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Caritas Manaus organiza roda de conversa com migrantes venezuelanos sobre tráfico humano

06 de agosto de 2018

Cáritas Manaus e Rede um Grito Pela Vida promovem roda de conversa com os migrantes venezuelanos sobre o tráfico humano

O fenômeno migratório dos venezuelanos cada vez está mais presente em Manaus (AM). Diante desta realidade a Caritas Arquidiocesana faz um trabalho de acolhida, orientação e acompanhamento junto com eles, que numa media de 50 pessoas por dia passam na sede do Centro Pastoral Arquidiocesano.

Nesta segunda-feira (6) de agosto, em parceria com a Rede um Grito pela Vida, foi organizada uma roda de conversa onde foram mostradas diversas realidades sobre o tráfico de pessoas. Uma delas é a exploração sexual de mulheres e homens, sobretudo jovens, situação ligada ao tráfico de drogas. Máfias organizadas se aproveitam da situação de necessidade e aperto que muitos migrantes sofrem diante da falta de emprego. É fácil constatar essa realidade nas ruas do centro de Manaus qualquer noite.

Na escuta de experiências pelas quais estão passando muitos migrantes no que faz referencia com o mundo do trabalho, foram relatadas algumas situações sofridas pelos migrantes. Uma senhora falava que trabalhou numa casa de família como diarista, desde as cinco da madrugada até as onze da noite, ganhando trinta reais. Junto com isso, um jovem relatou que já trabalhou numa gráfica em troca de dez reais por dia, com o agravante de que o dono dessa gráfica era advogado. Diante dessas situações os migrantes foram orientados pela irmã Eurides Alves de Oliveira, da Rede um Grito pela Vida, a procurar o Ministério Público do Trabalho.

O mais preocupante é que “as pessoas continuam explorando porque nós não estamos denunciando, tanto migrantes como brasileiros”, segundo a irmã Rose Bertoldo, que também faz parte da Rede, constatando que “a necessidade e a fome nos levam a trabalhar por bem menos do estipulado e em condições análogas ao trabalho escravo”. Nesse sentido, se faz necessário entrar numa dinâmica que mude essa situação, sabendo que é um trabalho a longo prazo, para assim mudar a atitude de quem contrata. Junto com isso, ninguém pode esquecer que, no Brasil, as instituições públicas são muito lentas, o que dificulta a resolução das denúncias.

Um dos migrantes presentes dizia com pesar que “se aproveitam da gente, eu sou preparado. Quando vamos pedir trabalho muitos nos chamam de malandros. Nós não viemos para pedir, nós queremos trabalhar”. Junto com isso, outro imigrante relatava que alguns empresários, depois que começam trabalhar com eles, na hora de assinar a carteira, o salário se vê reduzido.

Outro aspecto abordado na roda de conversa foi a realidade das crianças, tentando ajudar aos presentes para tomar um maior cuidado com os menores. Nesse sentido, segundo dados do Jornal A Crítica, na capital manauara, nos últimos quatro anos, tem desaparecido uma media de três a quatro crianças por dia. Existem suspeitas que o tráfico de órgãos, a mendicância e a adoção ilegal é o destino desses menores. Junto com isso, outra problemática que atinge as crianças é o tráfico de drogas, pois desde os sete ou oito anos eles são usados para entregar a droga, sendo conhecidos como “aviõezinhos”.

Sem dúvida esse tipo de iniciativa ajuda os migrantes, pois a grande maioria passa por situações complicadas. Estas rodas de conversa, que Caritas Manaus pretende estabelecer como prática comum, abordando diferentes problemáticas, são instrumentos que podem fazer mais fácil a vida de quem vem fugindo de uma realidade de fome, necessidade e exploração.

Migrantes Venezuelanos em Roda de Conversa com Cáritas Manaus sobre o tema do tráfico humano

Por Luis Miguel Modino

MAGRE BRASIL

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