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Despejo é genocídio: em defesa dos Guarani e Kaiowá do Apyka’i

11 de julho de 2016

No Mato Grosso do Sul, no meio de uma plantação de cana, vive um grupo de famílias Guarani e Kaiowá. Para elas, aquela terra se chama Apyka’i e é onde estão enterrados os seus antepassados. Estas famílias estão ameaçadas de despejo.

É ao lado dessas pessoas que nos posicionamos nesta carta, contra a recente decisão de reintegração de posse da área em favor de uma vasta plantação de cana, arrendada pela Usina São Fernando. A usina, localizada no município de Dourados/MS, pertence a José Carlos Bumlai, empresário e pecuarista preso pela Operação Lava Jato, e incide sobre o território indígena.

Apyka’i é um exemplo grave do genocídio praticado contra os indígenas no estado. Lá, eles bebem água em um córrego envenenado pelas plantações de cana — uma senhora morreu de envenenamento ali. Outras oito pessoas foram atropeladas às margens da rodovia, por onde os indígenas acessam a cidade. Mais três se suicidaram, no contexto da falta absoluta de terra. A morte é muito presente no Apyka’i: logo que se entra no acampamento, é possível avistar dois cemitérios.

Desfavorecidos pela paralisação das demarcações de terras indígenas, sofrem regularmente tentativas de reintegração de posse, ameaças de morte, ataques, incêndios criminosos, suicídios, ausência total de acesso à saúde e educação, ataques químicos com agrotóxico por aviões, atropelamentos e racismo. Por anos, viveram em uma faixa minúscula de terra na beira da estrada, em barracos, antes de reocuparem sua terra ancestral.

A comunidade afirma que não irá sair — mesmo que o efetivo da polícia militar seja utilizado para removê-la a força, conforme solicitação do juiz Fábio Kaiut Nunes, da 1ª Vara Federal de Dourados. Afora os moradores dali, há milhares de guerreiros e guerreiras entre os mais de 50 mil Guarani e Kaiowá que habitam o estado, prontos para resistir ao lado deles.

E quem seríamos nós, se não nos rendêssemos a esse grito desesperado de resistência? Num dos momentos mais antidemocráticos que já vivemos em nossa história, e num contexto de forte criminalização contra nós, movimentos sociais e apoiadores da causa indígena, afirmamos que faremos o que for possível para ajudar a defender o pequeno acampamento do Apyka’i, tomando nosso lado nesta luta: de mãos dadas com os Guarani e Kaiowá, contra os gigantes com dinheiro.

Deixe o Apyka’i viver!

13 de junho de 2016

Assinam esta carta:

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)
Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme)
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (Arpinsudeste)
Articulação dos Povos Undígenas do Sul (Arpinsul)
Associação Floresta Protegida (Mebengokre/Kayapó)
Aty Guasu Guarani e Kaiowá
Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)
Conselho de Articulação do Povo Guarani (RS)
Conselho Terena
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab)
Amigos da Terra
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária/PR (Amar)
Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte/PR (Apromac)
Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí)
Associação de Proteção ao Meio Ambiente (Apromac)
Art. Rosalino de Povos e Com. Tradicionais do Norte de Minas e Alto Jequitinhonha
Bicuda Ecológica (RJ)
Canudos/SP
Cáritas Brasileira
Centro Acadêmico Celso Amorim (Rel. Int./UFGD)
Centro Acadêmico de Ciências Sociais (UFMS)
Centro Acadêmico Florestan Fernandes (Ciências Sociais/UFGD)
Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA)
Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos (CDDH-MS)
Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes)
Centro de Estudos Bíblicos (CEBI)
Centro de Estudos e Pesquisas para o Desnvolvimento do Extremo Sul/Ba (Cepedes)
Centro de Trabalho Indigenista (CTI)
Coletivo A Causa
Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo
Coletivo de Mulheres da UFGD
Coletivo de Profissionais em Antropologia (aPROA)
Coletivo Terra Vermelha (CTV)
Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Comitê de Defesa Popular de Dourados
Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Araraquara/SP
Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Dourados/MS
Comunidades Eclesias de Base do Mato Grosso do Sul (CEBs/MS)
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Conselho Pastoral de Pescadores (CPP)
Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB)
Contra o Trafico de Mulheres (UFGD)
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)
Eterno Arte Crew
Fábrica Arístico-cultural Latinoamericana de Corumbá e Ladário (Fala)
Fase
Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
Fian Brasil
Frente Nacional de Defesa dos Territórios Quilombolas
Fórum da Amazônia Oriental (Faor)
Fórum de Igrejas e Organismos Ecumênicos do Brasil (FE ACT/Br)
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Greenpeace Brasil
Grupo Argos de Teatro (Corumbá/MS)
Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (UFMA)
Grupo de Estudos Subalternidade e colonialidade na America Latina (UFGD)
Índio é Nós
Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM)
Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)
Instituto da Mulher Negra do Pantanal (Imnegra)
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé)
Instituto Madeira Vivo
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Terramar
Instituto Transformance: Cultura & Educação
International Rivers – Brasil
Justiça Global
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Tapajós Vivo
Plataforma de Articulação e Diálogo (PAD)
Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil
Rede Brasileira de Arteducadores (Abra)
Rede Nacional de Advogados Populares (Renap)
Toxisphera Associação de Saúde Ambiental
Uma Gota No Oceano
União de Mulheres de São Paulo
Universidade Communitária dos Rios (UNIcomRIOS/Marabá)

SOS HAITI FURACÃO

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