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Homilia de Dom José Antonio Marques, arcebispo de Fortaleza/CE

15 de abril de 2016
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Terça-feira da III Semana da Páscoa – 12 de Abril de 2016.

(Irmãos Cardeais, Arcebispos e Bispos.
Irmãos Presbíteros e Diáconos
Irmãos e Irmãs Religiosos e Religiosas
Irmãos e Irmãs Leigos e Leigas
Devotos de Nossa Senhora Aparecida presentes neste Santuário Nacional
Irmãos e Irmãs, que nos acompanham pela TV, Rádio e Internet)

“Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu.
Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Neste tempo pascal, revivemos o encontro com o Senhor Ressuscitado. A Liturgia da Igreja na proclamação do Evangelho sempre retorna à apresentação de Jesus, que se manifesta aos discípulos com a novidade de Sua vitória sobre a morte. Ele é o Verdadeiro Deus feito Verdadeiro Homem, que através do dom de si até a morte é agora o Vivente para sempre. Ele é o Cordeiro Imolado de pé diante do Pai, como o apresenta o vidente do Apocalipse. São retomados também seus discursos no Evangelho segundo João, onde Jesus se apresenta como Aquele que é.

No Evangelho que hoje foi proclamado, ao se apresentar como o “verdadeiro pão do céu”, que é dado pelo Pai, Jesus se mostra como Aquele que veio para uma vida maior do que aquela que o Povo de Deus experimentou no deserto ao ser libertado para a Terra Prometida. Aqueles comeram o pão do céu dado por Moisés, mas morreram. Aqueles que comerem o pão do céu dado pelo Pai, não morrerão. A oferta da Terra Prometida é superada em sua visão terrena para um destino muito além. A oferta da Lei em pedra é suplantada pela lei no Coração.

A Ressurreição de Jesus será a realização deste novo destino para o homem, para o Povo de Deus agraciado pelo Pai em Jesus. Ao se referir como o pão do céu que é dado pelo Pai para a vida do mundo, Jesus está se referindo à Sua oferta total de Amor a ser consumada na Cruz. Este mesmo dom ele sinalizará e dará sacramentalmente na Eucaristia: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós”. “Este é o cálice do meu sangue que será derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados”.

O verdadeiro pão do céu é o Senhor que se dá em amor até o extremo – oferta total de si, dom total e incondicional. Este Amor é que dá vida ao mundo, vida plena, vida verdadeira. Ao referir-se a seu Corpo como verdadeira comida (pão) e a seu Sangue como verdadeira bebida, Jesus está relacionando sua oferta ao Sacrifício que ela comporta. Ele se apresenta como refeição sacrifical. Chama a uma comunhão de vida que levará ao mesmo dom total de amor.

São também palavras suas: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. O dar a vida caracteriza o Seu Amor, dado aos discípulos como Mandamento Novo e Seu: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” E seu Sacrifício de entrega por Amor perpetuado como memorial, Nova e Eterna Aliança que será a presença sacramental, dom de graça e escola do verdadeiro Amor, da Misericórdia, do Perdão, da Comunhão.

O Amor que dá a verdadeira vida está no dom de si até o extremo, sem limites, em sacrifício, oblação de si. Deste dom cruento que chega a se consumar na cruz é que vem a Vida – a Ressurreição, expressão da plenitude do Reino de Deus. Este Amor faz acontecer o Reino de Deus, que não pode acontecer de outro modo.

Não é na busca da prosperidade terrena a qualquer custo que o Reino de Deus acontece e se exprime, mas num modo novo de viver o dom de si, no pagar com o preço da própria vida: vitória sobre a indiferença e o egoísmo, vitória da vida para todos, do bem comum, da mais real solidariedade com a humanidade. Esta será a nova Lei, aquela escrita nos corações, que tornará realidade o mundo novo, as coisas todas feitas novas conforme o projeto misericordioso de Deus.

Assim Jesus mostra o caminho da verdadeira realização humana, que passa pela transformação do coração, das intenções, com todas as suas consequências nas ações concretas da vida. Nasce assim uma nova sociedade do Amor, da comunhão de todos no dom, da busca do bem para todos: todos que comem do mesmo pão e bebem do mesmo vinho – Corpo e Sangue do Senhor, Seu Amor ao Extremo – entram na realização plena da Humanidade em Deus. 

A narrativa do testemunho de Estêvão, como a temos nos Atos dos Apóstolos, exemplifica na vida do discípulo o seguimento de Jesus. Estêvão chama a todos para a vida que está em Jesus e expressa em si mesmo a imagem do Senhor em seu Amor até o extremo: na fidelidade incondicional à vontade do Pai. Chama a atenção do povo, das autoridades, dos doutores da Lei para a dureza de seus corações e mentes diante da manifestação condescendente de Deus que a todos chama para a vida verdadeira, mostrando o resultado contraditório de suas próprias ações. E rejeitado, executado, intercede pelo perdão de seus assassinos. Esta Misericórdia do Senhor contagiou o discípulo. E ele poderá contagiar outros: como o próprio Jesus o fez, dando a vida pelo mundo. 

É significativa a alusão à presença de Saulo de Tarso como testemunha e conivente com a lapidação de Estêvão. Esta alusão indicará a semente deixada no coração naquele que, convertido pelo Senhor, será seu vaso eleito – Paulo, o apóstolo – para a missão do Evangelho entre todas as gentes. É esta a missão que aqui também nos reúne. Da vida doada na oblação de si por Amor se fecunda a missão, como já o tinha previsto Jesus: “Se o grão de trigo caído por terra não morrer, ficará só; mas, se morrer, produzirá muitos frutos”. Assim foi sempre na vida da Igreja: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

Hoje também, irmãos e irmãs nossos, no seguimento de Jesus, dão a vida por Amor e suportam o Sacrifício de tantas formas, também até a morte. Este sangue derramado é fecundo, dele se constrói o Reino do Amor, do Amor que é mais forte do que a morte. A busca da plena vida para todos passa por esse dom de vida. E as relações humanas nascem de outra fonte que não o egoísmo. Nascem do dom por todos. Sem esta transformação tudo está destinado à morte, à destruição, ao passageiro sem futuro. Nada poderá permanecer. Mas a esperança do mundo novo sempre se faz presente. Na vida doada está plantada a ressurreição.

Queridos Irmãos e Irmãs,

Estamos vivendo nas graças da Páscoa do Senhor esta nossa Assembleia Geral da CNBB. A Igreja no Brasil se reúne em comunhão para buscar na fonte do Senhor Ressuscitado presente entre nós toda a força de sua missão evangelizadora. E com os irmãos e irmãs leigos e leigas chamados a ser Sal, Fermento, Luz para o mundo.

A Igreja, no seguimento do Senhor, da Misericórdia que recebe, testemunha a caridade de muitas formas no dom da vida para todos. Celebramos com gratidão os 60 anos da criação da Cáritas Brasileira, com as muitas obras de misericórdia que o próprio Senhor a leva a realizar para a vida plena para todos, especialmente dos mais necessitados.

Esta força está no Senhor Ressuscitado entre nós, que age em nós e por nós. Será pela manifestação do Amor Misericordioso que a Igreja, como o Senhor, se doará por todos e levará adiante o Evangelho: “O pão do céu para a vida do mundo”.

Rezamos para que sejamos Misericordiosos como o Pai, para que a Misericórdia possa contagiar o mundo, que dela tanto necessita.

José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo de Fortaleza/CE

SOS HAITI FURACÃO

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