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Assembleia popular dos povos das águas é realizada na comunidade Quilombola Cumbe, em Aracati, no Ceará

21 de agosto de 2018

Pescadores e pescadoras artesanais, agricultores e agriculturas camponesas, povos indígenas e comunidades quilombolas realizam assembleia das águas

Pela primeira vez o Ceará realizou a “Assembleia Popular dos Povos das Águas” na comunidade Quilombola Cumbe, em Aracati nos dias 16 a 19 de Agosto de 2018. A Assembleia reuniu 25 municípios cearenses, sendo 13 da zona costeira e 12 do interior do Estado. É a primeira vez que pescadores e pescadoras artesanais, agricultores e agriculturas camponesas, povos indígenas e comunidades quilombolas se reúnem para refletir, debater e construir pautas e estratégias comuns e articuladas entre os povos das águas do Ceará.

O encontro buscou promover espaços de troca e diálogo com o objetivo de fortalecer a ação política e capacidade de luta e sobrevivência coletiva, frente à problemática conjuntura de perda, negação e violação de direitos. Além disso, possibilitou a reflexão sobre os temas: contexto atual considerando a política de águas instituída na atualidade, enfrentamentos frente aos grandes projetos econômicos e os agravos da conjuntura; as relações com o Estado, às políticas públicas e a democracia; enfrentamento as injustiças raciais e étnicas e injustiças ambientais e sociais.

Durante a Assembleia as pessoas presentes conheceram as experiências de quintais produtivos e a situação dos mangues da comunidade que estão sendo impactados com projetos de carcinicultura. Além disso, foram realizadas oficinas temáticas de aprofundamento como contexto da pesca artesanal no Ceará e no Brasil, projetos econômicos e seus prejuízos para os povos das águas, regularização fundiária e conflitos ambientais: limites e possibilidades das políticas e da judicialização, mulheres das águas: presença e resistência e potencialidades comunitárias de autoafirmação, juventudes e povos das águas, Estado, políticas públicas e autonomia dos movimentos e organizações comunitárias, entre outras.

A Assembleia Popular dos povos das águas abraçou ainda o Encontro Estadual da Pesca, para refletir sobre os impactos dos grandes projetos para os povos das águas e o Encontro de Articulação dos povos das águas, que buscou fortalecer a união entre pescadores e pescadoras artesanais, agricultores e agriculturas camponesas, povos indígenas e comunidades quilombolas.

Para a pescadora Maria Aparecida Ferreira da Costa, do município de Novo Oriente, sertão do Ceará, participar da Assembleia, do Encontro Estadual da Pesca e de Articulação foi uma experiência única. Isso porque Aparecida afirmou que como pescadora ir e poder escutar outras pescadoras é importante e muito gratificante: “só de vir aqui e trocar experiências, aprender coisas novas, saber que as dificuldades delas são as mesmas nossas lá no açude me encheu de esperança. Elas não são reconhecidas, como nós lá do sertão, as pessoas pensam que mulher não pesca, que somos fracas, frágil e na verdade a gente pesca sim, participamos das lutas, estamos em todos os lados”. A pescadora artesanal deixou um recado na Assembleia: “Vai ter mulher pescadora sim e me orgulho de ser pescadora, sustento minha família, sou feliz”, finalizou Maria Aparecida.

O pescador artesanal Francisco das Chagas, mais conhecido como Sorriso, de Tamboril, afirmou que o encontro foi muito bom por trazer outros aprendizados, outras culturas. Sorriso explicou que alguns enfrentamentos dos povos do mar são diferentes pensando na realidade dos povos de açude, porém há similitudes, como a perda de direitos, a luta pelo território. “Estes dias de encontro foi de muito aprendizado, cada debate que participei me fortaleceu, vou levar muito aprendizado e isso ajuda na hora de lutar pelos nossos direitos”, enfatizou.

Estavam presentes pessoas dos municípios: Parambu, Arneiroz, Aiuba, Tauá, Quiterianópolis, Novo Oriente, Crateús, Independência, Tamboril, Nova Russas, Catunda, Monsenhor Tabosa, do sertão cearense e da zona Costeira os municípios de Icapuí, Aracati, Fortim, Beberibe, Cascavel, Aquiraz, Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Trairi, Itapipoca, Amontada, Curral Velho e Camocim.

A Assembleia Popular dos Povos das Águas é uma realização da Cáritas Diocesana de Crateús, Instituto Terramar, CPP, Conselho Pastoral dos Pescadores e MPP, Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.

Por Anita Dias – Rede Cáritas de Comunicação

Fotos: Anita Dias e Marciel Melo

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