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CORDEL – Por que a pobreza nasce e por que a riqueza cresce?

16 de dezembro de 2013

por Erivan Camelo*

Peço licença aos leitores
Que gosta de poesia
Para falar de um tema
Presente no dia a dia
A fome irmã da miséria
Coisa cada vez mais séria
Está virando tirania

Entre a fome e o comer
Existe uma ponte injusta
Com pilhares de egoísmo
Arquitetura que assusta
Poucos metros de riqueza
Com quilômetros de pobreza
São dois lados que me frustra

A riqueza e o poder
Não pertencem a criação
Pois corrompem a natureza
Traz miséria pra o povão
Mascaram-se de santinhos
Mas são malvados cretinos
E filhos da maldição

Se Deus fez a criação
Não priorizou riqueza
Fez todo o universo
Não pensou em avareza
Mulher e homem igual
Sem tendência para o mau
E para o bem da natureza

Jesus Cristo criador
Nasceu junto aos animais
Maria não achou repouso
Para ter seu filho em paz
Junto ao burro e o cavalo
Cristo veio sem um abalo
Sem riqueza e nada mais

Milênios já se passaram
E a pobreza aqui chegou
E agora o capital
É quem quer ser criador
Com a riqueza em suas mãos
E os corruptos em ação
Igual Judas o traidor

Hoje em dia a economia
Que cresce a cada instante
Assim cresce a escravidão
E aumenta a fome gritante
É assim com a energia
Que se enrica noite e dia
E se empobrece mais que antes

Se o País fica mais rico
O povo é quem padece
Pois lá em cima sobe mais
E aqui de baixo mais desce
Do que vale mais dinheiro
Se o Brasil é dos primeiro
Onde a desigualdade cresce

Tem gente ganhando muito
Sem nunca ter trabalhado
Gente vive trabalhando
E ganha apenas trocado
Uns que ainda são injustos
Outros mais que são corruptos
E outros que são roubados

Uns vivem em sua mansão
E muitos lá na favela
Lugar a comida sobra
Em outros nem tem panela
Poucos mandam no trabalho
Muito trabalho é mandado
E a fome vira sequela

Se aqui falta comida
Comida ali vai pra o lixo
Se falta à criança pobre
O rico lá dá pra bicho
Desigualdade crescendo
E o povo aos pouco morrendo
No mais cruel dos caprichos

Esse tal capitalismo
É criminoso e voraz
Formou a grande quadrilha
Chamada neoliberais
Que se juntaram ao mercado
Outro ente mascarado
Com alma de satanás

Se juntássemos o dinheiro
De toda corrupção
Daria pra alimentar
Toda e qualquer nação
Sobrava mais pra o lazer
Pra saúde e bem viver
Moradia e educação

O mercado traiçoeiro
Todo dia lhe oferece
Mil coisas como oferenda
Como se alguma coisa preste
Tira todo seu dinheiro
Tu deve agora ao banqueiro
E a frente sempre padece

Vestido de fantasia
Lá vem o Papai Noel
Rindo se faz de bonzinho
Mas de fato é coronel
Vendedor de ilusão
Do capitalismo irmão
Que faz do povo esmoléu

Como já diz o ditado
Sai da boca pra comprar
Coisa que não tem valor
Para com fome ficar
Troca pão por geladeira
Ovo pela frigideira
E fome começa a passar

Pois num adianta ter
Como fazer a comida
Se ela mesmo faltou
O estoque está batida
E pra os moveis ficar olhando
Com a barriga roncando
Sem comer para as lombrigas

Nunca vi menti igual
A essa tal televisão
Pois diz que o senhor é santo
E o santo Deus é o cão
Diz que a fome está matando
E eles só enricando
Numa corja de ladrão

Diz que a fome está pior
Mas num diz qual a razão
Só se ver a Rede Globo
Onde tem corrupção
Lá se concentra riqueza
Fazendo assim a pobreza
Pedir esmola ao o cão

