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Comunidades rurais no Rio Grande do Sul, com o apoio da Cáritas, recuperam de fontes de água

22 de março de 2019

No decorrer de um ano comunidades gaúchas com o apoio de diversas instituições recuperaram mais de cem fontes de água

A água é um recurso natural de grande valor econômico, estratégico e social, uma vez que é indispensável à manutenção da vida. A sustentabilidade de todas as atividade humanas necessitam dela para desempenhar e manter suas funções.

A preocupação com esta temática leva-nos a refletir sobre a importância da água, sua qualidade, e principalmente sobre o consumo irresponsável deste recurso que nos remete as possibilidades de sua escassez em várias regiões do planeta, num futuro mais próximo do que imaginamos.

As nascente ou mananciais, conhecidas também como olho d’água, mina d’água, fio d’água, cabeceira e fonte, nada mais são que o aparecimento, na superfície do terreno, de um lençol subterrâneo, que assim dão origem aos cursos d’água. Elas surgem em determinados locais da superfície do solo e são facilmente encontradas no meio rural, correspondem ao local onde se inicia um curso de água que pode ser rio, ribeirão, córrego, etc., seja grande ou pequeno.

Visando provocar a reflexão sobre esta temática e minimizar o desperdício e a degradação da água, diversas iinstituições e organizações governamentais e sociedade civil têm se empenhado para criar meios afim de despertar uma consciência de uso racional da água bem como da preservação, manutenção e sustentabilidade dos seus mananciais.

Um grande exemplo é o projeto que a Caritas Brasileira Regional Rio Grande do Sul promove desde 2010, recuperação de fontes de água, a recuperação dessas fontes dá-se através de mutirões comunitários, que envolvem famílias, escolas, lideranças, gestores públicos, técnicos agrícolas e pessoas interessadas.

No decorrer de um ano comunidades gaúchas com o apoio de diversas instituições recuperaram mais de cem fontes de água.

Trabalho em comunidade recupera fontes de água – As comunidades foram articuladas desde o início através de um processo de diagnóstico de suas realidades socioambientais, com levantamento dos recursos hídricos utilizados pelas famílias, através de questionário simples que colhia informações sobre: quantas famílias faziam uso da fonte, a proveniência da água utilizada, para que era utilizada – limpeza, consumo humano, animais domésticos. A partir do mapeamento, foram identificadas as fontes de água mais precárias e, com a coordenação da Cáritas local, com orientação técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural  (Emater) e a participação dos produtores e agricultores familiares foram realizadas as seguintes ações: mutirões de limpeza do entorno das fontes, construção de proteção com tijolos em volta da fonte, cobertura com telhas, cercamento para proteção de animais, plantio de árvores nativas e orientações para manutenção das mesmas.

Essas ações foram precedidas de reuniões com as famílias e as entidades interessadas para debate e escolha das prioridades até atender a todos. Todas as fontes foram fotografadas antes e depois da ação para verificar a mudança. Atividades de formação foram realizadas com as famílias beneficiadas para debate mais amplo sobre o sentido da produção de alimentos saudáveis e a importância da preservação dos ecossistemas nas propriedades.

São medidas simples, mas impactaram positivamente as propriedades e agricultores beneficiados trazendo água de boa qualidade para uso humano, plantio, abastecimento para os animais, produção de alimentos e desenvolvimento sustentável das propriedades rurais.

O envolvimento das comunidades também foi motivado pelo desejo concreto de ações conjuntas para solucionar as dificuldades com a escassez de água. Nesse processo, comunidades, sindicatos, poder público e organizações não governamentais somaram forças para realizar as ações. Esses mutirões são a essência da tecnologia social e são concebidos como momentos prático-reflexivos de troca de experiências e de conhecimentos, como forma de potencializar resultados, replicar técnicas e formas de trabalho, sobretudo na área do cuidado com o meio ambiente. A prática de mutirões e recuperação de fonte de água também gera integração, reforço de laços comunitários, solidariedade local e solução sustentável para agricultura familiar, com baixo custo.

Com os bons resultados e poucos gastos o interesse pela recuperação da fontes se tornou comum em comunidades e municípios vizinhos que souberam da ação e procuraram conhecer a experiência, replicando no seu local. Isso ocorreu de forma espontânea e sempre com apoio financeiro da Cáritas do Rio Grande do Sul, com orientação de técnicos extensionistas rurais e com o envolvimento comunitário. Em 2012 foram mais de cem fontes de água recuperadas, em sete municípios gaúchos: Paim Filho, Maximiliano de Almeida, São João da Urtiga, Salto do Jacuí, Jacuizinho, Estrela Velha, e Santa Margarida do Sul.

Além do imensurável impacto positivo do cuidado com meio ambiente que se tornou um compromisso entre os envolvidos, com uma mudança de mentalidade e de hábitos de cuidado com o meio ambiente e, de modo especial, na valorização do potencial das fontes de água, antes esquecidas e abandonadas.

Referências Bibliográficas:

  1. Teixeira, Silvana. Nascentes – Importância, processo de recuperação e conservação da água. www.cpt.com.br.
  2. Brasil. Ministério do Meio Ambiente – MMA. Plano Nacional de Recursos Hídricos. Programas nacionais e metas. Volume IV. Secretaria de Recursos Hídricos. Brasília: MMA, 2006.
  3. Plataforma de Boas Práticas para o desenvolvimento sustentável. Áreas temáticas – Meio Ambiente. http://www.boaspraticas.org.br.

Por Deusa Rodrigues Favero – Cáritas Regional Paraná

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