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Ato de abertura para o III Dia Mundial dos Pobres é realizado na CNBB

07 de novembro de 2019

Roda de Conversa na abertura da Jornada Mundial do Pobres – Foto: Tainá Aragão/Cáritas Brasileira

Ocorreu hoje (7), na sede Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), o ato de abertura da III Jornada Mundial dos Pobres que é realizada de 10 a 17 de novembro. Participaram lideranças das Pastorais Sociais, Movimentos Populares e Organismos da CNBB. O evento teve o formato de Roda de Conversa em que os participantes discutiram os desafios e alternativas para a superação das desigualdades e empobrecimento.

Dom Francisco Cota, bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba (PR) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, ressaltou a necessidade de entrar nas causas que geram a exclusão social e convocou aos participantes e se unir em prol do desenvolvimento integral humano. “Somos chamados enquanto Igreja e Sociedade Civil a unir nossas forças, trabalhar na defesa da dignidade das pessoas”, disse. O bispo lembrou que é necessário oferecer conforto imediato ao pobre, mas ao mesmo tempo precisa desenvolver ações que interfiram nas estruturas que levam as pessoas à situação de empobrecimento.  “Um desenvolvimento econômico que não oferece benefícios, que aumenta a concentração de renda, que gera isolamento dos pobres precisa ser superado. Não queremos um modelo econômico, um modelo político que custe o sangue de muitos”, ressaltou o bispo.

Antônio Tarcísio da Silva, membro da Pastoral dos Pescadores, trouxe para a conversa os desafios vividos pelos pescadores, de modo particular, os pescadores do Nordeste Brasileiro, que devido a mancha de óleo há o impedimento da pesca para a sobrevivência, e muitos estão passando fome. Antônio ressaltou a importância da Igreja em ajudar na reformulação de políticas públicas em prol dessa população, sobretudo, na questão da demarcação e preservação dos territórios e a organizar a resistência do povo.

“O que tem a dizer uma mulher negra, periférica que é descendente de um povo que foi escravizado, e que a mais de 500 anos vem fazendo resistência com a construção dos quilombos para estar junto dos seus”, assim Maria Zezé, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), iniciou sua fala. Zezé recordou que não existe um Brasil sem a história do povo negro e do povo indígena e pediu para que a Igreja continue reconhecendo o legado de seu povo.

Katia Silene Akratkatêjê, cacique do povo gavião, no momento do plantio da árvore nos jardins da CNBB – foto: Tainá Aragão/Cáritas Brasileira

“Estamos no alerta vermelho, estamos perdendo nosso povo, estamos constantemente ameaçados, cada dia morre uma liderança nossa”, narrou Katia Silene Akratkatêjê, cacique do povo gavião. Ela lembrou que desde 1962 o povo gavião segue sofrendo ameaças com os empreendimentos que chegam à região, ao sudeste do Estado do Pará. “Com a chegada do tal desenvolvimento, que é como o governo chama, fomos expulsos de nossas terras, a cada dia perdemos gente do nosso povo, pois com os empreendimentos chegam também a droga, a prostituição e a doença, falou a liderança”, disse. Katia pediu para que Igreja esteja mais próxima “assim como esteve no início, com meu povo, ao ensinar a língua portuguesa para hoje possamos no defender”, finaliza.

Também participaram da Roda de Conversa: Migrantes, Assentados da Reforma Agrária, Movimento das Mulheres Camponesas e Catadores de Materiais Recicláveis, todos trouxeram os desafios vividos e iniciativas de superação.

Como gesto concreto, na conclusão do encontro, nos jardins da CNBB, o grupo plantou um pé de pequi com símbolo de resistência e esperança.

 

A Jornada Mundial dos Pobres

Em 2016, no encerramento do Ano da Misericórdia, o papa Francisco convocou católicos e pessoas de boa vontade para uma jornada de solidariedade e proximidade com as pessoas empobrecidas. A convocação trouxe como lema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Desde então a Jornada Mundial dos Pobres entrou para o calendário anual das iniciativas da Igreja. Em 2018 o tema foi: “Este pobre clama e o Senhor o escuta”.

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9, 19), é o tema central da Mensagem do papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, celebrado em 17 de novembro. Contudo, a Igreja do Brasil realiza a Jornada Mundial dos Pobres, que neste ano ocorre de 10 a 17. Na mensagem, o papa afirma: “A promoção, mesmo social, dos pobres não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. O amor que dá vida à fé em Jesus não permite que os seus discípulos se fechem num individualismo asfixiador, oculto nas pregas duma intimidade espiritual, sem qualquer influxo na vida social”.

Neste ano a Jornada foi organizada pela CNBB,  Cáritas Brasileira, Pastoral do Migrante, Pastoral do Povo de Rua e Pastoral da Mulher Marginalizada.

Ato de abertura da III Jornada Mundial dos Pobres – foto: Tainá Aragão/Cáritas Brasileira

 

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