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Grito dos Excluídos: Ato marca lançamento da mobilização no Distrito Federal

09 de agosto de 2017

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“Por Direitos e Democracia a Luta é Todo Dia”, este é o lema da 23ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas em sua 23ª edição. A noite de terça-feira (8) foi marcada pelo ato de lançamento no Distrito Federal dessa mobilização que acontece nos quatro cantos do Brasil e reúne organizações religiosas, movimentos populares e pastorais sociais.

O evento que aconteceu na Cúria Metropolitana de Brasília reuniu mais de 30 entidades. Representando a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Olávio Dotto abriu o evento lembrando o histórico das mobilizações que configuram o Grito desde 1995 e destacou que esta incidência não se resume ao dia em que celebramos a Independência do Brasil. “Nós precisamos continuar visibilizando o rosto da exclusão e o sistema que gera a exclusão. Aí está o dinamismo do Grito, nós unirmos as forças e na diversidade irmos para as ruas, mobilizar as rodas de conversa, debater as situações que geram a exclusão. O grito não é só o Sete de Setembro, é todo processo que culmina nele, é uma articulação permanente. O Grito precisa ser um chamamento à luta diária por direito e democracia”, afirmou. 

A militante do Levante Popular da Juventude, Laura Lyrio destacou a importância do vínculo que existe entre os movimentos populares e os movimentos e pastorais da Igreja na construção cidadã que o Grito dos/as Excluídos/as tem gerado ao longo dessas duas décadas de realização. Lembrando a mística dos lutadores e lutadoras do povo, Laura destacou a frase de dom Tomás Balduíno: “Direitos humanos não se pede de joelhos. Exige-se de pé”. A jovem destacou ainda que na diversidade os grupos que dão vida ao processo de construção do Grito tem uma causa comum: “a luta popular e a luta pela vida é uma só luta, esse processo de resistência, de mobilização permanente é uma luta em defesa da vida e já realizamos muitas lutas por memória, verdade e justiça”, concluiu.

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Lembrando o contexto atual de toda América Latina, a secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), pastora luterana Romi Benck iniciou sua fala com uma provocação: “Qual é o Deus que está regendo a fé dos parlamentares? É o Deus mercado. O Grito dos/as Excluídos/as tem a característica de ser uma mobilização com forte motivação da fé, da espiritualidade, em que nós nos movemos, reivindicamos e profetizamos sobre aquilo que não vai bem, é o espaço em que nós denunciamos tudo o que agride a vida, é o espaço em que excluídos e excluídas do sistema reivindicam transformação! E a gente poderia se perguntar, nesse contexto do Grito, qual seria o nosso grande desafio quando a gente fala em direito e democracia? Talvez a gente poderia pensar em uma das grandes mensagens do Evangelho de que nós somos livres pra dizer não ao totalitarismo. Nós vivemos em um país altamente autoritário e as Igrejas também gostam dos seus autoritarismos e não sabemos falar em liberdade”.

Benck ainda desafiou as entidades e organizações populares a pensar em caminhos de desobediência como resposta a esse momento de forte repressão e graves ataques a direitos já conquistados. “É importante que a gente tenha e fale da desobediência, porque dentro das Igrejas falamos em obediência, só que a obediência no sentido que a gente entende aqui ela é autoritária e agora não precisamos de nenhum tipo de autoritarismo. A gente precisa redescobrir a liberdade e a nossa capacidade de desobedecer a esse Deus do mercado que está querendo condicionar as nossas vidas e que se alimenta do corpo e do suor de trabalhadores e trabalhadoras, que se alimenta da violência que mata e dizima mulheres, povos indígenas, LGBTs, juventudes… então nós temos uma grande tarefa nesse Grito que é a de denunciar a idolatria praticada pelos fundamentalistas de mercado. Talvez ao invés de ficar debatendo se teremos ou não eleições no próximo ano, devêssemos assumir a nossa coragem e anunciar a desobediência, uma desobediência que talvez nos faça acordar e identificar caminhos alternativos que nos conduzam a novas formas de organizar a vida e conduzir a nossa existência. Temos um caminho árduo pelo frente, como por exemplo, revogar as medidas que atacam os direitos de trabalhadores e trabalhadoras. Quem disse que temos que aceitar essas medidas? Pensar nesses caminhos de desobediência é o nosso grande desafio!”, concluiu.

Endossando a fala da pastora Romi, o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Claúdio Mandela, destacou que a sociedade brasileira não está desanimada, está descrente nas instituições. “Não temos Legislativo, não temos Executivo, nós perdemos completamente a fé, precisamos perder agora o medo do Judiciário. Quando as instituições não funcionam a desobediência civil é o caminho”, constatou.

 Por Jucelene Rocha

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