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Entrevista de Dom Demétrio Valentini sobre o recebimento do Prêmio Alceu Amoroso Lima de Direitos Humanos

19 de dezembro de 2013

Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (São Paulo), recebeu no dia 11 de Dezembro de 2013 o prêmio Alceu Amoroso Lima de Direitos Humanos, concedido pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis e pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro.

Dom Demétrio atuou como presidente da Cáritas Brasileira durante 16 anos, e o prêmio é um reconhecimento ao seu trabalho na instituição durante este período e na atuação junto as Pastorais Sociais da CNBB. Em entrevista para a Cáritas, ele explica a importância do prêmio e o que o motivou a doá-lo para a instituição.

Como o senhor recebeu o prêmio Alceu Amoroso Lima – Direitos Humanos?

Este prêmio é dado pelo “Centro Alceu Amoroso Lima pela Liberdade”, em conjunto pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. Ele é vinculado ao precioso legado literário, cultural, político e eclesial do grande intelectual católico Alceu Amoroso Lima, que no contexto literário era também conhecido como “Tristão de Ataíde”.

Agradeço às duas instituições o gesto de  lembrarem o meu nome, e me concederem o prêmio. Tentei sugerir outros nomes, que poderiam honrar melhor o Dr. Alceu, nos trinta anos do seu falecimento.  Mas insistiram no meu nome. Acabei aceitando, sob a condição de vincular o prêmio à CNBB, às Pastorais Sociais, e à Cáritas Brasileira, para destacar sua importância no esforço de tornar a Igreja mais presente na sociedade, e mais aberta à participação dos leigos. Esta foi minha intenção.

Como o senhor avalia a atuação da Cáritas e das Pastorais Sociais na área dos Direitos Humanos?

Na sua diversidade de atuação, tanto a Cáritas como as Pastorais Sociais, têm como referência concreta a salvaguarda e a promoção dos Direitos Humanos. A garantia de Direitos Humanos confere legitimidade para os projetos que visam a promoção humana dos destinatários. O trabalho da pastoral social, realizado pela Igreja através da Cáritas e das diversas pastorais sociais, não se limita a medidas compensatórias, que acabam consolidando e legitimando uma situação de injustiça. Ao contrário, tem como objetivo a capacitação dos destinatários, para que eles mesmos se tornem promotores de transformação social, como protagonistas de suas causas. Não é fácil manter este objetivo, mas ele permanece como motivação maior da ação social da Igreja.

Qual é a importância do trabalho desenvolvido por essas organizações para a sociedade em geral?

A atuação da Igreja na sociedade não vem competir com as instâncias políticas, nem se vincula a opções partidárias. Sua colaboração específica se situa ao nível da cidadania, incentivando a participação consciente e articulada de todos.

As Pastorais Sociais têm afinidade de ação com diversos movimentos sociais que são autônomos, e com os quais é possível estabelecer parcerias específicas, através de projetos que podem contar com o apoio da administração pública.

 Tudo isto, sem perda da própria identidade e da vinculação especial das Pastorais com a Igreja.

O senhor  foi presidente da Cáritas Brasileira por 16 anos e até hoje tem atuação na entidade, qual a mensagem que o senhor deixa para a Rede Cáritas após o recebimento deste prêmio?

O Prêmio sempre compromete a assumir as causas de quem o concede. É bom perceber que as pessoas acompanham com interesse e esperança nossa atuação de Igreja na sociedade. É importante guardar a memória de grandes personalidades, como foi Alceu Amoroso Lima, que em sua persistente atuação deixou um testemunho precioso de devotamento ao bem comum, como cidadão e como leigo atuante na Igreja.

É importante recuperar a memória dos que nos precederam. Um povo sem memória  é um povo sem futuro.

 Recentemente, a Cáritas/CNBB lançaram, em consonância com a Caritas Internationalis, uma campanha mundial contra a fome, a pobreza e as desigualdades, para o senhor, qual é a importância de promover tal mobilização tendo em vista a atual conjuntura?

É sempre válido o combate à fome. Mas o grande apoio dado pelo Papa a esta campanha, sinaliza sua clara opção, de fazer desta campanha  o exemplo da inserção da Igreja na sociedade. O combate à fome foi escolhido pelo Papa como uma das frentes de seu pontificado. Ele escolheu uma causa de valor evidente, que justifica outras postulações que a Igreja se sente no direito de fazer à sociedade.

O senhor recebeu um prêmio de R$ 5 mil, e repassou inteiramente à campanha contra a fome. Quais foram as motivações que levaram o senhor a doar inteiramente o prêmio à campanha da Cáritas?

Foi um gesto simbólico do Centro Alceu Amoroso Lima e da Universidade Cândido Mendes, conceder-me esta quantia. Repasso inteiramente esta quantia à Campanha da Cáritas contra a fome no mundo. Tenho certeza que o gesto está bem de acordo com as finalidades do Prêmio, e espero que anime a todos os que  quiserem colaborar com esta campanha da Cáritas.

     

por Thays Ferrari e Tanara Adriano, assessoria de comunicação da Cáritas Brasileira

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Comentários

Irene Miotto:

Parabéns Querido Dom Demétrio, o Senhor sempre fazendo o máximo em prol dos necessitados. Seu exemplo, carinho, amor e muito trabalho são as marcas que deixa onde passa. Parabéns pelo premio. FELIZ NATAL. Irene.

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