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“Precisamos da radicalidade dos movimentos sociais”

08 de julho de 2016

A rede de Economia Popular Solidária (EPS) da Cáritas Brasileira convidou o professor Claudio Nascimento, da Escola Sindical da CUT, para analisar a atual conjuntura política do país na manhã desta quinta-feira, dia 7 de julho, em Santa Maria/RS. Na ocasião, diversos agentes Cáritas envolvidos com a EPS puderam fazer ponderações em relação ao atual cenário político, econômico e cultural, no qual os empreendimentos populares estão inseridos.

O tema principal da análise foi o golpe de Estado e suas implicações no quotidiano dos militantes de uma economia solidária, sustentável e participativa. Segundo o professor Claudio, “a crise (econômica e política) é um momento para aprendermos” — referindo-se aos erros cometidos durante os últimos 12 anos de governo do PT. Para ele, houve avanços sociais importantes durante os últimos anos, mas esses ganhos tiveram um custo muito alto: o desmanche dos movimentos sociais.

“Precisamos de uma radicalidade dos movimentos sociais: esse é o caminho”, diz Claudio, que avalia a ofensiva conservadora dos últimos anos como um resultado da omissão dos movimentos sociais nas ruas. Ele afirma que a troca do governo Dilma pelo governo Temer levou as políticas públicas de um extremo ao outro. O exemplo disso seria a importância que o governo tem dado a figuras polêmicas como Alexandre Frota (recebido no Ministério da Educação), a pastora Fátima Palaes (Secretária de Mulheres), o militar Sebastião Robero Peternelli (cotado para o comando da Funai) e o Ministro da Justiça, Alexandre Moraes (ex-secretário de Segurança do governo estadual de São Paulo).

Walter dos Santos, da comunidade quilombola Pequi da Rampa, em Vagem Grande, Maranhão, concordou com a análise: “Nós percebemos uma melhoria de vida nos últimos anos, mas isso também foi a causa de uma grande desmobilização dos movimentos sociais”. Para ele, a desvalorização de articulações e redes entre estes movimentos por parte do poder público enfraqueceu a incidência de pautas históricas nas agendas do Estado.

Golpe contra a juventude e as mulheres

O professor Claudio Nascimento relacionou dois grandes grupos afetados pelo golpe: os jovens e as mulheres. Ele lembrou que algumas medidas atingiram diretamente direitos conquistados nos últimos anos, como por exemplo as bolsas para intercâmbio de estudantes — drasticamente cortadas do orçamento previsto para a União pelo governo interino de Michel Temer.

Claudio também ponderou que “esse foi um golpe patriarcal”. A escolha de uma equipe ministerial composta apenas de homens é, segundo ele,  um exemplo claro da posição machista deste grupo. A própria escolha da conservadora pastora Fátima Palaes para a Secretaria de Mulheres representa um retrocesso nas conquistas dos direitos das mulheres nos últimos tempos.

Por Jeronimo Calorio Pinto / Assessoria Nacional de Comunicação
Foto: Jeronimo Calorio Pinto

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