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Igreja do Brasil e do Congo compartilham experiências no Seminário da Repam

18 de novembro de 2017
REBAC 1

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Rede Eclesial da Bacia do Congo (Rebac) estão reunidas em Brasília (DF), de 16 e 18 de novembro, para juntos dialogar, consolidar um intercâmbio de experiências e buscar o fortalecimento das respectivas Redes. 

O Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, ao acolher a delegação do Congo, enfatizou que o Brasil deve muito à cultura africana, ao espírito de solidariedade e partilha dos povos da África. E lembrou que, ao partilhar com a delegação esses dias de reunião, faz-se memória dessa herança recebida. 

O Secretário ressaltou a necessidade de partilhar com as Conferências Episcopais do Congo e aprender como cuidar do pulmão do mundo, a Amazônia e a Bacia do Congo, neste caso em discussão, e como evangelizar nessas realidades. “Queremos aprender mutuamente. O Brasil tem uma grande diversidade, que é uma riqueza e um desafio para a evangelização. Isso exige uma atenção especial”, disse.

Dom Louis Portella Mbuyu, da Conferência Episcopal do Congo-Brazzaville, compartilha da mesma preocupação, o meio ambiente. Ressaltou que as questões ambientais têm um impacto social, econômico e inevitavelmente espiritual na vida do povo. “Estar aqui é uma grande oportunidade. A África está presente no Brasil a partir da História. Não nos sentimos estrangeiros, sentimo-nos em casa. É uma alegria viver este momento de compartilhamento”, afirmou. Dom Louis ressaltou admirar o engajamento da Igreja do Brasil no combate evangélico em relação aos impactos socioambientais na Amazônia, no Brasil. “Temos a mesma preocupação com a Bacia do Congo, precisamos dar as mãos e caminhar juntos. É um desafio evangélico. O papa Francisco convida nos unirmos e viver de outra forma no planeta. Que o Senhor nos ajude a aproveitar dessa experiência. Para que juntos possamos responder ao apelo que nos faz o papa”, observou. 

O Secretário Executivo da Repam, Mauricio Lopez, expressou gratidão pela possibilidade de caminhar juntos: Rebac e Repam. “Os gritos da realidade são muito grandes e somos limitados para responder sozinhos”. Mauricio lembrou que o papa convida a ouvir atentamente os gritos da realidade. “A morte está acontecendo. As pessoas que estão nos territórios estão sofrendo muito pelos interesses de poucos que estão explorando recursos naturais. É um apelo a olhar para além das estruturas e limites e responder juntos”. 

Voz da Amazônia

Darlene Braga, da Comissão Pastoral da Terra (CPT-Acre), conta que acompanha os camponeses que são expropriados de sua terra no estado do Acre e Sul do Amazonas. “Tudo se resume a mercantilização da natureza e isso faz com que os camponeses sejam expulsos de suas terras, perseguidos e assassinados. Existem verdadeiros massacres, as leis flexibilizadas”. Darlene ressaltou o trabalho da Igreja nessa região, “todos os assentamentos e reservas extrativistas são acompanhados diretamente pela Igreja Católica”, disse. 

Benedito Alcântara, da Repam-Amapá, conta que seu estado é o mais preservado do Brasil. Mantem-se uma vegetação nativa, mas a mercê de um projeto avassalador numa lógica como se não tivessem pessoas, e com foco na exploração de rios, animais e floresta. “Vivemos um dilema, uma população que apesar de tudo, conseguiu preservar”, e lembrou o poeta amazonense, Thiago de Mello: “Não tenho um caminho novo, mas um jeito novo de caminhar”. Benedito lembrou ainda que a Amazônia está na rota nacional e internacional de tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças e o Estado é ausente diante dessa problemática. “Cada comunidade deve buscar articular, defender e resistir. Temos muitas riquezas humanas, culturais”, defendeu. O encontro de diálogo Repam e Rebac segue até hoje (18).

Comitiva da Rebac presente no seminário geral da Repam

Comitiva da Rebac presente no seminário geral da Repam

Rebac

A Rede Eclesial do Congo (Rebac) nasceu em novembro de 2015 e tem por objetivo principal ser uma voz no cuidado do entorno natural da Bacia do Rio Congo e busca sensibilizar e incrementar o conhecimento e a compreensão, entre as comunidades, das mudanças climáticas, o compromisso na luta a seus efeitos, a proteção da biodiversidade, a promoção de um modelo sustentável e o diálogo com outras redes internacionais. 

As entidades fundadoras da Rebac são: a Comissão de Justiça, Paz e Desenvolvimento, Caritas África, Simpósio de Conferências Episcopais da África e Madagascar (Secam) e o Apostolado Social Jesuíta no Continente Africano. 

O Rio Congo é o segundo maior rio da África, após o Nilo, e o sétimo do mundo, com uma extensão total de 4.700 quilômetros. É o primeiro da África e o segundo do mundo em volume de água. 

Repam

A Rede Eclesial Panamazônica (Repam), foi fundada em setembro de 2014. Entidades fundadoras: Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Secretariado da América Latina e Caribe de Cáritas (SELACC), Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR).  A Rede abrange os nove países do bioma amazônico: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Seu objetivo é consolidar e fortalecer a ação evangelizadora da Igreja Católica na região amazônica, ouvindo os clamores dos povos, articulando, apoiando e visibilizando iniciativas de defesa da vida humana e da biodiversidade, possibilitando o intercâmbio de saberes e ações caracterizando um trabalho em rede.

Por Osnilda Lima
 

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