atuação social e defesa dos direitos humanos – apoia a inserção profissional dos migrantes por meio da campanha #EuMigrante, uma ação do Programa PANA que permite, por meio do endereço na internet https://eumigrante.org/oportunidades, o anúncio de vagas de trabalho, bem como a postagem, pelos candidatos, de seus currículos. A palavra PANA na Venezuela significa irmão, companheiro, aquele que come do mesmo pão.

Florianópolis ainda tem cerca de 40 venezuelanos em busca de emprego e com condições de trabalhar. Desde o início, o #EuMigrante já proporcionou a recolocação profissional de 32 deles – o que beneficiou 81 familiares que se encontravam em situação de vulnerabilidade social (como pais, filhos e cônjuges), garantindo-lhes mais independência e qualidade de vida. Novamente empregados, eles conseguem desligar-se do programa, manter-se economicamente e alugar um imóvel para recomeçar a vida.

Até agora, a Cáritas recebeu em suas casas de acolhimento 158 pessoas originárias do Programa PANA. Além dos números oficiais, estima-se que existem atualmente mais de 300 venezuelanos em todo o estado de Santa Catarina. Incluindo imigrantes de outras nacionalidades, o número pode ser bem maior. Por exemplo, só os cadastrados nos serviços de assistência social são aproximadamente 7 mil. E acredita-se que muitos nunca tenham procurado as ações disponibilizadas por programas de governo ou do terceiro setor.

Documentação

Vale ressaltar a importância de cada migrante estar em dia com seus documentos e cadastrado em programas como o da Cáritas para buscar vida nova. Mesmo adaptado no Brasil, o imigrante ilegal terá o acesso dificultado a alguns direitos, como ao atendimento na rede pública de ensino e de saúde. Além disso, o migrante sem registro estará fadado a lutar no mercado informal de trabalho, sem os direitos previstos em lei. Por isso, o #EuMigrante é sinônimo de tranquilidade para empresários e empreendedores na hora de contratar profissionais. 

Segundo a educadora social do projeto Pana em Florianópolis, Camila Betoni, a fase mais decisiva para um migrante é a da primeira integração laboral, sua inclusão produtiva. “Se a pessoa não conhece um novo trabalho, tudo fica mais difícil e complicado para se falar em uma nova vida. Por outro lado, quando começa a trabalhar, o migrante cria laços de amizade com seus colegas. Assim, equipe e empresa tornam-se uma rede de apoio para ele. Isso representa auxílio até para outros problemas cotidianos, como mobiliar sua nova casa, resolver alguma documentação e aprender mais o português. E a empresa ganha com uma cultura mais internacionalista, capaz de ajudar até mesmo na inovação”, explica.

Lorendy Rodriguez, 27 anos, é uma das migrantes venezuelanas atendidas pelo #EuMigrante. Desde maio, ela trabalha no Centro Educacional Marista Lucia Mayvorne, em Florianópolis. A ex-assistente administrativa aceitou recomeçar a vida no Brasil como auxiliar de serviços gerais. “Estou achando tudo bom. Aqui na empresa temos um ambiente muito legal. A direção, meus colegas e os alunos me tratam muito bem desde que cheguei”, garante. Quando não está trabalhando, o lazer preferido de Lorendy é passear nos parques com o filho, Jesus Alejandro, e o marido, Lizandre Jesus. Passados os piores dias de incerteza e dificuldades, Lorendy já faz planos para o futuro: “Quero voltar a estudar aqui no Brasil e me formar em Administração”.      

O coordenador administrativo-financeiro da Rede Marista de Solidariedade, Felipe Eugênio, elogia a migrante contratada. “A Lorendy é uma mulher positiva, com muita vontade de trabalhar. Quando começou, ela morava longe, em um imóvel da Cáritas, e mesmo assim jamais se atrasou. Temos um procedimento operacional que às vezes exige a realização de horas extras, e ela sempre está à disposição.” Depois que a vida melhorou, Lorendy mudou-se para bem perto do trabalho e conseguiu uma creche próxima para o filho. Seu marido já trabalhou como cozinheiro no Brasil, quando eles chegaram a Boa Vista (RR), e agora busca um emprego na região para ficar mais perto da família. 

O gestor da Rede Marista de Solidariedade recomenda a aposta a outras empresas que queiram dar uma chance para refugiados e, ao mesmo tempo, enriquecer suas equipes. “É importante a empatia para se colocar no lugar de outras pessoas e compreender suas dificuldades, com um olhar humano, além do profissional. Não se deve enxergar um refugiado como alguém que só veio para tomar o emprego de outra pessoa”. Por outro lado, Felipe Eugênio destaca que a análise de cada candidato em uma seleção continua sendo totalmente profissional para o correto preenchimento da vaga.

 

SERVIÇO

Para disponibilizar uma vaga de trabalho e conhecer o perfil dos profissionais venezuelanos cadastrados, acesso https://eumigrante.org/oportunidades.

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