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Regional Sul 1 da CNBB visita venezuelanos acolhidos pelo Programa Pana em São Paulo

14 de fevereiro de 2019

Na mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado do ano passado, o papa Francisco sintetiza as linhas de ação a favor dos migrantes com quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

Nesse espírito, acompanhados pelo secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional São Paulo, Antônio Evangelista, uma equipe do Regional Sul 1 da CNBB visitou as instalações de acolhimento a venezuelanos recebidos pelo programa para migrantes e refugiados: Pana. A casa de acolhimento, subsidiada por aluguel social, fica na Zona Leste e atualmente é o lar de 100 venezuelanos e venezuelanas.

Durante a visita o grupo conheceu o trabalho humanitário, desde a distribuição de alimento até o atendimento psicossocial, além de conversar com grande parte deles sobre as suas necessidades.

Antônio Evangelista destaca que os primeiros atendimentos a situações mais emergenciais já estão sendo feitos.  De acordo com secretário,  todos os venezuelanos têm documentação, como CPF e carteira de trabalho. Os agentes comunitários de saúde têm visitado e acompanhado as famílias. A maioria das crianças em idade escolar já foram encaminhadas. A maioria não está trabalhando. É comum que tenham de recorrer a subempregos – poucos conseguem carteira assinada.

Segundo o coordenador, um dos desafios encontrados pelos venezuelanos é a questão do idioma. Para ajudar nisto, a Cáritas também vai começar a oferecer aulas de português. Muitos também relatam problemas emocionais. “O refugiado já chega com a dignidade afetada e, por isso, é altamente vulnerável”, afirma o coordenador. No entanto, segundo ele, a Cáritas tem cumprido a sua missão na promoção e atuação social junto aos excluídos, na defesa dos seus direitos.

Dentre os que foram acolhidos está Frank Moisés Tuare Aparício, de 24 anos. Ele viveu dois meses nas ruas de Pacaraima (RR). Em Roraima recebeu ajuda humanitária para chegar no Brasil. Ele diz que não esperava que a situação da Venezuela chegaria a este ponto.  “Tive que deixar para trás meus pais e meus irmãos”, relata.

Agora, ele e a esposa moram em uma das casas subsidiadas com dois filhos. “Ainda não há trabalho, não há dinheiro, mas espero conseguir uma oportunidade de emprego e apesar disso, a vida aqui está melhor que na Venezuela”.

Entre os profissionais que estão ajudando os refugiados com atendimento psicossocial e de primeiras necessidades, como alimentação, entregas de roupas, medicação, ambientação na cidade nos serviços sociais e outros, está a psicóloga Juliane Oliveira Santos, ela está ajudando no atendimento aos refugiados, desde a distribuição de alimento até o atendimento psicossocial.

A psicóloga explica o caracteriza que o trabalho psicossocial com os imigrantes: “meu trabalho específico não é clínico, mas tem o acolhimento da situação emocional que cada um traz por se tratar de uma caminhada de muitas perdas e sofrimento. Eu, juntamente com uma assistente social e uma educadora, trabalhamos juntas as questões emocionais e sociais. O trabalho é árduo, principalmente por serem muitas famílias para uma equipe reduzida, mas é muito gratificante e eles nos ajudam bastante é uma troca para todos nós”, disse a psicóloga.

Por Renato Papis – Regional Sul 1 da CNBB 

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