Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte

Carta de princípios apresenta os compromissos firmados pelos participantes do Iº Ajuri Amazônico

09 de julho de 2019

Participantes do Iº Ajuri Amazônico publicaram hoje (09), uma carta princípios, resultado da semana de estudos e reflexões sobre Sínodo para a Amazônia. O compromisso com os povos da floresta, com a realidade urbana, com o protagonismo das mulheres e com o Bem Viver estão entre os 12 itens elencados pelo grupo de 80 participantes da atividade. Ajuri é uma palavra indígena da etnia Tupi Aiurí, que significa: mobilização, ajuntamento ou mutirão. 

Inspirado na proposta do Curso de Verão, organizado pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), de São Paulo, o Ajuri foi realizado entre os dias 01 e 07 de julho, no Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPS), em Manaus, e buscou aprofundar a reflexão sobre o Sínodo nos campos bíblico, teológico, pastoral, sobre as questões ecológicas e sociais emergentes, por meio da metodologia da Educação Popular.

“O Ajuri marca historicamente nosso fazer conhecimento e nosso fazer teológico de modo participativo, dentro de uma metodologia descolonial, para que possamos amazonizar nossa vida e nossas realidades sociais, políticas e eclesiais”, afirmou o padre Ricardo Castro, assessor da REPAM-Brasil, diretor do ITEPES e um dos coordenadores do Ajuri. Ele destacou, ainda, a importante participação dos jovens, das mulheres e dos itinerantes da Amazônia nessa atividade que, de forma popular e lúdica, propiciou um grande aprofundamento. “Com as sabedorias indígenas e com a luta das mulheres inauguramos o novo da história em meio aos desafios de nosso tempo”, concluiu padre Ricardo.

Participantes do Iº Ajuri apresentam Carta com 12 compromissos para fortalecer a defesa das causas dos povos da Amazônia e da floresta.

Lidiane Cristo, do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), também organizadora do evento, destacou a pluralidade de experiências dos participantes do Ajuri, bem como as partilhas de desafios e esperanças que foram levadas. “Acreditamos que o Curso de Verão Ajuri Amazônico foi espaço de diálogo, diversidade, integração, troca de conhecimento e, sobretudo, lugar onde foi possível aprofundar as questões mais relevantes sobre a Amazônia”, afirmou Lidiane.

Os sete dias de atividades foram divididos em seis temas e vinte e quatro oficinas. O Ajuri Amazônico foi organizado pelo ITEPES, Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), Faculdade Dom Bosco, Arquidiocese de Manaus, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e Centro de Estudos Bíblicos (CEBI).

Leia abaixo o texto da Carta de Princípios do Iº Ajuri Amazônico:

 

Carta de Princípios do 1º Ajuri Amazônico – 01 a 07/07/2019

 

Nós, participantes do 1º Ajuri Amazônico, daqui das margens do Rio Negro, no coração da Amazônia, saudamos com afeto as irmãs e irmãos da Amazônia e do Brasil, que sonham conosco com novos céus e nova terra, nas trilhas do Sínodo para a Amazônia, de atuar como Igreja Sinodal cuidando de maneira respeitosa e amorosa toda a criação!

O Curso teve seus aspectos históricos, de como iniciou o projeto do primeiro Curso Ajuri Amazônico, que significa mobilização ou mutirão Amazônico. A inspiração desse curso veio do Curso de Verão de São Paulo, sendo que a proposta do Ajuri foi sete dias, que foram divididos em seis temas e vinte e quatro oficinas, dentro da metodologia da Igreja católica, o Ver, Discernir e Agir. O Curso teve por objetivo: aprofundar a reflexão sobre o Sínodo para e com a Amazônia no campo bíblico, teológico, pastoral, sobre as questões ecológicas e sociais emergentes, privilegiando-se a metodologia da Educação Popular.

Nós, do Curso Ajuri Amazônico, nos comprometemos:

  1. Com os povos da floresta, a conhecê-los e apoiar suas lutas, porque são eles que protegem nossas matas e são os verdadeiros guardiões e guardiães da floresta;
  2. Com a Amazônia urbana, pois queremos trabalhar juntos com as comunidades, as políticas públicas urbanas como planejamento, saneamento básico, saúde, educação e os processos migratórios;
  3. A partir deste Ajuri, queremos resgatar, reler e compreender para melhor atuar, a memória histórica do Brasil e da Amazônia. Beber desta história de resistência contra a servidão e a escravidão, como foi a Cabanagem. Precisamos adentrar na compreensão e vivência das Mitologias Indígenas e na dinâmica de vida de nossos povos, para cultivar e aprofundar uma espiritualidade indígena e cristã;
  4. Queremos ser uma Igreja com um jeito Amazônico, que o Papa Francisco sonha com a gente;
  5. Convocamos todas as juventudes da Amazônia, para a participação cidadã na luta por políticas públicas adequadas e efetivas que respondam as necessidades no âmbito da saúde, educação, emprego e segurança;
  6. Propiciar a juventude possibilidade de se educar para um protagonismo na busca de soluções na área eclesial e social, tendo a arte como um dos meios para gerar consciência e processos emancipatórios;
  7. Comprometemo-nos também a ver e escutar as juventudes, principalmente as juventudes indígenas;
  8. Queremos, a partir desse Ajuri, nos comprometer com o protagonismo das mulheres que vêm assumindo seu lugar de fala na Igreja e na sociedade, que sejam reconhecidas e valorizadas em suas ações e projetos emancipatórios;
  9. Fazer uma leitura bíblica que reconheça a terra, como herança de Deus, terra de todos e todas nós. Essa Terra que é a nossa grande Maloca. Isso significa apoiar e se fazer presente nos movimentos de cuidados (com amor) dos territórios simbólicos e de vida para os povos urbanos e ribeirinhos;
  10. A crescer e cultivar uma teologia e uma espiritualidade a partir das relações complexas da vida, das interdependências e das redes que nos ajudam a compreender que o ser humano é a própria terra, que supere espiritualismo individualista e nos ajude a tecer comunidades cristãs mais ecológicas. Deixemo-nos Amazonizar;
  11. Com a Ecologia da Laudato Sí, perceber a Florestania dentro de nós, para olharmos melhor o compromisso com a Ecologia Ambiental, Ecologia Econômica (respeitando o processo de descanso da Terra), Ecologia Social, Ecologia Cultural e Ecologia Urbana;
  12. Com o princípio do bem viver, bem comum e da justiça.

AMÉM! AXÉ! AUERE! ALELUIA! ALELUIA! ALELUIA!

Com informações da REPAM-Brasil

MAGRE BRASIL

Faça parte dessa rede

Redes Sociais

Cáritas Notícias

Cadastre-se e receba por e-mail nossos informativos.
Prestação de Contas

Contato

Cáritas Brasileira
SDS - Bloco P - Ed. Venâncio III
Sala 410 - CEP: 70393-900


Brasília/DF
+55 (61) 3521-0350

caritas@caritas.org.br