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ESPECIAL JMJ – Juventudes da Cáritas na Jornada Mundial da Juventude: olhar para dentro e para fora

15 de agosto de 2014

“Quanto a nós, não podemos nos calar diante do que vimos e ouvimos” (At 4, 20)

A Jornada Mundial da Juventude das juventudes da Cáritas da América Latina e do Caribe começou no I Encontro Internacional de Jovens da Cáritas. Lá muito se refletiu sobre as contradições na igreja e as jornadas de junho com uma série de reivindicações, entre elas, as críticas a mega eventos como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e, por que não dizer? Contra a Jornada Mundial da Juventude também, que contou com denúncias higienização, uso indevido de recurso público e exploração de mão de obra tal qual as outras. A reflexão continuou na Semana Missionária. Por isso, por princípio, de 23 a 28 as/os jovens que estavam juntos desde o dia 13 buscaram o carisma da JMJ sem ignorar o poder.

“Encontrar o papa? Realmente uma sensação única”, como afirma Marcelo Botura, da Cáritas Regional Paraná. Mas afim de que a jornada não fosse só evento pontual, a jornada para Cáritas Brasileira começou um pouco antes, e um pouco mais longe. Cinco jovens foram enviados a Madri em 2011 (Todos eles estiveram presentes no Rio) para observarem o que poderia haver de mais proveitoso para participação com rosto, cores e sabores próprios da instituição. Foi dessa conexão Brasil-Espanha, aliás, que surgiu recurso para tornar possível a ação de reunir jovens desta organização oriundos de diferentes países para construírem processos na jornada.

Se Cáritas Espanhola, com o apoio financeiro a esse caminho, contribuiu para as juventudes das Cáritas sonharem, cada jovem saiu dessa experiência disposto a não deixar a direção latinoamericana e do Caribe dormir enquanto não permitisse a consolidação do processo de articulação continental. No balançar da cabeça positivamente do Cardeal Maradiaga, presidente da Cáritas Internationalis, no momento em que se lia o trecho da Carta Oficial do encontro que mencionava a criação de um grupo de Juventudes na Cáritas da América Latina e Caribe, ficou a certeza de que a jornada não terminaria ali. Em Abril desse ano já houve a primeira experiência concreta desse movimento, com a participação de jovens no Colombianito das Cáritas do Cone Sul, em Recife.

A delegação da Cáritas também construiu e participou da Tenda dos Mártires e da Marcha Mundial Contra a Violência e o Extermínio de Jovens em parceria com outras organizações juvenis, assim como ajudou a animar uma ciranda em frente à Igreja da Candelária, fazendo memória aos 20 anos da chacina que marcou a história daquele lugar. Cada agente ali presente vivenciou as amarguras de desorganização em muitos momentos, mas também pôde testemunhar de perto os discursos de Papa Francisco, que muitas vezes fizeram eco ao que as juventudes da Cáritas discutiram durante os momentos pré-jornada.

“O Encontro foi, para mim, um momento de epifania no deserto. No meio da dúvida de como dar seguimento ao trabalho com os jovens que vínhamos fazendo em meu país, tive a chance de conhecer e ver experiências, sentir sua identidade com a causa da juventude, com a luta contra a violência contra os jovens. Entendi muito do que teria de fazer para avançar no tema. E mais, além de tudo, me deu força e medo das dificuldades que este trabalho gera”, declarou Victor J Castro, agente Cáritas de El Salvador.

A JMJ QUE QUEREMOS

“A experiência com as Juventudes, que se encontram para refletir e sonhar sobre a sociedade que temos e as conjunturas dos acontecimentos reais da vida concreta; fazer a experiência de Betania, da acolhida incondicional na casa de mulheres e homens que experimentam da mais profunda solidariedade de pertença a uma Comunidade Eclesial de Base; e viver a JMJ com os milhares de jovens de todos os continentes foi, sem duvidas a possibilidade de nos fortalecermos ainda mais, enquanto projeto de Cáritas na América Latina”, argumentou Alessandra Miranda, do Secretariado Nacional da Cáritas Brasileira e articuladora do GT de Juventudes da própria.

Para ela, a experiência toda foi momento de definição de missão e confirmação da opção fundamental que segue sendo a vida de direitos em que cada pessoa é sujeita/o, movidas/os e alimentados pelo Seguimento. “Somos discípulos e discípulas de Jesus”, reiterou. Alessandra foi uma das pessoas que não pôde participar da vigília com o Papa nas areias de Copacabana porque as juventudes sentadas ali acampadas de improviso ali não permitiam a entrada de mais ninguém depois de lotado para que os colchões não sujassem de areia. Todo investimento para aprontar o espaço o “Campo da Fé” em Guaratiba foi desperdiçado porque choveu dias antes, deixando o solo onde pessoas do mundo todo dormiriam inabitável. Ficou o questionamento: E se a chuva não caísse dois dias antes e sim durante a vigília? Onde três milhões de pessoas dormiriam se a drenagem não funcionasse?

“Foi na esperança de continuar percebendo algumas mudanças, para uma igreja mais próxima aos pobres e mais revolucionária, a qual sai dos templos e vai às ruas, conforme pede o Papa Francisco, que me permiti participar da Jornada Mundial da Juventude”, explicou Jardel Santana. Segundo ele, a JMJ não deveria ser para e sim com e das juventudes, por isso ele defende um formato diferente, em que se tenha a participação juvenil desde a organização até a realização e tenha caráter mais missionário e menos de espetáculo.

por Eraldo Paulino, Assessor de Comunicação da Cáritas da Diocese de Crateús-CE

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