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CPT denuncia mais um caso de assassinato no campo

10 de agosto de 2016
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A ofensiva de grileiros contra famílias camponesas fez mais uma vítima no Tocantins. No dia 5 de agosto, Luís Jorge de Araújo, pai de família com 56 anos, membro da comunidade Boqueirão, foi executado em seu barraco, no município de Wanderlândia. Testemunhas que presenciaram o crime disseram que quatro homens armados chegaram ao local no início da tarde e efetuaram o disparo à queima roupa contra o trabalhador.

Em julho deste ano, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) Araguaia-Tocantis denunciou na imprensa regional e em audiência com a Ouvidoria Agrária Nacional a onda de violência que assola o campo, com o acirramento das agressões dirigidas contra famílias em luta por terra na região norte do estado.

Desde o início de 2016, foram registrados cinco casos de ataques a diferentes comunidades por pistoleiros a mando de grileiros. Durante estas ações, foi assassinada uma liderança da ocupação Gurgueia, no município de Araguaína, enquanto dormia em seu barraco, e um jovem acabou baleado na mão na ocupação rural denominada Capela, também em Wanderlândia.

Mesmo com a ampla divulgação do alastramento dos conflitos e da tensão que envolve a região, os órgãos públicos não conseguiram evitar esta última morte já anunciada. A situação chega ao absurdo de circular uma lista apontando sete pessoas marcadas para morrer, entre lideranças comunitárias e representantes sindicais.

A fazenda Boqueirão, onde Luís Jorge de Araújo foi assassinado, pertence ao patrimônio da União. A destinação prioritária de tais áreas públicas deveria, como define a Constituição Federal, ser o atendimento às necessidades das famílias que precisam de terra para produzir seu sustento, o que implicaria uma ação firme dos órgãos públicos competentes.

Comprometida com a defesa intransigente dos direitos e da vida, especialmente dos mais necessitados, a CPT esteve em visita na última terça-feira, dia 9, à comunidade Boqueirão juntamente com o bispo da Diocese de Tocantinópolis, dom Giovane, e uma representação do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Wanderlândia. Na ocasião, dom Giovane expressou solidariedade em nome dos bispos do Tocantins às famílias acampadas e aos parentes do Sr. Luís.

O agravamento dos conflitos e das violências no campo já resultou em 39 mortos este ano no Brasil, de acordo com dados parciais registrados pela CPT. Em 2015, foram mais 50 assassinatos em todo o país. Diante deste cenário, a CPT vem a público cobrar uma atuação imediata e firme por parte do Incra, do Programa Terra Legal, das Ouvidorias Agrárias Regional e Nacional, da Delegacia Estadual de Repressão a Conflitos Agrários, do Ministério Público e dos demais órgãos competentes, para que as áreas em disputa sejam regularizadas e para que os mandantes e executores do assassinato do Sr. Luís Jorge de Araújo sejam identificados e punidos conforme previsto em lei.

Lamentando mais essa morte, marcada pela ganância, a CPT e a Diocese de Tocantinópolis apresentam aos familiares do Sr. Luís e à sofrida comunidade de Wanderlândia – a primeira comunidade pastoreada por Padre Josimo Tavares, assassinado a mando de fazendeiros em 1986 – seus pêsames, bem como votos de fé e firmeza em sua luta por justiça.

Fonte: Diocese de Tocantinópolis/TO
Comissão Pastoral da Terra (CPT) Araguaia-Tocantis

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