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ENTREVISTA: Cáritas prepara Semana de Ação Global, Cardeal Tagle fala desta iniciativa

26 de abril de 2018

Em entrevista ao Vatican News o arcebispo de Manila e presidente da Cáritas Internacional, Cardeal Luis Antonio Tagle, fala sobre a Semana de Ação Global, uma iniciativa que integra a Campanha Mundial Compartilhe a Viagem. O objetivo da Semana de Ação Global que acontece de 17 a 24 de junho é encorajar as comunidades locais, começando das paróquias, a viver e promover a “cultura do encontro”, compartilhando um almoço com migrantes e refugiados, e promovendo iniciativas concretas de solidariedade.

A campanha Compartilhe a Viagem foi lançada pelo papa Francisco em 27 de setembro do ano passado. No Brasil o lançamento foi marcado por uma celebração no Cristo Redentor com a presença de migrantes e refugiados e de diversas lideranças religiosas e leigas que atuam junto a esses grupos. Em comunhão com a Semana de Ação Global, em Junho a Cáritas Brasileira vai realizar também um seminário internacional, em Brasília, com as temáticas da migração e do refúgio, abordando de modo especial a realidade dos migrantes venezuelanos que desde 2016 começaram a chegar em maior número ao Brasil. 

O Cardeal Tagle destacou na entrevista a importância dessa campanha falando também sobre a experiência de migração em sua família.

Por que para a Cáritas Internacional e o Papa Francisco é tão importante acolher os migrantes?

Cardeal Tagle: O fenômeno da migração humana não é novo, mas em nosso tempo contemporâneo é um fenômeno dramático pelo número de migrantes forçados e refugiados. O Papa Francisco e a Cáritas Internacional têm este programa por dois motivos: O primeiro é humanitário. Sim, a migração é um fenômeno, uma ideia, um conceito, mas na base está o fato de que os migrantes são pessoas! Para dar um rosto humano a um fenômeno, a um conceito, devemos acolher os migrantes. O segundo motivo é a fé. Na Bíblia, o Povo de Israel era formado por refugiados, migrantes no Egito. O Senhor cuidou desse povo pobre e o guiou para a liberdade, e Jesus Cristo identificou-se com os estrangeiros, com os migrantes.

Como está indo a Compartilhe a Viagem? Quais são as suas esperanças para essa campanha, e também para a Semana de Ação Global, em junho?

Cardeal Tagle:  Compartilhe a viagem, é um projeto internacional da Cáritas. Estamos felizes que o Santo Padre tenha inaugurado o programa no ano passado. Estou feliz de ver que em vários lugares do mundo, em vários países do mundo onde existem as Cáritas locais, paroquiais, o programa segue adiante. O programa da Cáritas animou as paróquias a acolher, proteger e integrar os migrantes. Esperamos a “Semana de Ação Global”, em junho, que será um momento não somente simbólico, mas efetivo. Por exemplo, em Manila, não haverá somente um almoço com os migrantes, mas também uma reunião com os estudantes provenientes de outros países. Nas universidades e nas escolas também há Compartilhe a Viagem. Não podemos esquecer a nossa história comum com os migrantes. São meus irmãos e irmãs!

O que gostaria de dizer às pessoas que têm medo dos migrantes e aos governantes que levantam muros para deter a imigração?

Cardeal Tagle: A primeira palavra é apreciar a complexidade do fenômeno da migração. Não é uma questão simples. A segunda palavra é encontrar os migrantes, os refugiados. Muitas vezes o medo da migração não há fundamento, porém a mentalidade muda quando as histórias humanas abrem os meus olhos para a minha história e eu me vejo nos outros! Deste modo, começamos a partilhar a mesma história, a viagem, juntos. A terceira palavra é memória. Todos nós, todos os países do mundo têm uma história de migração. O meu avô era um migrante da China para as Filipinas. Todos nós temos o sangue de um migrante! Não podemos esquecer esta história comum e ver em cada migrante um avô, uma avó. Não são estrangeiros: são meus irmãos e minhas irmãs.

Cardeal Tagle, há três anos o senhor é presidente da Cáritas Internacional. O que essa experiência está lhe acrescentando? É feliz?

Cardeal Tagle: Quando recebi a notícia da minha eleição, tive algumas hesitações. Não estava preparado, não me sentia capaz de governar uma Confederação internacional como a Cáritas Internacional, porém, aceitei a nomeação, a eleição, na fé. Sinceramente gostaria de dizer que estes três anos foram um período de educação e formação para mim! Espero ter dado uma contribuição para a Confederação pelo menos em algumas coisas, porém, para mim a experiência mais significativa é a minha contínua formação e educação graças às pessoas da Cáritas, os pobres, os sofredores que me deram lições de esperança e amor. Um amor que permanece em meio ao sofrimento e miséria. Sou um “aluno”, não presidente da Cáritas!


 Por Alessandro Gisotti e Mariangela Jaguraba
Entrevista publicada originalmente no site vaticannews.va/pt

 

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