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Entrevista: Grito dos/as Excluídos/as reúne milhares de pessoas a fim de fortalecer a organização, a mobilização e as lutas populares

07 de setembro de 2014
Imagem do Grito organizado pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, em Pernambuco.

A 20ª edição do Grito dos/as Excluídos/as pretende reunir milhares de pessoas nos cantos e recantos deste imenso país, neste domingo (7), quando se comemora o Dia da Independência do Brasil. Este ano, o Grito traz o tema “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos!”. Duas bandeiras são fundamentais nesta luta: a Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e pela Campanha Nacional pelo Plebiscito Popular da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Em entrevista, o articulador das ações de economia popular solidária da Cáritas Brasileira Regional NE 2 e coordenador do Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional NE2, ressaltou a importância da manifestação popular, bem como falou sobre o processo de preparação e articulação do Grito. Confira a conversa!

AsCom: Este ano o Grito dos/das Excluídos/as chega a sua vigésima edição. Como foi o processo de organização, em nível nacional, e como foi a articulação no Regional NE2 da CNBB?

Marcos Bezerra - O Setor Pastoral Social da CNBB Regional NE2 esteve envolvido nesse processo de organização, inclusive participando de dois momentos formativos onde foram repassadas orientações fundamentais para articulação do Grito nos Estados. O primeiro momento, em nível nacional, foi realizado no mês de abril, em São Paulo (SP). O segundo momento também foi um espaço de formação, mas voltado para os articuladores do Grito no Regional NE2. Esse encontro aconteceu na cidade de Caruaru (PE) e contou com a participação de 12 dioceses e representantes de igrejas evangélicas. Do estado de Pernambuco, estiveram presentes representações das cidades de Palmares, Nazaré da Mata, Pesqueira, Garanhuns, Olinda e Recife.

AsCom: Pode falar sobre a expectativa da organização do Grito quando propôs o tema deste ano, “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos! ”.

Marcos Bezerra – O Brasil, em junho de 2013, foi palco de várias manifestações da juventude que saiu às ruas para reivindicar seus direitos. Então, o tema deste ano busca reanimar essa mobilização social, mas trazendo à tona uma preocupação que é a reforma política. Em junho quando a população foi à rua e houve toda aquela pressão popular, teve uma resposta da presidenta Dilma de propor um plebiscito exclusivo a Constituição para uma reforma política. Isso acabou não indo adiante por conta das forças políticas que compõem o governo. A ideia é que a gente retome essa discussão da reforma política através de duas ferramentas: o Plebiscito Popular – que está sendo encampado por várias organizações e movimentos sociais; a outra é a coleta de assinaturas do Projeto de Lei de Iniciativa Popular – que também conta com o apoio de várias organizações, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), CNBB, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), entre outras. Então, no dia 07 de setembro vamos ocupar ruas e praças para tentar reanimar e mobilizar a população em prol de uma reforma política para o Estado brasileiro que possa trazer uma maior representação da sociedade.

Articulador da Cáritas Brasileira Regional NE2 e coordenador das Pastorais Sociais da CNBB NE2.

Articulador da Cáritas Brasileira Regional NE2 e coordenador das Pastorais Sociais da CNBB NE2.

AsCom: Diante da conjunta política do país, já é possível identificar se os brasileiros são contra ou a favor de uma Reforma Política?

Marcos Bezerra – Sim. Uma pesquisa divulgada pela OAB diz que 85% dos entrevistados são favoráveis à reforma política. E 92% dos entrevistados defendem um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma. Também foi identificado que menos de 10% das representações do Congresso Nacional têm mulheres, e uma outra questão é que cerca de 270 pessoas representam o empresariado brasileiro e outras instâncias. Ou seja, os segmentos dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como o das mulheres que são a grande maioria dos que votam estão pouco representados nesse formato eleitoral que temos. Então, a ideia é que a gente possa mexer nessas estruturas de financiamentos privados das campanhas, que hoje é visível como os candidatos que recebem recursos de empreiteiras e outros setores da sociedade.

AsCom: Copa do Mundo, grandes manifestações espelhadas por todo país, eleições. Este é um ano atípico e qual é o maior desafio para a organização do Grito?

Marcos Bezerra – O desafio é tremendo. A gente sai de um período de Copa do Mundo onde o povo brasileiro sai um pouco frustrado, e entramos num momento de eleição onde também muitas pessoas estão desacreditadas. Mas é uma oportunidade para que se possa aproveitar dessa indignação de boa parte da população, para juntos estarmos pressionado e implementando essas reformas. Sabemos que não é um caminho fácil, porque a reforma tanto pelo plebiscito popular, como pelo projeto de lei de iniciativa popular passam pelo Congresso Nacional. Também podemos apontar como desafio a questão do tempo que ainda vamos precisar para coletar 1,5 milhão de assinaturas. Desde a 5ª Semana Social Brasileira que essas assinaturas estão sendo coletadas, com a culminância agora durante o Grito. Mas acredito que talvez precise de mais tempo para chegar a essa meta, e depois ser entregue esse conjunto de assinaturas ao Congresso Nacional. Outra questão, é que mesmo sendo um ano eleitoral, vemos poucos candidatos se colocarem a respeito dessa reforma. Ou seja, eles admitem que o sistema é ruim e que necessita modificar alguma coisa, mas não apresentam nenhuma proposta concreta ou envolvimento naquilo que está sendo proposto pela sociedade civil.

AsCom: No contexto do Regional NE2, pode falar um pouco sobre a participação da Cáritas e das dioceses no Grito dos Excluídos?

Marcos Bezerra - Temos várias dioceses envolvidas nas manifestações do Grito, inclusive com a participação da Cáritas, como por exemplo, a Cáritas Diocesana de Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas, também temos a Cáritas Diocesana de Pesqueira, em Pernambuco, que está retomando o Grito e vai realizar o plebiscito popular. Na Paraíba é mais presente a participação dos movimentos sociais. Vale ressaltar que a Diocese de Guarabira realiza o Grito uma semana após as mobilizações nacional. Este ano, o grito acontecerá na cidade de Araçagi-PB, que comporta um canal da transposição do rio São Francisco e também foi identificada pela Polícia Federal como uma das rotas de tráfico humano no país. Já no estado do Rio Grande do Norte, que conta com três dioceses e com a participação das Cáritas diocesanas e paroquiais, o ponto alto do Grito irá acontecer em Mossoró, e traz como foco as ações relacionadas à Chapada do Apodi, que denunciam a questão do agrotóxico, propriedades rurais ocupadas pelo agronegócio, entre outras denúncias que inquietam a população.

Por Kilma Ferreira, Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira Regional NE2

Foto: imagem do Grito dos Excluídos e Excluídas organizado pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, em Pernambuco.

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