Outra coisa que é nojenta
É o tempo de eleição
Que promete Deus ao mundo
Comida para a nação
Quando passa a safadeza
Todos entram na cerveja
Começa a corrupção

Eu posso até tá errado
Mas político que promete
É por que num vai cumprir
Ganha e sai pintando o sete
Engana os eleitores
Fazendo lhe os favores
Coisa que ninguém merece

E os mais descriminados
É mulher, negro e menino
Pois tem fome de comida
E do preconceito assassino
Sofre sem educação
Sem água sem terra e pão
Nesse sistema cretino

E as grandes empresas malditas
Falam de a fome acabar
A Nestlé e Monsanto
Querem o mundo dominar
Acabar com a agricultura
Trocar miséria em fartura
E cada vez mais enricar

Pois pegam a matéria prima
Transformam em puro veneno
O milho, a soja e feijão
Que o povo está comendo
Diminuí sua saúde
A fome entre em atitude
E a miséria vai crescendo

O povo entra na onda
De querer ir pra cidade
Vai esvaziando o campo
Da comadre e do compadre
A metrópole fica inchada
E camponês sem morada
Crescendo a desigualdade

Se o campo fica vazio
Quem produz o alimento
Como que um País agrícola
Continua seu sustento?
Vai depender do negócio
Que produz o agrotóxico
Fazer da vida um lamento?

Se o campo não produz
A fome tende aumentar
Diminui a autonomia
A segurança alimentar
Pois sem a soberania
Aumenta-se cada dia
Gente pra vim nos roubar

O povo quer vida plena
E o governo dar esmola
Nunca fez Reforma Agrária
Só distribui a sacola
Com pedaço de comida
Assistência colorida
Na família e na escola

Se dar esmola pra muitos
Vai milhões pra minoria
Muito que ficam calados
Lambe a panela vazia
Se sujeita ao comodismo
Partindo pra o grande abismo
Da fome pra maioria

Tem a fome de comida
E a fome de beber
Fome de educação
De saúde e de lazer
A fome de liberdade
E da solidariedade
De justiça e bem querer

Fome de democracia
De respeito à criação
Fome de governo sério
Que respeite a nação
E distribua a riqueza
Pra ter comida na mesa
Dar um fim na precisão 

Mas em meio a essa crise
Temos várias soluções
Enfrentar o capital
Na luta contra os barões
Quebrar a hegemonia
Na batalha noite e dia
Para sair dos porões

Tem várias alternativas
Para a fome acabar
Pois o que comer não falta
Falta o querer partilhar
Gente séria no poder
Pra de vez fazer valer
A vontade popular

Tem que a terra repartir
Tirar de quem tem demais
Passar pra quem tem de menos
Pra todos sermos iguais
Pois sem panela vazia
Virá à democracia
Que tanto fala os jornais

Nesse dia a fome morre
Nem que seja de desgosto
A concentração naufraga
O poder fica indisposto
Os corruptos na cadeia
Mentiroso leva peia
E o mundo tem novo rosto

Pão justiça para todos
E qualquer família humana
Como diz o evangelho
Da terra a comida emana
Sem distinção e nem cor
O principio é o amor
Pois só partilha quem ama

Você que leu estes versos
Divulgue pra o mundo afora
Comece você também
Denunciar quem explora
Se junte a outras pessoas
Seja a pé ou de canoa
Vamos começar agora

Agora já estou com fome
A caneta está tremendo
É preciso ir comer
Pra depois ir escrevendo
Mas você que passa fome
Vai atrás do que se come
Deixe o que está fazendo.

*Erivan Camelo, é da Cáritas Regional Ceará e atualmente está em missão no Haiti pela Cáritas Brasileira

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Comentários

Giovanni Oliveira Medina:

Faz o Rap do SFA (Super_FofinhoAzul) por favor

Giovanni Oliveira Medina:

Vai virar Rapper Kanye Jay-Z nos próximos dias!!

Giovanni Oliveira Medina:

☆Quanta rima, e assim que eu gosto☆

Maria Telma:

Parabéns, excelente trabalho!

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