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Grito dos Excluídos/as convoca povo brasileiro para a luta

05 de setembro de 2016

A 22ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, que vai ocorrer nesta quarta-feira, 7 de Setembro, em várias cidades brasileiras, está convocando a população brasileira para resistir à retirada de direitos sociais que se anunciam com a derrubada do governo da presidenta Dilma Rousseff por decisão do Senado Federal, tomada no último dia 31 de agosto. “Este é um grito que deve alertar o povo sobre a gravidade da situação e a necessidade de lutar. A crítica está sendo sufocada e ela tem de voltar às ruas. Essa é uma ditadura disfarçada de democracia, que quer passar sobre o povo”, afirma o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior.

Com o lema ‘Este sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata’, o Grito dos Excluídos e Excluídas pretende superar as posições partidárias e eleitorais, buscando o fortalecimento da democracia. Para Plínio de Arruda Sampaio Júnior, o momento brasileiro não difere do que ocorre em todo o mundo, com a crise obrigando os poderes econômico e político a reorganizar o sistema capitalista de forma a “ampliar a exploração dos trabalhadores”. É nesse contexto que o economista avalia a retirada do poder de uma presidenta eleita com o voto de 54 milhões de brasileiros e brasileiras. Entretanto, Plínio ressalta que o Grito dos Excluídos/as deve estar “acima da disputa partidária, buscando uma revolução democrática e reformas estruturais que não foram realizadas por nenhum governo até agora”.

“O grito chega em um momento trágico. No dia 7, a parada cívica [desfile de 7 de Setembro] vai ser conduzida por um presidente ilegítimo, um usurpador. E quem está sendo usurpado é o povo, que disse não ao ajuste fiscal e a qualquer perda de direitos nas eleições. Querem reduzir as políticas sociais para dar mais dinheiro aos rentistas”, avalia Plínio.

O lema deste ano do Grito dos Excluídos e Excluídas está baseado no pronunciamento do Papa Francisco durante encontro com movimentos sociais, realizado na Bolívia no ano passado: “Este sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata”. A frase trata dos problemas sociais e ambientais causados pelo modelo capitalista de produção. Na quarta, dia 7, vão ocorrer manifestações em centenas de cidades de 24 estados.

Em Brasília, a concentração para o ato ocorrerá em frente à Catedral, a partir das 8h30min, seguida de caminhada pela Esplanada dos Ministérios. Em São Paulo, o Grito dos Excluídos vai se reunir na Praça da Sé, no centro da capital, a partir das 9 horas. Às 10 horas, será realizada uma marcha pelo centro da cidade. No município de Aparecida (SP), onde será realizado o V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira de 9 a 13 de novembro, o ato ocorrerá em conjunto com a 29ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras. A concentração se dará no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, transformando o ambiente que recebe milhares de fiéis por dia em espaço de denúncia das várias formas de desigualdades vividas no país.

Criminalização de lideranças e movimentos

Dom Milton Kenan Júnior, bispo de Barretos (SP), enfatiza que é preciso estar “unido ao povo na reconquista de seus direitos”. Ele se mostra preocupado com os atuais riscos impostos à soberania popular e aos direitos sociais.“Há algumas semanas, me chamaram atenção para a criminalização dos movimentos sociais, com gente sendo presa sem cometer crime algum. Também nos damos conta das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) encaminhadas pelo novo governo, que reduzem os gastos sociais, além de ações para tirar da Justiça o poder de implementação da Lei da Ficha Limpa e entregá-lo aos Legislativos. O desafio da Igreja hoje é ajudar o povo a perceber os riscos que corre e a se organizar para retomar lutas de 30 anos atrás”, aponta dom Milton Kenan.

O tema principal do grito, ano após ano, tem sido a defesa da vida. Em 2016, a articulação procura evidenciar a defesa da “vida em primeiro lugar”. “Nos preparamos para um momento difícil de enfrentamento a um sistema que põe a vida em último lugar”, ressalta Soniamara Maranhão, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Segundo ela, o objetivo do Grito dos Excluídos segue sendo construir um projeto popular de país, sobretudo “para enfrentar os golpes que ainda virão”.

Ela avalia que o mesmo processo que levou à consolidação do impeachment vai levar a perdas de direitos históricos da população, ampliando a parcela de excluídos em nossa sociedade. Além disso, o novo governo já anunciou a intenção de privatizar estatais e bens públicos, assim como de realizar reformas na Previdência social e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que não vão beneficiar a população.

Sobre a violenta repressão policial aos movimentos sociais que se posicionam de modo crítico ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Ari Alberti, da coordenação nacional do Grito, pondera não ser uma novidade, já que igualmente ocorreu em edições anteriores do ato. Ele considera grave, entretanto, a forma como Michel Temer expressou que irá tratar os críticos do seu governo. Sendo assim, “não podemos ficar em casa esperando algo mudar”, diz Ari, que cobra da imprensa uma postura de “expôr fatos e não versões”. “A maior defesa que a gente tem é o povo na rua. Eles radicalizaram no ataque à democracia. Nós temos que radicalizar na defesa da democracia”, corrobora Plínio.

Por Rodrigo Gomes / Rede Brasil Atual, com edição da Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira

Veja mais informações sobre o Grito:

Carta de apoio da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz / CNBB

Grito dos Excluídos e Excluídas debate papel do Estado diante das desigualdades

Acesse abaixo o material de divulgação:

Vídeos do Grito dos Excluídos e Excluídas 2016

Spots de rádio com chamadas para o Grito dos Excluídos/as

Publicação Rodas de Conversa – 22º Grito dos Excluídos/as

Cartazes de todas as edições do Grito dos Excluídos

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