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Esperança, Resistência e Profecia deram o tom do Inter-regional Sudeste

28 de agosto de 2019

Cáritas da região sudeste se encontram para compartilhar as ações e se prepar para a Assembleia Nacional.

As Cáritas da região Sudeste se encontraram para compartilhar e articular as ações, bem como se preparar para a Assembleia Geral da Cáritas Brasileira. Inspirados pela comunidade de Lucas “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21,28), os agentes das Cáritas do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo se reuniram no Inter-regional Sudeste, entre os dias 15 e 17 de agosto, em Vitória (ES). 

Na programação, os participantes analisaram a conjuntura; refletiram sobre o Bem Viver a partir da vivência na aldeia guarani Três Palmeira; discutiram as Diretrizes da Igreja do Brasil para o quadriênio de 2019 a 2023; compartilharam as ações realizadas em seus territórios; monitoraram os espaços de gestão da rede Cáritas e indicaram nomes para a eleição da nova diretoria nacional. Com a presença do arcebispo da Arquidiocese de Vitória, dom Frei Dario de Campos, o encontro girou em torno da preparação para a 24ª Assembleia Geral da Cáritas Brasileira, que acontece de 19 a 23 de novembro, em Teresina (PI).

Veja AQUI mais fotos do encontro. https://flic.kr/s/aHsmGvq3FR 

A assessora da Cáritas Brasileira, Hildete Emanuele, que participou da atividade, explica que a rede tem como base principal as entidades-membro presentes em todo o país. Ela destaca que a instância do Inter-regional dá a possibilidade para a rede conhecer melhor cada trabalho e ação desenvolvida. “Esse é um espaço de troca de experiências, articulação, comunhão e diálogo muito importante para a Cáritas”, afirma. 

Para Rafael Aquiles Coffer, secretário regional da Cáritas no Espírito Santo, a Assembleia Nacional irá fortalecer muito o entrosamento das entidades-membro com a Cáritas Brasileira. “Enquanto regional, um ente da nacional no estado, nos cabe estreitar essa relação, tornando-a mais possível”, explica.

Resistência

Durante o encontro, os agentes participaram de um espaço de análise de conjuntura, que contou com a contribuição da professora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e doutora em Educação, Marlene Cararo; e do professor e educador social, Jocelino da Conceição. 

Marlene apresentou o relatório da Oxfam de 2019, organização humanitária com atuação internacional, que mostra que as 26 pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza dos 3,8 bilhões mais pobres, o que corresponde a 50% da humanidade. Os dados evidenciam que a riqueza está ainda mais concentrada. “Desde a crise econômica de 2007, o número de bilionários dobrou no mundo, portanto as crises favorecem os mais ricos”, disse a professora. 

Jocelino tratou dos principais desafios para os agentes sociais no Brasil atualmente e provocou os participantes a refletir sobre seu papel enquanto promotores de transformação social. A partir de seu histórico de vida, tendo nascido em uma periferia de Vitória e estudado em escola pública, ele defendeu a educação pública de qualidade e chamou atenção para a emergência da proteção social de crianças e adolescentes.

Os participantes ainda aprofundaram na discussão sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o próximo quadriênio, a partir das contribuições do padre Kelder José, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.

Esperança

Na tarde do segundo dia do Inter Sudeste, os agentes da Cáritas foram recebidos pelo povo indígena guarani, no município de Aracruz (ES). A vivência na aldeia Mboapy Pindo, que em português significa Três Palmeiras, proporcionou aos participantes vivenciar e refletir, a partir dos saberes deste povo, o tema da 24ª Assembleia Geral da Cáritas Brasileira – “Bem Viver: Esperança, Resistência e Profecia”. 

Em um território de 19.500 hectares, com 10 aldeias, sendo 5 guaranis e 5 tupiniquins, o cacique Nelson falou sobre a relação com a natureza, com Deus, com os não índios, com o tempo, a cultura, entre outras dimensões da vida deste povo originário. 

Tanto os guaranis, quanto os tupiniquins desse território são atingidos pelo crime da Samarco (Vale e BHP Bilinton) com o rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, em Mariana (MG). Mesmo distante muitos quilômetros do município de Minas Gerais, a lama de rejeitos da mineração, que chegou pela foz do rio Doce, também atingiu a vida na aldeia. “Antes, os jovens tomavam banho no rio e no mar. Hoje, a gente vê o mar vermelho de lama, não podemos tomar banho, nem pescar”, relatou o cacique. 

Ele lembra que a aldeia sempre contou com muitas visitas, mas desde o rompimento não receberam mais ninguém. “Vocês são os primeiros visitantes que recebemos”, disse ao ressaltar que o povo guarani está lutando para que a empresa reconheça o erro e seja punida. 

Profecia

O último dia do Inter-regional Sudeste foi dedicado à partilha dos processos preparatórios de cada regional para a Assembleia Nacional. Com base nessa partilha, os participantes monitoraram os espaços auxiliares de gestão e indicaram os nomes para a nova diretoria da Cáritas Brasileira, que será eleita durante a assembleia.

O secretário regional da Cáritas Minas Gerais, Rodrigo Pires, acredita que o processo de unir os debates a partir das entidades-membro e dos regionais, demonstra amadurecimento e organização da rede.  “A importância desse Inter-regional é nos sentirmos rede quando fazemos as indicações conjuntas, a análise de conjuntura e a visita de intercâmbio juntos, para que, cada vez mais, as Cáritas avancem no processo de identidade”, explica.  

Embora cada regional do Inter Sudeste esteja em um nível de articulação e organização, o encontro semeou a esperança nos agentes da Cáritas que estiveram presentes. É o que falou a vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana de Campinas, Rita de Cássia Marchiore: “A Cáritas tem que continuar insistindo. Não temos todas as respostas, mas o momento não é de ter respostas, mas de não desistirmos de procurá-las”. Rita lembrou das palavras do papa Francisco ao afirmar que nesse momento muitas pessoas precisam do apoio da Igreja. “Nosso papel é continuarmos sendo persistentes, corajosos e irmos em frente”, concluiu.

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Texto: Lívia Bacelete, comunicadora popular da Cáritas Regional MG

Fotos: Francielle Oliveira, comunicadora popular da Cáritas Regional MG

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