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Do grito de dor ao clamor da esperança: as juventudes Cáritas resistem e constroem o Bem Viver

25 de setembro de 2018

Das ladeiras do Pelourinho, se ouviu um grito. Um grito de dor da juventude que é marginalizada e exterminada. Mas ainda maior foi o grito de resistência e de esperança das juventudes que constroem uma outra forma de viver, de Bem Viver. O Intercâmbio Nacional das Juventudes, promovido pela Cáritas Brasileira, foi espaço para tecer redes e partilhar sonhos, superando toda dor e desesperança que nos impõem. Mas é preciso reconhecer como lugar teológico a dor, e foi nessa perspectiva que a Roda de Conversa “Os clamores das juventudes e a construção do Bem Viver” caminhou.

Provocados a trazer e partilhar os desafios de suas realidades, os jovens fizeram ecoar pelos corredores do Convento São Francisco de Assis os gritos das juventudes que querem viver com dignidade. Cada grupo trouxe seus clamores por direitos, educação, democracia, trabalho. As mãos erguidas e os punhos fechados denunciavam a fome e sede por justiça que cada jovem trouxe consigo. Esses gritos foram o combustível para compreender o chão que pisamos e sonhar outra sociedade.

Daniel Souza, professor e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), convidou os participantes a olharem o inferno em que vivemos, reconhecendo nossa forma de viver nele e de reimaginá-lo. A metáfora teológica do inferno nos auxilia a compreender a realidade de ausência de vida plena. Vivemos na permanente ameaça da perda da vida e da dignidade. O inferno, que está dentro de nós, nos tira a capacidade de nos relacionar com o outro.

O projeto de Estado securitário, ávido em controlar os corpos e negligente em promover as vidas, é sinal deste inferno. Vozes defensoras de um modelo de segurança pautado no medo e que determine quem é matável crescem como sintomas dessa ausência de vida. O inferno é o crepitar do fogo do capital que destrói as terras e as águas, mutila a riqueza das formas de viver das comunidades tradicionais e rouba a capacidade de sonhar das juventudes.

Mas a dor permanente vira melancolia que nos anestesia e nos tira a capacidade de perceber as potencialidades que temos. É urgente reimaginar o inferno, sem deixar que nossas esperanças sejam capturadas e nossos gritos sejam apenas lamentações. A juventude é chamada a construir outros modos de viver solidários, sentir os respiros das utopias, ter uma fé que não é apenas ver aquilo que não vemos, mas também criar o que não vemos.

Foi essa capacidade criativa que Hildete Emanuele, da Ação Social Arquidiocesana de Salvador, propôs aos jovens e às jovens presentes, para que contribuam e participem da construção solidária, partindo do princípio que a sociedade do Bem Viver é sinal evangélico do Reino de Deus. Com isso, as juventudes se propõem uma nova história, uma nova democracia, pensada e sentida a partir do respeito aos povos originários, à diversidade, à natureza.

Nesse sentido, os jovens e as jovens foram provocados a fortalecer as lutas de resistência ao modelo de desenvolvimento que coloniza, explora e mata. As jovens e os jovens da Rede Cáritas são construtores de uma alternativa ao sistema baseado na ampliação do consumo a serviço da acumulação do capital.

O Intercâmbio Nacional das Juventudes mobilizou os jovens e as jovens a resistirem e aprofundarem estes conceitos e práticas, para que possam ser uma força viva na construção de ações que promovam, alimentem e orientem uma sociedade para a cultura da solidariedade.

Por Raphael Costa – Coordenador Geral das Pastoral Sociais da Arquidiocese de Niterói,  secretário executivo do Istituto Don Orione (RJ) e membro da Comissão Nacional de Infância, Adolescência e Juventudes da Cáritas Brasileira.

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